Redução de dívida em 60 milhões marcou discurso de Isilda Gomes

Autarca Socialista diz que «balançaram, mas não caíram» e que oposição foi muito pouco para quem tem ambição de ser poder em Portimão.

O Jardim 1º de Dezembro foi o espaço escolhido para a apresentação das listas do Partido Socialista aos vários órgãos autárquicos portimonenses, na quinta-feira, 27 de julho. Não é um espaço que esteja previsto ser arranjado para já, nem foi por essa razão que Isilda se colocou diante de mais de três centenas de militantes e simpatizantes. «Este mesmo jardim vai ser alvo de uma requalificação que apenas ainda não teve início porque isso significaria encerrá-lo durante os meses de verão», justificou durante o discurso.

O que realmente importou naquela tarde foi rever quatro anos de mandato, marcados pela redução da dívida em 60 milhões de euros, e apelar ao voto para poder continuar o trabalho iniciado em 2013.

«O PS indicou-me para ser de novo candidata à Câmara Municipal de Portimão. Fê-lo depois de avaliar o mandato que agora termina. Os portimonenses vão agora ser chamados a fazer o mesmo», constatou.

Quando tomou posse, em 2013, a primeira tarefa da autarca foi «estancar a dívida de cerca de 200 milhões de euros, que crescia de dia para dia, com juros que disparavam e juros de mora que ninguém perdoava», recordou.

Nos dois anos seguintes foi elaborado um plano de reestruturação de dívidas, no qual, a oposição foi chamada a colaborar. «O resultado dessa abertura foi constrangedor. zero propostas, zero ideias e desconhecimento absoluto da realidade. No fim, votaram contra. Aliás, a oposição de direita votou contra todos os documentos financeiros relevantes», acusou.

«Há apenas cinco dias, o auto proclamado líder da oposição veio, mais uma vez, colocar em causa as contas da autarquia, reeditando uma mensagem que já tinha testado há um ano, dizendo que as contas da Câmara não eram sérias», avançou, atacando, assim, as declarações de José Caçorino, líder do Servir + Portimão.

Ora, para Isilda Gomes, o que não é serio é «ser instado a pedir uma auditoria financeira independente, não o fazer, remetendo-se a um silêncio cobarde e, a apenas dois meses das eleições, quando sabe que essa auditoria não é realizável em tempo útil, vir outra vez com a mesma ladainha», respondeu.

De igual modo, a edil não ficou satisfeita pelo líder da oposição utilizar os argumentos do «Revisor Oficial de Contas do município para fazer chicana política», até porque os números são enviados para o Tribunal de Contas, para a Direção Geral das Autarquias Locais e para a Comissão Executiva do FAM.

Por isso, a autarca socialista deixou o desafio à população de procurar as tomadas de posição da coligação de direita nos últimos quatro anos. «Chegarão à mesma conclusão que eu. Além de se terem mostrado contra o FAM, foram contra a nova rotunda na Torralta. Foi esta a oposição que tivemos, pouco, muito pouco para quem tem ambição de ser poder em Portimão», apontou.

Após as respostas à coligação, Isilda Gomes fez questão de referir as metas que conseguiu alcançar nos últimos quatro anos. «Baixámos a dívida de uns impressionantes 200 milhões de euros para os atuais 139 milhões e, isso, por si só, é todo um programa de um mandato. Mas não nos ficámos por aí», assinalou Isilda Gomes.

Durante a apresentação Pedro Nuno Santos, dirigente nacional do PS e secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, homenageou a edil portimonense. «É uma mulher lutadora, determinada, corajosa, que aceitou liderar um município nas condições em que o herdou». Ainda que, na verdade, tenha herdado um concelho endividado após uma gestão socialista, havendo quase 200 milhões de euros de dívida, há quatro anos.

«Portimão era um concelho bloqueado, com a dívida per capita das mais altas de Portugal, era o concelho do Algarve com um prazo médio de pagamento de divida a fornecedores mais elevado, era um concelho que tinha obras travadas, salários de professores em atraso», enumerou Pedro Nuno Santos. Dificuldades a que a equipa socialista portimonense conseguiu dar a volta.

«Ganhámos credibilidade, confiança dos fornecedores, voltamos a apoiar as associações, a requalificar a rede viária, a concluir obras de equipamentos que estavam suspensos, resultado da dedicação de Isilda Gomes e da sua equipa», constatou o secretário de Estado.

O segredo, segundo este dirigente nacional, quer no crescimento do país, quer em Portimão, é o respeito. «Quando este governo decidiu que era preciso acabar com os cortes na administração pública, não estávamos a dar nada a ninguém, estávamos a respeitar o contrato do Estado para com os seus trabalhadores. Quando o governo aumentou o salário mínimo, estava a respeitar quem trabalha, quando aumentou as pensões estava a respeitar quem trabalhou uma vida inteira, que merece uma reforma decente», disse. A analogia com Portimão é igual para este governante. «O respeito pelo povo, que merece que a sua terra avance, que merece que não esteja bloqueado numa divida. E era preciso ter líderes à altura», argumentou.

Quanto à herança do anterior executivo socialista, a autarca destacou que «foram cometidos erros no passado, que marcarão o concelho ainda por alguns anos. No entanto, foi ao PS que os portimonenses deram a responsabilidade de corrigir esses mesmos erros e nós provámos que estávamos à altura», concluiu.

Escolha de João Amado foi «imperativo de consciência»

Isilda Gomes justificou a escolha de João Amado, antigo vereador do PSD em Portimão entre 2005 e 2008, como um «imperativo de consciência». Durante a apresentação das listas socialistas em Portimão, a autarca recordou que «há quatro anos, depois de ter ganho as eleições com maioria relativa», procurou «junto de todas as forças políticas com assento na Câmara Municipal construir um acordo de regime que permitisse estabilidade para as difíceis medidas que seria necessário tomar. Todos se recusaram a dar o seu contributo». A exceção foi João Amado e parte do PSD, como Pedro Xavier, Evelina Madeira e Fernando Imaginário. Colocaram «o interesse da terra à frente do interesse pessoal e fizeram-no apesar dos ataques de caráter que iriam sofrer», relembrou.

Para João Amado, aceitar o convite, exigiu antes «muita reflexão», mas no dia da apresentação afirmou que estava «no sítio certo» e «independentemente daquilo que são as nossas convicções mais profundas, há uma superior a todas. É a de querermos Portimão mais progressivo, mais solidário e, sobretudo, que envolva mais os cidadãos na vida e destino desta cidade», considerou.

E Isilda Gomes «não poupou esforços há quatro anos, quando começou a governar, no pior momento» da vida da autarquia portimonense. «Enfrentou um difícil mandato. Não desistiu. Cumpriu os acordos e princípios que sustentaram a maioria» e pagou parte das dívidas. Por isso, o antigo militante do PSD acredita, hoje, que valeu a pena sentar-se à mesma mesa que a equipa socialista. «A participação cívica não se pode limitar à critica e maledicência, não pode também esgotar-se no elogio. Portimão pode, merece e deve exigir mais no que depende da Câmara, das Assembleias Municipal e de Freguesia. E cá estaremos todos, durante estes quatro anos, para acompanhar, apoiar, fiscalizar e exigir», alertou ainda.

O pedido que João Amado realizou na quinta-feira é que a vitória dos socialistas traga ainda uma maior exigência quanto à atenção a dar pelo governo a um problema que sendo complexo de âmbito nacional e de difícil resolução, em Portimão tem contornos e incidência gravosa. Referia-se então ao Centro Hospitalar do Algarve.

Ivo Carvalho é nova cara em Alvor

Os cabeças-de-lista socialistas às Assembleias de Freguesia mantêm-se, sendo Álvaro Bila o candidato por Portimão e José Vitorino pela Mexilhoeira Grande. Isilda Gomes, a candidata à Câmara Municipal descreve José Vitorino como um exemplo de «perseverança e enorme discrição», tendo sempre reivindicado mais para aquela freguesia e exigido o que era justo. Já Álvaro Bila sempre mostrou «dedicação à causa pública, que transcende em muito a Junta de Freguesia, sendo incansável. É um autarca modelo», resumiu.

A cara nova será mesmo Ivo Carvalho, em Alvor, que por ser a primeira vez que concorre com cabeça-de-lista mereceu uma palavra especial da autarca socialista. «Quando não se tem mais nada para dizer de alguém mais jovem, diz-se que essa pessoa trará irreverência ao cargo. Quando não se reconhece qualidade em alguém mais jovem, lá vem a irreverência para mascarar a falta de confiança. O Ivo é o mais jovem dos candidatos do PS a uma Junta de Freguesia, não por ser irreverente, mas por ser o mais capaz e o mais bem preparado para assumir este desafio. Tem um passado de trabalho e de devoção à sua terra», sublinhou.

João Vieira recandidata-se à AM de Portimão

«Em situações graves como as que vivemos nada teria sido possível sem o apoio crítico da Assembleia Municipal», liderada pelo socialista João Vieira. O militante assumiu a presidência após o falecimento de Francisco Florêncio. E para a autarca, a «experiência de João Vieira será uma mais-valia na condução do próximo mandato, onde terá de moderar acesos debates, sendo a pessoa melhor qualificada para liderar» aquele órgão autárquico. «Soubeste sempre estar à altura do momento e, mesmo nas alturas de maior crispação, ser um apaziguador», acrescentou.

«Assumimos a tarefa mais difícil das nossas vidas políticas»

Em jeito de balanço dos últimos quatro anos de mandato socialista em Portimão, Isilda Gomes destacou que, quando tomaram posse, o «desafio era imenso» e «as dificuldades que se aproximavam eram conhecidas por todos». Em 2013, estavam em cima da mesa questões como a possibilidade de encerrar o serviço de Vai-Vem e as piscinas municipais, porque não havia fundos para comprar «cloro ou reparar as bombas de aquecimento», a necessidade de «mandar apagar luminárias diminuindo o conforto e a segurança dos cidadãos», mas para reduzir custos de energia, exemplificou a socialista. Não era possível modernizar a autarquia a nível administrativo, pois o computar mais recente tinha dez anos ou não havia corta relvas para aparar o espaços verdes. «Sei que algumas das situações parecem caricaturas de uma realidade aumentada, mas eram situações bem reais a que foi preciso dar resposta. Conseguimos arranjar soluções que permitiram que os cenários mais negros não se concretizassem», assegurou perante um espaço cheio de militantes e simpatizantes.

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