PS Lagoa boicota eleições exigindo atenção para concelho

Candidato há de aparecer, mas a falta de ligação com a estrutura regional e nacional não motivou ninguém a avançar com a pretensão nem em janeiro, nem em março.

O Partido Socialista (PS) de Lagoa quis bater o pé e exigir mais de atenção das estruturas regionais e nacionais daquela força política. Tanto que já foram marcadas eleições para a Comissão Política Concelhia de Lagoa, mas não houve nenhuma lista. A nova liderança da Federação pode dar um sinal de mudança e alterar essa realidade.

Em declarações ao «barlavento», Francisco Martins, eleito pelo PS para a Câmara Municipal de Lagoa, explicou que, «na altura [das duas eleições], os militantes entenderam que não estavam reunidas as condições» necessárias.

A verdade é que «havia algum desagrado da nossa parte relativamente à forma como éramos tratados, quer a nível nacional, quer regional. Daí entendemos que, se calhar, não éramos as pessoas indicadas para liderar esse processo. Não apareceu mais ninguém, as eleições foram remarcadas, mas porque tinham que ser, porque não houve alteração nenhuma», revelou.

Claro que a decisão de avançar com uma lista é um ato individual de um militante, que reúna um grupo de interessados em formar uma equipa, mas Francisco Martins explicou, desta forma, as razões que conhece e que partiram de conversas com as pessoas que lhe são mais próximas da concelhia.

Mesmo não tendo havido eleições, por duas vezes consecutivas (em janeiro e depois em março), também «não houve nenhum contacto da Federação, na altura, para perceber quais os motivos. Houve conversas de corredor, mas não houve uma vinda cá de nenhum representante», sublinhou.

Poderia ser, porém, de estranhar que uma concelhia que conseguiu consolidar, com grande margem, os resultados autárquicos do partido naquele concelho não apresentasse ninguém para continuar esse trabalho. «Foi uma questão encarada como um ato de alguma normalidade, digo eu», especulou. O facto é que havia queixas da concelhia, pois na visão do autarca, «as pessoas têm direito a sentirem-se menosprezadas».

«Estamos a falar de algumas situações e apelos que endereçámos ao governo e sobre as quais não tivemos sorte. Agora temos uma nova liderança na Federação e já estive a ler declarações do partido que refere que, efetivamente, há pouco tempo esteve em Lagoa uma secretária de Estado, o que prova que o governo não está esquecido. Portanto, está tudo bem», ironizou, especulando que, se calhar, «foi mesmo uma birra de alguns de nós». Foi durante o mês de março que a representante do governo se deslocou a Lagoa para assinar o protocolo para a criação do Tribunal do Comércio, mas o «barlavento» sabe que têm sido sucessivos os convites, nos últimos anos, rejeitados pelos membros do governo. Um dos casos recorrentes tem sido a inauguração da FATACIL, um dos maiores eventos a sul do Tejo.

Ainda assim, até por isso, se para a Federação está «tudo bem», Francisco Martins tem a certeza que no «próximo ato eleitoral da concelhia alguém há de aparecer». «O atual presidente do PS [Luís Graça] já me explicou que temos dirigentes no Algarve que também são dirigentes nacionais e há, pouco tempo, esteve cá uma secretária de Estado», por isso esta realidade deverá mudar, afirmou.

É que para o também presidente de Câmara, Lagoa é um concelho «extremamente importante, que está bem estruturado, que a nível geográfico está bem situado, e que tem peso económico. Tem havido uma mudança nos últimos anos na afirmação do concelho. Passámos um bocadinho ao lado daquela imagem de concelho dormitório. O que digo é que lutámos para que Lagoa se afirmasse e, durante muito tempo, fomos por exemplo o único concelho do Algarve que se andou a promover em feiras internacionais. Necessitávamos de fazer esse trabalho de afirmação e hoje há um reconhecimento diferente. Sentimos orgulho no trabalho que estamos a fazer. E já que estamos a falar de política, qualquer filho também gosta que, às vezes, o pai o acarinhe. Senão depois faz birra», constatou.

Para já, Francisco Martins não vê razões nem para mudar o que pensava antes, nem para acreditar que a Federação não vá mudar a sua posição. «Acho que será marcado novo ato eleitoral e suponho que apareça algum militante do partido com vontade de pegar» na concelhia.

É que Francisco Martins foi o último eleito para aquela estrutura local, tendo decidido depois sair a meio e deixar a liderança a Luís Encarnação, novo vice-presidente da Câmara Municipal, após a saída de Nuno Amorim do executivo, por razões pessoais, que dever-se-á ter dado na terça-feira passada, dia 10 de abril.

«Saí a meio do mandato, precisamente para me sentar na Câmara. Ele nem sequer foi a votos, portanto se ele quiser está à vontade para concorrer. Em Lagoa, não há nenhum militante que esteja impedido de concorrer pela limitação de mandatos. Portanto, também é uma questão de vontade», disse. E Francisco Martins admitiu que pensou em voltar a concorrer à concelhia, mas «perante algumas situações que aconteceram», verificou que não teria «mesmo condições para o fazer», tirando-se assim de fora da equação.

O autarca alertou, porém, que «o PS consolidou-se em termos autárquicos em Lagoa no último ato eleitoral. Há agora um trabalho interessante a fazer, que terá obrigatoriamente que ser realizado. Mas passa pela motivação e ligação com as outras estruturas do PS, quer nacional, quer regional», concluiu.

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