«Política é um ato nobre, quando está ao serviço da população» diz Álvaro Bila

Álvaro Bila foi eleito, a 20 de janeiro, presidente da Comissão Política Concelhia do Partido Socialista (PS) de Portimão, uma estrutura com 400 militantes, ainda que nem todos tenham quotas em dia. Com 60 por cento dos votos, o também presidente da Junta de Freguesia, quer abrir a força política à sociedade civil, com reuniões temáticas e descentralizadas.

barlavento: Porque é que se candidatou à presidência da concelhia do PS?
Álvaro Bila:
O partido, neste momento, precisa de alguém para unir e, neste caso falo em todos os socialistas, em muitos que não são filiados, mas que espero conseguir, com a minha entrada para presidente da concelhia, que venham para o PS. O meu objetivo é abrir o partido à sociedade civil, realizar reuniões temáticas permitindo que outras pessoas possam dar contributos e assim construir um Portimão melhor. É isso que vou querer fazer com a minha equipa, com a minha Comissão Política e acho que todos juntos conseguiremos. Felizmente, o PS Portimão tem muita massa crítica, temos que dar voz a todos, apoiando também a Câmara Municipal. A autarquia, e este executivo, passaram quatro anos difíceis. Considero que está na hora de, todos juntos, fazermos Portimão cada vez melhor.

Ser presidente da Junta de Freguesia de Portimão facilitará?
Tem outra noção da realidade da cidade… Esta função leva-me a estar muito próximo das pessoas, algo que quero continuar a estar. Vejo um cargo público destes como um cargo de proximidade, mas que só é concretizado de forma real se conseguirmos resolver os problemas atempadamente. Hoje há o problema dos e-mails… há muita correspondência para gerir. As situações têm que ser tratadas de imediato, porque o que as pessoas querem de nós são respostas rápidas. Foi isso que sempre tentei fazer na minha vida e é isso que vou continuar a fazer.

Essa proximidade ajudará a abrir o partido à sociedade civil?
Sim. E é o que vou querer fazer sempre. No entanto, há aqui outro ponto muito importante que é fazê-lo, sempre, com o apoio de quem está na Câmara Municipal, havendo troca de contributos e debatendo em reuniões os objetivos que queremos para a nossa terra.

E como está a concelhia a nível de militantes?
As pessoas têm de deixar de olhar para os políticos como um bicho papão. A política é um ato nobre ao serviço da população e, por isso, acredito que essa é também a imagem que vamos querer passar. No fundo, que vamos mesmo ter de passar. Neste momento temos 400 militantes, ainda que nem todos tenham as quotas em dia.

A Câmara Municipal de Portimão foi sempre PS e até teve situações delicadas nos últimos anos. Houve, porém, uma renovação. Considera que as ações da autarquia no último mandato ajudaram a credibilizar a política local?
Acho que o Partido Socialista, apesar de ter sido sempre Poder em Portimão, tem feito muitas coisas boas, e vai continuar a fazê-las, não obstante sempre soube renovar-se. Temos que agir todos juntos por um concelho melhor. Os pontos que não são tão bons, teremos que trabalhá-los e canalizar esforços para levarmos tudo a bom rumo. Em minha opinião o concelho já encontrou o rumo certo.

Também houve renovação na lista que levou para a Comissão Política? São militantes que até aqui têm colaborado ou há muitas pessoas novas?
Tenho pessoas das três freguesias, porque considero importante. Há que aumentar o número de militantes noutras freguesias. Esta é uma lista composta por pessoas que têm dado tudo pelo PS. E o que queremos é que o PS seja um partido de união. Se calhar, se pudesse ter mais nomes na lista, poderia tê-los, porque felizmente o partido tem muito mais pessoas do que aquelas que compõem a Comissão Política. Queremos contar com todas. Nas listas costumo trabalhar até com os suplentes, pois não podemos colocá-los e depois, só por terem o estatuto de suplentes, já não os convidarmos. Quanto mais cabeças a pensar, melhor.

Havia alguma desunião na concelhia?
Não, nem por isso. As pessoas, com os votos, expressam se estão insatisfeitas. E nos partidos passa-se o mesmo. Devemos falar internamente e criarmos soluções.

Mencionou as reuniões temáticas para ouvir a sociedade civil. Serão descentralizadas ou obrigatoriamente na sede do PS Portimão?
Não. Se queremos abrir o partido à sociedade civil, se não queremos que pessoas que não são do partido sintam algum constrangimento em se deslocarem à nossa sede, é nosso dever arranjar soluções alternativas.

Quer captar jovens?
A ideia é captar os jovens e fazer com que as pessoas que não acreditam, passem a acreditar na política e nos políticos. Quero que acreditem em nós, pois somos pessoas como as outras, com defeitos e virtudes. No entanto se trabalharmos, todos em conjunto, será importante. Não podemos agradar a todos e a vida é mesmo assim. É por isso que há eleições. Com o voto têm oportunidade de dizer se querem esta política ou outra.

Como está a Juventude Socialista (JS) Portimão?
Temos também que revitalizar a JS. Viu-se que eles na campanha deram um contributo importante e, portanto, temos que puxar pelos jovens de Portimão e levá-los a acreditar na política e nos seus protagonistas.

A JS já é uma estrutura grande?
É difícil estarem sempre juntos. No Algarve, os jovens terminam a universidade, e nas férias de verão, vão quase sempre trabalhar. E é assim na JS como o é noutra instituição qualquer. Felizmente em Portimão há trabalho para todos. Torna-se difícil junta-los todos. Temos que arranjar mecanismos e inovar para que os jovens possam participar, muitas vezes, até sem estar presentes.

A nível de medidas concretas, o que tenciona fazer?
Portimão tem que ser visto como um todo. De vez em quando há tendência a comparar a nossa cidade a outras. Mas há especificidades próprias, como a centralidade. No verão, por exemplo, quando se diz que outra cidade está cheia de gente no seu miolo, pode ser verdade, mas, provavelmente, essa cidade apenas tem esse miolo, Portimão tem Alvor, tem a Praia da Rocha, tem depois o centro e a zona ribeirinha. Quando se diz que é urbana. É, mas não é completamente urbana, pois tem a Mexilhoeira Grande, o Rasmalho, o Porto de Lagos. Ou seja, zonas rurais. Por isso há que olhar para o concelho todo e adaptar à realidade concelhia às medidas. É uma pessoa virada para a questão social. Esta como tantas outras cidades teve problemas durante a crise.

O apoio social será uma das ideias principais?
O social sempre foi uma ideia do Partido Socialista. Aliás, a nossa presidente da Câmara Municipal, já no anterior mandato, avançou com uma das peça-chave, que foi dizer logo «Fome Zero em Portimão». Além disso, agora vai também investir na habitação social e na recuperação. O social sempre foi uma das bandeiras do PS e, com certeza, vamos continuar e melhorar o apoio social às famílias.

Como vê a oposição em Portimão?
Vejo-a sempre como um ponto em que devemos convergir nalgumas ideias. Não vejo a política pela política, nua e crua, sem debater os assuntos. Considero que alguns temas são transversais e não devemos votar contra, apenas por votar contra. Acho que a oposição em Portimão gosta muito de dizer mal só por dizer, embora, até nisso noto mudanças e espero que a oposição, futuramente, seja muito mais construtiva do que destrutiva. Falar mal qualquer um pode fazê-lo, esta cidade tem coisas muito boas e, obviamente, outras menos boas, temos é que fazer um esforço para as mudar e melhorar.

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