Marcelo em Monchique consolou mas pouco

Presidente da República veio a Monchique e Silves ver os prejuízos e confortar a população que não o poupou a uma chuva de críticas pela forma como o incêndio foi combatido.

Com a serra ainda a fumegar e o rescaldo incompleto, Marcelo Rebelo de Sousa deslocou-se a Monchique, na manhã de sábado, 11 de agosto, para agradecer a todos os envolvidos no combate ao incêndio florestal da semana passada. «Estes dias e estas noites foram muito longos, numa missão que ainda não terminou. E que no vosso caso não termina nunca, uma vez que a vossa vida é dedicada ao serviço dos outros, à comunidade que servem todos os dias. O que queria dizer-vos hoje é que todos os portugueses acompanharam de perto, ou de longe, estes dias mais difíceis das vossas vidas. E que pela minha boca vos agradecem, por aquilo que foi uma dedicação mais exigente, mais complexa, mais difícil, mais extenuante, nos últimos 10 dias. Nós não esquecemos o vosso papel. A gratidão está sempre presente. Mas como sabemos, estamos ainda longe de ter terminado esta época de verão», discursou o Presidente da República, junto ao Heliporto de Monchique.

Depois dos abraços e cumprimentos da praxe, alguns entremeados com olhares de tristeza e desilusão, muitos quiseram expressar revolta. «A minha opinião é que nós perdemos o concelho há 15 anos e agora voltamos a perdê-lo. Isso é que é um sucesso, senhor Presidente? Eu considero que foi uma derrota para toda a gente», disse um popular. «Tudo falhou. Com os meios que aqui estavam, o fogo não deveria ter passado dos 20 hectares», acrescentou outro monchiquense. Revoltado com o cenário dantesco que viveu ao redor do Alferce, José Marcos dos Santos, 79 anos, enfrentou, olhos nos olhos, o Presidente da República e o ministro da Administração Interna Eduardo Cabrita com fortes críticas às decisões da Proteção Civil. «Quiseram levar a população do Alferce para São Marcos da Serra. Às tantas morria tudo, como naquela serra no ano passado», disse.

Ouvido pelos jornalistas, o Presidente da República escusou-se a fazer comentários. «Esta batalha ainda não terminou. No final se fará o balanço, mas não neste momento». Marcelo considerou também que o tempo foi «limitado» para implementar algumas das lições mais importantes aprendidas no fogo de Pedrógão Grande. Uma das quais, é «como conjugar o papel da GNR com o dos bombeiros, do GIPS, e da Proteção Civil como um todo com as estruturas autárquicas». Antes de seguir para o concelho de Silves, Marcelo Rebelo de Sousa recebeu uma lembrança. Humberto Varela, produtor de aguardente de medronho, ofereceu uma garrafa ao chefe de Estado, para que este não se esqueça de lembrar ao governo que as vítimas deste fogo precisam de apoios para a reconstrução e compensação dos danos.

Categorias
Política


Relacionado com: