Luís Graça defende Algarve pioneiro na luta contra alterações climáticas

Líder da Federação algarvia acredita que a região pode ser uma mais valia para o país se for impulsionada a produção de energia renovável, sendo este um dos argumentos que apresentou a António Costa.

Um dos grande desafios lançados por Luís Graça, presidente da Federação do PS Algarve, durante a apresentação da recandidatura de António Costa, secretário-geral do partido, no dia 27 de abril, no Museu de Portimão, foi fazer do Algarve a linha da frente da defesa das alterações climáticas do país. Este é, aliás, um dos pilares da moção «Geração 20/30» que António Costa levará ao próximo Congresso Nacional do Partido, no final deste mês, na Batalha.

«Façamos do Algarve, desta frente de costa, a primeira linha de defesa das alterações climáticas do país. É por aqui que deve começar. É importante que em Lisboa se olhe para o Algarve como uma região que tem que ter políticas centradas neste novo fenómeno que veio para ficar», defendeu. Reconheceu, porém, que há investimento a acontecer da parte do governo, como é o caso dos 10 milhões de euros para dragagens e reposição de areias nas praias, estando previsto serem lançados mais concursos até ao final do ano com este objetivo. Também na questão da sustentabilidade, Luís Graça enalteceu que a região tem cerca de três por cento da energia renovável no país, eólica e solar, mas que a capacidade de produção é mais elevada.

Assinalou, ainda, que das «27 centrais fotovoltaicas que o governo de António Costa já licenciou nos últimos dois anos, dos 900 mega watts de produção de energia renovável que estão autorizados, quase metade é no Algarve», de onde se destaca Alcoutim. No entanto, alertou que esta é apenas uma pequena parte do que é possível ser feito, exemplificando que a região pode ser uma mais valia para o país na produção de renováveis, mas também para a Europa e para a África, através da ligação a Marrocos, promovendo um canal de distribuição da energia made in Algarve.

Mas não foi só este o repto lançado, por Luís Graça não se esqueceu de voltar a evidenciar aquelas que são as principais preocupações dos algarvios, como de resto já a socialista Isilda Gomes o tinha feito. Foi também um reforço daquilo que o novo presidente da Federação algarvia tinha dito aos militantes durante o Congresso Regional do partido em março. Não ficou de fora, assim, a importância da redução do valor das portagens na Via do Infante (A22), a criação da Região Administrativa do Algarve, a mobilidade e a saúde. Apontou, ainda assim, o caminho já percorrido na diminuição do desemprego, a criação de 30 mil postos de trabalho no Algarve que colocou oito mil pessoas, já caracterizadas como população inativa, de novo no mercado de trabalho e deu a um terço (10 mil jovens) a oportunidade de trabalhar em funções de acordo com o nível de ensino superior que frequentaram.

Referiu ainda o investimento em curso na mobilidade, como é exemplo a requalificação da Ponte Internacional do Guadiana, que está prestes a começar, mas também a intervenção para tapar os buracos da Estrada Nacional 125, entre Olhão e Vila Real de Santo António, que custa um milhão de euros, além do lançamento do concurso para a requalificação desta via, com um custo de 18 milhões. Finalizou com os 58 milhões para a eletrificação da via férrea, eixo central para a mobilidade dos algarvios, «que vai permitir que as pessoas de Portimão possam ir diretamente no alfa pendular para Lisboa sem transbordo em Tunes».

Líder do PS Algarve saudou investimento de 6 milhões no CHUA

Partilhou o apontar de baterias devido à saúde, onde reconhece existir um problema grave, mas ressalvou que, desde 2015, há na região mais 193 médicos e 119 enfermeiros, ainda que a produção esteja aquém de 2011. «É preciso um novo esforço para que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) no Algarve retome a pujança que tinha até 2011. A verdade é que a oferta privada na região aumentou exponencialmente e hoje não temos aqui um quadro de complementaridade, mas de competitividade em que o privado esmaga a oferta pública», admitiu. Ainda assim agradeceu a António Costa a disponibilização de seis milhões de euros para equipamento no Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA). «É exemplo o novo TAC de 64 cortes, topo de gama, que ficará instalado em Faro, mas também em Portimão», avançou. Destacou ainda o facto de António Costa ter priorizado a construção do novo hospital central do Algarve.

Costa não se livrou dos recados de Isilda Gomes

A militante Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão, garantiu ao secretário-geral do Partido Socialista (PS) o apoio dos algarvios na recandidatura, mas não deixou de fazer um alerta ao também primeiro-ministro. «O Algarve está mal na prestação de cuidados de saúde», começou por advertir a autarca, justificando que «até pode haver mais profissionais, mas a verdade é que as pessoas não o sentem». Tendo consciência que são necessárias verbas para melhorar, a socialista, que assumiu a melhoria da prestação destes cuidados de saúde como uma luta, defendeu que tem que ser levada a cabo uma «renovação em muitas áreas de forma a dar a resposta necessária» a residentes e turistas. Destacou, inclusive, que este tema é uma das maiores preocupações, admitindo que já só «queria o Hospital de Portimão como este estava em 2011».

«Recandidatura é um dever cívico»

O rol de aspetos positivos que o governo tem vindo a conquistar marcou o discurso de Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão e anfitriã da apresentação de António Costa como recandidato a secretário-geral do PS, naquela cidade, na sexta-feira, 27 de abril. «O poder de compra dos cidadãos foi restituído e, por isso, hoje vivem melhor e têm expetativas no futuro. Houve uma descida acentuada do desemprego, as contas públicas estão em ordem. Houve uma melhoria significativa dos resultados económicos. Há um reconhecimento do trabalho feito pelo governo no estrangeiro, há mais respeito pela política e políticos portugueses», enumerou Isilda Gomes. É por estas razões que a socialista argumentou que a «recandidatura deixou de ser uma opção e passou a ser um dever cívico». E não se esqueceu da descentralização como o grande processo que marcará esta legislatura. «Este ímpeto reformista que imprimiste vai marcar um novo ciclo, uma nova etapa naquilo que é o poder autárquico democrático. Primeiro porque é um aproximar as decisões dos cidadãos que servimos, depois porque é um ímpeto reformista e de humildade democrática», porque tem primado pelo diálogo. «Nesta área, António Costa tem 90 por cento da responsabilidade, pois se não fosse a tua vontade em levar por diante este projeto, certamente não estaríamos a discuti-lo, já na fase final, como estamos», justificou, renovando a confiança na capacidade de trabalho do líder do partido, na determinação, inteligência e prioridade que dá às pessoas.

Categorias
Política


Relacionado com: