Incêndios dominaram discurso de Passos Coelho no Pontal

«SIRESP tem a cara de António Costa» acusou o líder social-democrata durante a festa laranja em Quarteira, criticando ainda o PS por não aprender com «erros do passado».

As autárquicas até foram o tema com que o líder social-democrata Pedro Passos Coelho iniciou o discurso na Festa do Pontal, no Calçadão de Quarteira, no domingo, 13 de agosto. Na rentrée desta força política, a pouco mais de um mês das eleições que escolhem os autarcas de câmaras, assembleias municipais e de freguesia de todo o país, foram apresentados os cabeças-de-lista às Câmaras Municipais do Algarve.
Para o líder deste partido, no governo ou na oposição, o PSD é «capaz de mobilizar os melhores para prestar provas de que Portugal pode contar» com os militantes, «quando for tempo de se preparar o futuro».

«O PSD tem mais de 70 mil candidatos em todo o país. Somos um grande partido de implantação nacional e autárquica. De um modo geral, as autarquias lideradas pelo PSD estão à frente no modelo de desenvolvimento e crescimento, e somos úteis ao país. Este ano, temos de renovar os compromissos e votos de absoluta dedicação à comunidade e aos portugueses, com um projeto ao serviço deles», assegurou.

Após o pequeno aparte sobre as autárquicas que se aproximam, Pedro Passos Coelho não deixou passar a oportunidade de tocar nos temas da atualidade para lançar algumas farpas à principal oposição. Primeiro com os incêndios. Acusou o governo de «não aprender com os erros» e afirmou que «o SIRESP tem a cara de António Costa», primeiro-ministro socialista.

«Já muito tempo passou desde a tragédia de Pedrógão. Na altura, o PSD chamou a atenção para a necessidade de aprender com os erros e preparar o resto da época, para que as pessoas se tranquilizassem. Mas fizeram o contrário. Passam-se os meses e o país continua a arder. E a Proteção Civil, que existe como resposta necessária para que as pessoas possam ter maior segurança, continua a falhar. É patente a descoordenação, é impressionante como assistimos ao esforço dos operacionais e percebemos que perante um imprevisto aparece um passa-culpas», disse Pedro Passos Coelho.

«Neste último fim de semana, o primeiro-ministro usou uma entrevista para fazer uma acusação à PT, por causa das falhas do SIRESP. Mas ainda não há muito tempo, o primeiro-ministro dava outra entrevista em que desvalorizava as falhas que tinham ocorrido. Ora, o SIRESP foi aprovado por ele. Depois do Tribunal de Contas ter inviabilizado o contrato, António Costa resolveu adjudicar esta PPP sem concurso», disse aos militantes e simpatizantes.

Após os incêndios, atacou com o aumento extraordinário de pensões realizado em agosto, a pouco mais de um mês das autárquicas. A atual conduta do governo pauta-se por ser de «populismo, demagogia e disfarce, e é impressionante o que se tem vindo a passar», disse. «Se fosse qualquer outro governo a fazer isto, o que não andariam a dizer. Interessa pouco que uma parte desse aumento possa ser consumido pelo aumento das comissões da CGD, assim como pelos impostos indiretos que têm implementado. A realidade mostra uma coisa muito diferente da retórica do governo», acusou.

Pedro Passos Coelho salientou ainda os dados positivos que se têm vindo a registar no emprego, mas relembrou que o que é praticado é um modelo assente em baixos salários.

O líder finalizou o discurso, constatando que «passados dois anos, a vontade do governo mudar alguma coisa, que não seja por razões populistas ou demagógicas, ou está na gaveta ou não está nas suas intenções. Quem governa hoje, seja do lado do governo seja da geringonça, não tem um espírito reformista».

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