Executivo de Portimão rejeita críticas do PSD sobre orçamento

Comissão Política Concelhia acusa executivo de não ter apresentado propostas documentadas para o próximo orçamento camarário, mas o vereador Filipe Vital justifica que foram chamados todos os partidos para ouvir contributos.

A não apresentação de documentação acerca do orçamento camarário portimonense para 2019, durante uma reunião realizada, ao abrigo do estatuto do direito de oposição, na semana passada, levou a que a Comissão Política Concelhia do Partido Social Democrata (PSD) de Portimão criticasse a atuação do executivo.

Carlos Gouveia Martins, presidente da estrutura, e Manuel Valente, vereador eleito pelo PSD, reuniram com o executivo municipal representado por Castelão Rodrigues, vice-presidente, e Filipe Vital, vereador da autarquia, sobre as Grandes Opções do Plano e Orçamento de 2019 para o município de Portimão.

A falta de documentação entregue pelo executivo motivou as críticas da oposição, conforme explicou Carlos Gouveia Martins. «O PSD não passa cheques em branco a ninguém porque os portimonenses merecem outro tratamento e outro respeito», acusa.

Contactado pelo «barlavento» Filipe Vital, vereador socialista da Câmara Municipal de Portimão desvaloriza estas críticas, justificando que o estatuto de direito de oposição foi cumprido e que todas as questões levantadas foram esclarecidas.

«O que estranhamos é que o PSD tenha ido para uma reunião levando zero propostas», contrapõe. Filipe Vital explicou ainda que este estatuto de oposição não obriga a mostrar o orçamento, até porque ainda é um documento de trabalho que será apresentado na Câmara e Assembleia Municipal, sujeito a discussão e votação. Parece que «o PSD se conformou e se demitiu do seu papel como oposição. Não faz sentido dizer que só apresentam propostas se conhecerem o documento que o executivo vai apresentar no tempo e nos órgãos próprios. Se precisam de conhecer a nossa proposta para apresentarem as deles só posso concluir que não têm ideias próprias», especula o vereador.

Por sua vez, o social-democrata promete que irá «apresentar os pontos discutidos com o executivo porque essas, inevitavelmente, são matérias que foram ditas como integrantes do rumo que o executivo pretende apresentar para 2019».

Na reunião foram abordados temas como a mobilidade, a economia do mar ou o desporto, devido à proximidade da abertura da Cidade Europeia do Desporto de 2019, afirmou ainda o líder social-democrata. «É normal que quem está a trabalhar tenha várias propostas para apresentar nestes momentos e é esse o patamar em que o PSD está em Portimão. Temos várias áreas identificadas onde podemos contribuir», diz Carlos Gouveia Martins que questiona ainda o modelo de trabalho que o executivo socialista escolheu. É «discutível um executivo chamar a oposição sem apresentar nada, recorrendo-se a chavões como o constar no programa político do PS», critica.

Mais uma vez, Filipe Vital argumenta que, de facto, há três documentos chave para compor o orçamento de 2019. A autarquia está limitada no investimento devido às «condições do Fundo de Apoio Municipal» que também ainda transitam do orçamento de 2018, sendo que «há uma continuidade» e pelo «programa eleitoral do PS». O vereador acredita, portanto, que o «orçamento não será surpresa nenhuma». Filipe Vital destaca o facto de que todos os partidos foram chamados a uma reunião similar para que o executivo pudesse ouvir os contributos de cada um.

No entanto, o PSD reforça «que estas reuniões poderiam ter ido mais longe se essa fosse a vontade do executivo socialista». Isto porque, Carlos Gouveia Martins admite que o estatuto foi cumprido «mas é curto um executivo camarário estar de braços cruzados num momento em que deveria assumir o seu papel e trabalhar com autarcas que também representam a escolha de muitos concidadãos. Não devia ser preciso serem obrigados, não deviam ter medo de ir mais além e apresentar um rumo político para o concelho trabalhando em conjunto, ouvindo discordâncias e contributos». Filipe Vital contrapõe que para ouvir «discordâncias e receber contributos é preciso que alguém discorde e apresente contributos que foi exatamente o que o PSD não fez».

Já o vereador social-democrata Manuel Valente afirma que «o PSD contribui no quotidiano para a procura de soluções para o município, sendo que a recolha de contributos para o orçamento junto das restantes força políticas, pela sua importância, merecia outro enquadramento».

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