Coligação Servir + Portimão quer amortizar FAM e captar investimento

Cinco cabeças-de-lista apresentaram as linhas gerais das candidaturas a um auditório cheio, onde defenderam que este não é um projeto que se baseia na «soma aritmética de dois partidos».

A coligação Servir + Portimão apresentou no sábado, 22 de julho, no auditório do Teatro Municipal, os cabeças-de-lista aos vários órgãos autárquicos do concelho. Assim, José Pedro Caçorino, vereador do Servir Portimão e líder do CDS-PP do Algarve, concorre à Câmara Municipal, enquanto o lugar de primeiro candidato à Assembleia Municipal fica destinado ao jovem líder da JSD do Algarve, o portimonense Carlos Gouveia Martins. Às Assembleias de Freguesia concorrem Vera Pereira (Alvor), Raquel Boto (Mexilhoeira Grande) e Sara Rosado (Portimão). O mandatário da coligação será o social-democrata Carlos Martins, que chegou a disputar no passado três eleições à presidência da Câmara Municipal de Portimão.

Durante a apresentação da candidatura, o líder do movimento independente, que agora integra também o Partido Social Democrata (PSD), desmistificou o que tem vindo a ser dito na praça pública, caso ainda houvesse dúvidas na audiência. «Esta não é uma candidatura da soma aritmética de dois partidos. É e será uma plataforma de exercício de cidadania, cada vez mais ampla e abrangente. Todos aqueles que, por qualquer motivo, não se revêm na forma como o nosso município tem sido gerido vão encontrar um espaço de intervenção» onde podem ser ter uma voz livre, afirmou José Pedro Caçorino, no sábado. Por isso, justificou, este é um projeto aberto a ideias e contributos de quem nele quiser participar.

«É preciso que fique claro que esta união com o PSD não é um mero arranjo de circunstância motivado por um interesse eleitoral. É uma consequência lógica de uma forma comum de olhar os problemas da nossa terra e perspetivar as soluções que queremos para o nosso futuro. O verdadeiro PSD, as pessoas que acreditam numa visão social-democrata para a nossa sociedade, têm os mesmas preocupações anseios e sonhos que nós. E esses estão todos aqui connosco», assegurou o atual vereador do Servir Portimão.

Confiante na vitória, Caçorino afiançou ainda que a meta «são os quatro anos que se seguem, porque vamos ganhar estas eleições e demonstrar que é possível fazer mais e melhor pela nossa terra».
A candidatura assume-se como uma alternativa ao poder no concelho, sendo que Caçorino diz que este movimento tem sido e continuar a ser «a única voz ativa e coerente da forma de governar os destinos do concelho. Assumimos a liderança da oposição ao Partido Socialista, marcando de forma firme uma discordância política aos tão prometidos novos rumos. Propusemos caminhos alternativos. Foi assim aquando da cobrança da Taxa Municipal da Proteção Civil, como foi no momento do chumbo do PAEL, das obras que não apareciam na Fortaleza de Santa Catarina, no Parque da Juventude ou na Gare Rodoviária», enumerou.
As listas que agora lidera querem conquistar o pleno direito em prol da população «de viver e trabalhar num concelho melhor, mais plural e aberto».

Houve ainda tempo para lançar algumas farpas à gestão socialista de Isilda Gomes, em particular no que toca à questão da internalização de funcionários na EMARP e Câmara Municipal, que antes trabalhavam na Portimão Urbis, denunciando que há salários desiguais entre trabalhadores com iguais funções. Caçorino afirmou ainda que um «dos principais problemas que Portimão tem pela frente é o empréstimo do FAM. Se não conseguirmos amortizar este financiamento o mais cedo possível, ficaremos todos sujeitos ao verdadeiro garrote financeiro durante os próximos 25 anos, pagando impostos ao nível máximo». Por isso, uma das medidas que a Câmara Municipal deverá tomar é «privilegiar, durante o próximo mandato, a tomada de ações decisivas que permitam num horizonte temporal muito curto reduzir substancialmente essa dívida. E passam pela redução da despesa primária daquela autarquia, reavaliação e reorganização do património», quer através da venda, arrendamento ou concessão.

Após esse passo, defendeu, será possível recuperar autonomia fiscal, reduzir impostos à população e empresas, recuperar a capacidade de investimento. Neste último ponto, Caçorino acredita que deve ser seguida uma política ativa de «captação de investimento que crie riqueza e emprego». Neste caso, um dos objetivos é implementar mecanismos administrativos céleres que permitam facilidade e rapidez no tratamento dos processos, em particular dos empresários, que querem investir.

O porto de Portimão e a sua rentabilização é outra das metas. Disse ser necessário criar um gabinete de turismo e uma estrutura que trabalhe de forma a fixar os turistas que chegam à cidade. Ainda durante a apresentação, o jovem candidato à Assembleia Municipal de Portimão Carlos Gouveia Martins afirmou que Portimão é uma «cidade rica em história mas, que hoje é ferida de orgulho. Uma cidade que deu Presidentes de República, deputados e secretários de Estado, que em troca tem o privilégio de receber gente de todos os continentes. Um concelho que tem tudo e que, por isso, tem de ser de todos e com todos. Hoje, sinto que quero devolver muito do que Portimão já me deu», destacou Carlos Gouveia Martins.

«Esta lista tem gente do PSD, gente do CDS, do MPT, do PPM, independentes, gente que já votou noutros partidos, gente que nunca votou, gente com histórias diferentes. Gente que aqui nasceu, em Portimão, em Alvor e na Mexilhoeira Grande, mas também que o destino para cá trouxe». «A ideia de que os presidentes de Assembleia Municipal não têm poder, não intervêm e não executam, que apenas figuram protocolarmente é, e comigo será, muito errada», assegurou o jovem que quer ser «a voz dos portimonenses na procura de mais e melhor democracia participativa».

O objetivo é criar uma Assembleia Municipal que «aponte horizontes de esperança, que desenhe com todos, eleitos e eleitores, estratégias de desenvolvimento», que promova o debate político, que debata o concelho em todas as freguesias e que não seja estática. «E, por isso, vamos todos ter uma Assembleia Municipal que referende ideias, que consulte as pessoas sobre as políticas estratégicas do executivo», acrescentou.
O mandatário Carlos Martins, portimonense e histórico do PSD na região, destacou a «oportunidade de estar como mandatário desta coligação, ter a honra de também servir a coligação e dar um contributo de cidadania ao longo dos próximos quatro anos naquilo que ao alcance».

Enalteceu «o facto de quatro partidos se terem unido, terem envolvido um conjunto de cidadãos independentes, num projeto alternativo a 41 anos de gestão exclusiva do Partido Socialista», mostrando-se ainda satisfeito por, «enquanto portimonense, ver concidadãos com princípios e valores, que acreditam que é possível fazer mais e melhor e sobretudo diferente». Por último, evidenciou a credibilidade dos cinco candidatos que têm vindo a trabalhar no seu percurso em prol das populações.

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