Ser a alternativa sem fazer de conta nas contas de cada portimonense

Estar na política mudou. Já não se vive com a mobilização de 1974 nem se dá a atenção a quem está na política com noutrora se deu a Mário Soares ou a Francisco Sá Carneiro. Também já não vivemos na década de 1980 com os exemplos de Margaret Thatcher nas terras da Rainha Isabel II ou de Ronald Reagan do lado de lá do Oceano Atlântico. Mudou e irá continuar a mudar sempre. A evolução não é sinónimo de algo negativo.
Com o afastamento crescente de muitos dos nossos eleitores do foco de decisão política, com as novas gerações a nascerem já sem prestar atenção ao que é a discussão de um orçamento do seu município porque os seus pais já são da primeira geração que «não queria saber dessas coisas», é extremamente útil que seja cada vez mais cada um dos eleitos a dar o exemplo. E os partidos políticos também. Seja quem democraticamente venceu ou quem foi escolhido para fazer oposição e apresentar alternativas, todos contam.
O comummente tido como «óbvio» aponta maior responsabilidade no executivo de cada Câmara Municipal, mas na política de hoje esses já não chegam e, pessoalmente, prefiro focar-me em todos os outros. Porquê o foco na oposição? Quem está no poder já é, pela lei, obrigado a demonstrar o que diz na sua calculadora, parte do que vê num Excel e muita da sua futurologia e convicção ideológica.
A oposição habituou-se a ficar pela reação. Esperam pelo que vem nas muitas páginas de cada orçamento e das Grandes Opções do Plano (GOP) de cada município e, ano após ano, muitas vezes sem pestanejar, automaticamente colocam-se numa redoma com aspeto a «Monte Olimpo». É daí que reagem sem qualquer ação própria. É certo que no alto dos seus psicológicos 2917 metros de altura, da morada dos 12 deuses da mitologia grega, podem sentir-se mentalmente com uma certa superioridade intelectual mas, e apenas isso, ficam acomodados e cada vez mais distantes do mundo real. A política de proximidade faz-se sem barreiras psicológicas de quaisquer 2917 metros de sobranceria, quando se apresentam alternativas na discussão de cada orçamento ou das GOP.
Foi isso que fizemos no PSD, apresentámos trabalho.
Em Portimão podemos não vislumbrar uma estratégia para 5, 10 ou 20 anos por parte de quem lidera os destinos do município. Podemos assentir que não há uma aposta clara entre um ou vários setores de desenvolvimento económico e social que sirva de linha condutora à atuação do PS no segundo mais importante concelho da região algarvia. É certo que podemos e temos o direito de discordar mas ainda é mais evidente que temos a obrigação, aí reforçada, de contribuir com alternativas e trabalho.
Não interessa se outros preferiram o silêncio das ideias ou estão a guardar decibéis de rejeição de forma «lapalissada» de qualquer oposição desta vida.
O PSD decidiu contribuir. Quer do ponto de vista estrutural e estratégico, ao invés do que é palpável no que o executivo PS escreveu em cada linha do seu programa para 2019, quer do ponto de vista do efeito imediato.
Apontámos caminhos alternativos ao inexistente plano de mobilidade integrado no concelho de Portimão assim como olhámos de forma clara para a potenciação da economia do mar e da histórica e cultural classe piscatória portimonense. E não desistimos da necessidade urgente de uma estratégia de Habitação a custo controlado e o trabalho conjunto que aplique propostas de incentivo à Habitação Jovem que tragam maior fixação de jovens portimonenses.
Continuando a apoiá-los, não esquecemos que é fundamental redobrar esforços na meritocracia. Quisemos que fosse ponderado pelo executivo a criação de duas bolsas de mérito para os melhores estudantes do município: uma no desporto e outra na cultura.
Mas há problemáticas que afetam o dia-a-dia do município em que também quisemos contribuir. Não sendo determinantes na estratégia a longo prazo, há questões em que todos devemos nos envolver para resolver já em 2019 os dias menos bons de muitos munícipes. Foi isso que sentimos e ouvimos na rua, junto das pessoas, e que depois estudámos com especialistas de cada área para chegar às propostas e ideias que demos como contributo.
Se para o PSD estes 20 contributos e as áreas estratégicas apontadas a longo prazo chegam ou são um conjunto suficiente? Sabemos que não. Mas são um contributo sério, plausível e cujo teor foi discutido para além de qualquer espaço fechado ou estrutura política. Foi feito com muitos portimonenses e para todos os portimonenses.
Só assim podemos envolver as gerações que hoje não acreditam e devolver a esperança às gerações anteriores que deixaram de acreditar no poder local: deixando de fazer de conta e contribuindo com as contas de todos, seja para um Orçamento, para as Grandes Opções do Plano de um município ou através da melhoria dos acessos a uma simples zona da freguesia mais distante da sede do nosso concelho. Todos contam.

Categorias
Opinião


Relacionado com: