«Sê a mudança que queres ver no mundo»

A citação de Mahatma Gandhi deu o mote para V Congresso do PAN, uma visão integrada dos diferentes ecossistemas: sejam eles sociais, ecológicos, culturais ou económicos. Sabemos que a defesa e proteção da nossa Casa Comum passa por políticas ambientais que promovam tanto a sustentabilidade como a prosperidade do planeta. Enquanto cidadãos de uma sociedade que queremos mais compassiva, empática e justa, continuaremos a defender, até à exaustão, a proteção e o bem-estar animal. Portugal passou a consagrar na Lei que os animais são seres vivos dotados de sensibilidade e objeto de proteção jurídica.

Uma alteração que representa um marco histórico e de elevação do país enquanto nação, ao assumir que os animais não são coisas. Com apenas um deputado, isto deveu-se também ao acompanhamento de outros partidos políticos e à disponibilidade do governo para escutar. Não fazemos a política do tudo ou nada. Construímos pontes, estabelecemos compromissos, assumimos responsabilidades. A nível local, reconhecemos e congratulámos o município de Monchique e o seu presidente, Rui André, pelas boas práticas ao nível do bem-estar animal e pela implementação de uma opção vegetariana nas escolas.  

Reunimos também com a Câmara Municipal de Loulé, a convite do presidente Vítor Aleixo, que demonstrou genuína vontade em nos ouvir e de trabalhar em conjunto, em várias áreas de atuação. Com o SEPNA tentámos perceber quais os constrangimentos na aplicação da lei, que pouco ou nada defende outros animais que não os de companhia. No caso dos cavalos: onde os colocar em caso de retirada do seu detentor? Foi uma das várias preocupações que levámos à Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), que está a estudar a construção de dois canis. Apelámos à necessidade da criação de zonas específicas para receber os equinos. Que sejam espaços de bem-estar, mais além das normas sanitárias recomendadas pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV). Que sejam locais mais próximos das populações e das associações de proteção animal, que irão continuar a desempenhar um papel de extraordinária e meritória importância a vários níveis, quer nas campanhas de sensibilização e adoção, quer nos programas de Captura, Esterilização e Devolução (CED) previstos na nova lei. O papel da AMAL na luta contra a exploração de petróleo e gás em Portugal, unindo os 16 municípios do Algarve, independente das cores políticas, é também um sinal positivo. Da nossa parte, continuaremos este percurso de informar, sensibilizar, consciencializar e oferecer outras leituras críticas. E esta nova realidade está já em curso. E cada um de nós é, pode e deve ser um agente ativo desta mudança.

Opinião de Paulo Baptista | PAN Algarve

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