Saída

Nigel Farage líder da UKIP durante a campanha para o referendo que decidiu o Brexit.

Se os britânicos virão a lucrar ou a perder com a saída da União, assim dita, Europeia, matéria sobre a qual não tem faltado especulação, o futuro o revelará, ainda que nesse futuro se possa vir a reconhecer que poderão ter ganho numas coisas e perdido noutras, dado a vida ter deixado de ser observada a preto e branco (ou assim deveria ser) desde que foi descoberta a fotografia a cores. Uma coisa, contudo, haverá, desde já, a registar: tendo eles, maioritariamente, votado pela saída, democraticamente a sua vontade foi respeitada, rejeitando-se uma pseudo democracia ou democracia viciada, promovendo, como muitos, aparentemente, gostariam de ver, sucessivos referendos, se necessário com toda uma série de chantagens pelo meio, até que o voto em sentido contrário vingasse, lembrando uma Irlanda em 2008/09, quando se tornou necessária uma alteração constitucional neste país permitindo ratificar o Tratado de Lisboa. Há auto proclamados democratas com gostos assim.

Entretanto, se a UE lamentará a decisão tomada pelos britânicos, de si própria, antes demais, se deverá queixar, enquanto um projeto, não nascido da vontade/participação dos diferentes povos do continente europeu, construído de baixo para cima, mas concebido e imposto de cima para baixo pelas designadas elites, em especial filhas de um Goldman Sachs, de forma burocrática e, não raro, arrogante e acintosa (que o digam, em especial, os povos do sul, com respeito a um Shauble ou Jeroen Dijsselbloem). Um projeto, não promovido com base em valores que lhe dessem solidez, servindo os cidadãos, mas virado para os bancos, quais novos «bezerros de ouro», tendo como «isco» o «dinheiro» dos fundos comunitários e do crédito fácil, com todas as consequências que hoje estão à vista. Ora, para um projeto assim concebido, só estranhará que, a manter-se, outros povos não acabem, também, por se querer ver livre dele, à medida que forem descobrindo o «engodo» em que terão caído.

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