Petição em defesa do que resta do património arquitetónico de Faro

Um grupo de cidadãos, entre os quais me incluo, acaba de lançar a petição pública «Não à destruição do que resta do património arquitetónico de Faro». Este abaixo-assinado, aberto a qualquer pessoa interessada, surge na sequência da demolição de parte de um quarteirão na zona nobre da cidade da capital algarvia, e também, por se verificar um conjunto alargado de descaracterizações a afetarem cada vez mais casas da zona histórica, as quais, em princípio, se suporiam protegidas de semelhante destino. Assim, damos início a um processo de denúncia e de contestação a estes inaceitáveis acontecimentos, numa altura em que o reconhecimento da importância dos valores ligados ao património, à cultura e à memória são por demais enaltecidos no continente europeu.

A cidade de Faro, que sofreu nas últimas décadas gravíssimos atentados à identidade, não se pode dar ao luxo de prosseguir a aberrante política urbanística de demolir património para o substituir por prédios «caixote» desproporcionados, procedimento de tão má memória e que tão negativamente tem afetado a qualidade de vida dos algarvios, um pouco por toda a região. Por outro lado, há que identificar e combater um fenómeno que é recente, mas cujo potencial descaracterizador é imenso: as obras de reabilitação e conservação que estão a ser feitas em grande quantidade nas zonas históricas, mas, infelizmente, à revelia total dos valores históricos, arquitetónicos e identitários que caracterizam o edificado originário dessas zonas.

Esta prática, que é transversal ao território nacional (e não só), pode acabar, em pouco tempo, com a autenticidade dos cascos urbanos tradicionais tornando-os num amontoado de pastiches e de casas sem alma e sem memória. A petição, que é dirigida aos presidentes da Câmara Municipal de Faro e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, e à atual diretora da Direção Regional de Cultura, é uma assunção do poder da cidadania, um dos pilares fulcrais da democracia do século XXI, e que, de uma vez por todas, tem que ser tomado muito a sério pelas autoridades, sobretudo as que dependem dos nossos votos!

O tempo em que a população era amorfa e indiferente e não contestava as políticas urbanísticas e de ordenamento das cidades já faz parte do passado. As autarquias têm que compreender que aprovar mais atentados urbanísticos em nome de um pretenso desenvolvimento ou equilíbrio das contas é anacrónico e inaceitável.

Os cidadãos de Faro pretendem com esta petição dizer um claro BASTA à especulação imobiliária e ao desrespeito pela arquitetura, história e identidade da nossa cidade. Oxalá outras cidades algarvias tomem e sigam este exemplo.

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