Outros défices

Havendo tanta preocupação com o défice das contas públicas, aparentemente não existirá preocupação idêntica com o défice democrático registado em muitos domínios da nossa vivência coletiva, como o ver-se, por força da abstenção, candidatos a um qualquer lugar serem eleitos com votos minoritários do respetivo eleitorado (atente-se no ocorrido, recentemente, no domínio das eleições autárquicas).

Ainda que neste caso, em particular, se possa argumentar que as pessoas se não votam, é porque não querem (embora fosse interessante saber das razões desse não querer), sempre se dirá que outras situações haverá em que as coisas não se passarão, exatamente, da mesma maneira.

Por exemplo, este modesto escriba para poder exercer a sua atividade profissional tem de estar, obrigatoriamente, inscrito na Ordem dos Advogados (OA), não menos, obrigatoriamente, tendo de pagar, em igualdade de circunstâncias com os demais, uma quota mensal para a sua sustentação.

Todavia, se quiser participar em muitos e fundamentais domínios da vida da mesma, terá, para o efeito, de se deslocar às respetivas assembleias gerais que decorrem em Lisboa, suportando do seu bolso as despesas inerentes a essa deslocação (imagine-se, então, para quem exerce na Madeira ou nos Açores!).

Em suma, os destinos da OA acabam, em larga medida, por ser decididos por uma minoria que, exercendo na zona de Lisboa, não tem os constrangimentos atrás referidos de quem longe da capital exerce!

Mas o que se passa com a OA, passa-se com outras associações de índole variada.

Não será tempo, pois, de se refletir, também, sobre estes outros tipos de défices, explorando, nomeadamente, caminhos abertos pelas novas tecnologias, tal como permitirem transmissões e votações online?

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