Os bastidores de uma exposição ou uma ode ao trabalho invisível!

Parece tão simples, são umas peças numas vitrinas, ouvimos muitas vezes dizer! Dizemos que o ónus desta frase dita e redita é nosso, dos profissionais de museus, que poucas vezes (ainda) levantamos o véu de como se faz uma exposição, desde a ideia ao conceito, à equipa e às várias fases da conceptual à de produção e montagem. É essa cadeia de trabalho que conduz à exposição que queremos partilhar convosco, os números de «Loulé – Territórios, Memórias e Identidades», a inaugurar no mês de junho no Museu Nacional de Arqueologia, dão uma ideia desse trabalho invisível: 15 meses de preparação, 5 comissários científicos e 7 executivos, 40 autores de artigos e fichas para catálogo, 1200 bens culturais inventariados, 504 selecionados e 166 restaurados, 154 sítios arqueológicos referenciados, 32 novos sítios inseridos na Base de Dados da Arqueologia portuguesa «Endovélico» (Portal do Arqueólogo), 11 instituições cederam bens culturais, 54 técnicos envolvidos.

E quando começou o caminho? A 30 de maio de 2015 na inauguração da exposição «Quem nos escreve desde a Serra?» e da instalação da artista Ângela Menezes, na entrada do Museu Nacional de Arqueologia, na Praça do Império. Nesse momento o sonho começou a desenhar-se! Primeiro de forma técnica, verificando impacto, hipóteses, conhecimento, até que o projeto estava pronto para ser apresentado às tutelas e a 8 de março de 2016 é assinado no Museu Nacional de Arqueologia o protocolo entre a Câmara Municipal de Loulé e a Direção Geral de Património Cultural, por Vítor Aleixo e Paula Araújo da Silva.

Uma exposição, um território, duas equipas – Museu Nacional de Arqueologia e Museu Municipal de Loulé – que se fundiram numa equipa de ação. E têm sido meses de intenso trabalho, que começou pelo convite aos comissários científicos, aqueles a quem coube sintetizar o conhecimento e contar a história, Victor S. Gonçalves, Amilcar Guerra, Catarina Viegas, Helena Catarino e Luís Filipe Oliveira. Foram meses de releitura do conhecimento produzido, de relocalização de sítios arqueológicos, de revisitar os materiais para selecioná-los e verificar os que necessitavam de restauro, de convidar investigadores a escrever para o catálogo. De atualizar inventários de material e de sítios, de contactar instituições para empréstimo de materiais, de produzir a história a contar na exposição – textos de parede, tabelas e conteúdos de LCDs. De voltar ao território e aos doadores e cuidadores do nosso Património Cultural para conversar com eles e registar os seus sorrisos, a sua entrega e amor pela terra.

Investigadores, arqueólogos, historiadores, museólogos, arquitetos, designers, fotógrafos, editores, especialistas em acessibilidade, conservadores restauradores, especialistas em informática, técnicos de serviço educativo, assessores na área da comunicação, tradutores, economistas, assistentes técnicos e de museografia, carpinteiros, serralheiros, eletricistas, pintores… todos juntos fizeram nascer a exposição e a história que contamos em «Loulé – Territórios, Memórias e Identidades». É o resultado de todo este trabalho que em breve será publicamente partilhado.

Artigo por Dália Paulo e António Carvalho. Fotografia de Pedro Barros.

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