(O)posição política

A antiga postura cliché de que, sendo oposição, devemos opor-nos a tudo porque «sim», dizendo mal de tudo e todos já não é eficaz. Já nem o maior extremista ou aquele que mais cético da vida política se assume, confia nesse tipo de oposição.

Já não são só aqueles que ocupam cargos políticos que acham que se deve ser uma oposição seletiva. A população também quer novas formas de se estar na causa pública.

Quando um partido político da oposição se torna capaz de elogiar o que é bem feito, seguramente será melhor acolhido e mais ouvido na hora de fazer críticas e de discordar de quem governa. E, atenção, que parto do pressuposto de que a crítica só é válida quando fundamentada, quando é pertinente e quando conseguimos apontar outro caminho ou outro rumo distinto daqueles que governam.

É preciso credibilidade. De quem governa e também de quem está na oposição. Criticar por criticar, atacar desmesuradamente um qualquer executivo a todo o custo e sem razão de ser, não só é inútil como desacredita quem critica.

Para os que o fazem, e não são poucos, o resto da história é simples: já ninguém os ouve, nem a população nem sequer quem os governa. Deixam de os ouvir porque já se sabe o que vai ser dito. Vai ser o «atacar por atacar». Vale pouco para quem é sério.

Outra coisa que também não entusiasma a quem é entusiasta da participação cívica, da vida política propriamente dita, é o estilo agressivo da maior parte de quem faz oposição. O tom de voz elevadíssimo, o falar por cima de quem do outro lado intervém, o riso maléfico com pretexto de diminuir quem de outra bancada expõe uma ideia, os abanares de cabeça desprovidos de qualquer fundamento… valem o quê? Nada. Isto só repele o interesse de todo aquele que gosta de elevação.

Intervir de forma cordata, sem ter necessidade de manifestar alguma inquietação nervosa com decibéis elevados ou figuras menos dignas, até pode ser muito mais assertivo e incisivo na ação política.

Ainda está para nascer aquele que me irá conseguir fazer entender o porquê dos berros que se ouvem nas Assembleias Municipais ou até, numa escala dita «superior» da democracia (mas seguramente menos próxima dos portugueses), nos plenários da Assembleia da República. Para quê aquelas figuras?

Numa altura é que é consensual assumir-se a abstenção como maior força «política», será dessa forma que os agentes políticos pensam conseguir recaptar a atenção dos eleitores?
Quem dá o exemplo?

Não será melhor se as pessoas discutirem civilizadamente? Se for possível expor e contrapor opiniões de forma elucidativa para quem ouve e vê? Não vejo que a cordialidade em política seja um defeito e continuo a acreditar que pode ser um trunfo para quem quer marcar posição política credível.

Em Portimão, com agrado, registo o estilo novo que o PSD trouxe a debate no município desde outubro. A moderação e a serenidade com que temos atuado permitem distinguir o PSD dentro da oposição e, inclusive, do executivo socialista. De forma clara e eficaz. Umas vezes favoravelmente e outras não, mas sempre justificando de forma credível as diferentes posições perante executivo ou demais oposição.

Ter um posicionamento próprio não é falta alguma de respeito por todas as bancadas e forças políticas, mas sim uma clarificação de um caminho agregador distinto – neste caso – do executivo socialista.

Mais do que o propósito de medir soundbytes para liderar uma oposição, em política quer-se foco que lidere o conjunto de posições políticas em prol dos eleitores. Em Portimão, também é isso. Queremos, de forma positiva e fresca, liderar a posição política pública dominante no concelho. Sem ser contra quem quer que seja, mas sempre a favor da maioria dos portimonenses.

Em matérias políticas que o trabalho e estudo justifiquem votar favoravelmente ao lado do executivo, votaremos. Quando, mesmo que tenhamos de ser uma única força política a ter dúvidas, sozinhos, não teremos desdém de votar contra o executivo em que matéria for. Sempre sob o pretexto de justificar os porquês das nossas certezas e das dúvidas que colocarmos.

O nosso foco é a (o)posição política que se melhor enquadre para quem (ainda) confia na classe política, neste caso, em Portimão.

Só assim, desta forma serena e cordata, consciente e preparada, é que faremos todos os possíveis para captar quem quer uma política diferente.

Carlos Gouveia Martins | Presidente do PSD/Portimão

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