Mão-de-obra importada: o Turismo sai a ganhar?

Um tema que escapa aos olhos dos cidadãos é o da forma de vida de muitos dos trabalhadores importados. Todos sabemos que há falta de mão-de-obra no Algarve, em...

Um tema que escapa aos olhos dos cidadãos é o da forma de vida de muitos dos trabalhadores importados. Todos sabemos que há falta de mão-de-obra no Algarve, em particular no sector do Turismo (os outros, como o da construção estão em pausa financeira e o da agricultura vai-se desenrascando) e esta situação trouxe-nos, nos últimos anos, curiosamente em paralelo com a crise económica e financeira do país decretada após a queda de Sócrates, uma onda de novos imigrantes, não oriundos de Leste ou do Brasil, mas de países de gente tão pobre como os outros, com laços culturais ligados à língua inglesa (uma mais-valia para os empregadores algarvios) e muitos hábitos de sobrevivência em condições deploráveis, o que facilita qualquer pressão social reivindicativa junto de patrões e autoridades receptoras.

No arranque da estação turística, logo em março, vêm-se bandos errantes de formigas obreiras de características e cores asiáticas, que chegam por mãos que desconhecemos e batem todas as portas na ânsia do emprego eldorado. Virão por experiências e chamadas dos pioneiros e como as fragilidades que encontram na sobrevivência dos primeiros tempos não diferem das que conhecem, ainda não são um problema visível. Vêm para trabalhar e trabalho não falta. Pode é faltar a humanidade de executivos camarários, Segurança Social e outras entidades que pululam nos dinheiros públicos e têm, a primeira como missão gerir o território e o bem-estar das pessoas, e como segunda, acudir às suas necessidades. Mas todas vivem em abstração. Não incompreensão!

Como emprego sazonal não falta e dinheiro trazem muito pouco, a adaptação é prolongada e dolorosa, acabando por se amontoar em apartamentos de renda anual, estes definidos para um nível de habitabilidade que é ultrapassada, criando problemas de convivência, custos, salubridade e higiene pública.

As mãos amigas que os recebem e têm os mesmos hábitos aguentam, orientam, mas, a pressão da cultura local vai mexendo com as cabeças pelo grau de sucesso de cada um. Chegam a estar duas famílias num apartamento, ou um amontoado de indivíduos em promiscuidade higiénica.

Na rua, o lixo de casa até pode ser abandonado numa qualquer porta… como o pedido do cardápio volta a ser apontado com o dedo… e os odores corporais acompanham o serviço.

Para os empregadores necessitados, estes problemas são relevados. O desconhecimento da língua e da cultura portuguesa não os preocupa, dada a grande base de visitantes dominar o inglês. As sociedades locais registam os pequenos conflitos, sem perceber o essencial e os que têm responsabilidades públicas fingem que nada se passa, deixando estas comunidades geridas por si próprias, muitas das vezes fiados na mansidão das suas religiões hindu ou muçulmana, que se habituaram à dor e às ordens. Até àquele dia e aquele problema de impacto público!

Aos milhares vão chegando e como habitação e preocupação social não existe, nem sequer para os de nacionalidade portuguesa, tal como formação pessoal ou profissional não é exigida, o recurso segue feliz e contente.

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