Isolacionismo Económico 2.0

O reforço das relações bilaterais entre o Reino Unido e os Estados Unidos da Europa não é casual. Ambos partilham das mesmas convicções políticas em relação à migração e à economia, adotando sobre tais matérias um modelo único: o isolacionismo. Por um lado, Donald Trump defende uma América fechada em si mesma, erguida sobre muros físicos e ideológicos, uma tendência oposta a qualquer modelo de cooperação económica.

Nesse sentido, o Presidente norte-americano suspendeu já o acordo comercial transatlântico (Transatlantic Trade and Investment Partnership) e prometeu renegociar a posição dos Estados Unidos da América no quadro do do North American Free Trade Agreement (NAFTA).

Por outro lado, Theresa May procura no parlamento britânico um voto positivo para a retirada em definitivo do Reino Unido da União Europeia, desvinculando-se desta forma à livre circulação de bens, pessoas e serviços, que caracteriza o mercado único europeu.

Prosseguindo um modelo isolacionista enquanto medida de todas as coisas, Trump e May ignoram os efeitos contraproducentes dos nacionalismos exacerbados e das políticas económicas protecionistas.

É consabido que os modelos isolacionistas conduzem à retração económica e à perda de competitividade nos mercados internacionais. A criação de vários blocos económicos, como a NAFTA, o Mercado Común del Sur (Mercasul), a União Europeia, o Southern African Development Community (SADC), o Gulf Cooperation Council (GCC), a South Asian Association for Regional Cooperation (SAARC), e a Association of South East Asian Nations (ASEAN), entre muitos outros exemplos, visou ultrapassar as dificuldades que se opõem às economias nacionais, individualmente consideradas.

Ao retirar-se da União Europeia, o Reino Unido apresentar-se-á ao mercado económico mundial como um player isolado, cuja força negocial terá de rivalizar com o mercado único europeu, em média, dez vezes superior à sua economia. Em termos macroeconómicos, o «Brexit» terá como consequência imediata, um abaixamento da curva de possibilidade de produção, que nem mesmo um eventual acordo com os Estados Unidos da América permitirá sanar. Com efeito, aquilo a que Donald Trump e Theresa May pautam de liberdade económica e negocial, será em rigor, uma grande fragilidade e risco para as suas economias, transferindo para os mercados internacionais uma parte substancial do poder e peso negociais.

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