Humanidade, que amanhã?

Quando olhamos para a História da Humanidade e constatamos as guerras, as epidemias, as fomes, entre tantos outros flagelos, que sempre, em maior ou menor grau, a marcaram, e esta a tudo sobreviveu, poderemos ser tentados a concluir, de forma otimista, face aos múltiplos problemas com que hoje nos possamos, também, confrontar, que estes mesmos problemas, igualmente, acabarão por ser ultrapassados e melhores dias virão, bastando deixar correr o tempo… De resto, a esperança, conforme nos ensinaram, deverá ser a última coisa a morrer.

Sucederá, porém, que nesta equação de sobrevivência da Humanidade, haverá que introduzir, pelo menos, três novos fatores. Primeiro, sendo muitos dos recursos do planeta Terra necessários à sobrevivência da espécie humana finitos e nunca se tendo registado, como agora, um índice da população mundial tão elevado (nos últimos 100 anos a população mundial terá quadruplicado, continuando a crescer!), o modelo económico dominante assentar no consumo desenfreado de tudo aquilo que possa gerar lucro, confundindo-se, deliberadamente, o supérfluo com o necessário, através de sofisticadas técnicas de marketing, e não na racionalização desse consumo. Segundo, a poluição resultante do aumento da população/consumo, com todas as consequências daí decorrentes e que estão, cada vez mais, à vista. Terceiro, existirem armas de destruição massiva como jamais se verificou, de que o armamento nuclear é um exemplo (1). Ora, face a estes três novos fatores e à «qualidade» de muitos líderes políticos por esse mundo fora, será legítimo questionarmo-nos se haverá razão para estarmos otimistas em relação ao futuro. Ou, ao invés, preocupados, deixando de ser meros espetadores do que à nossa volta acontece e, num exercício de cidadania, passarmos, militantemente, a ter uma palavra a dizer no que ao futuro da espécie humana diz respeito. Pelos nossos filhos, pelos nossos netos.

(1) Os EUA acabam de lançar no Afeganistão a «Mãe» das bombas, possuindo a Rússia, ao que parece, segundo lemos, o «Pai» das mesmas. Nada como, num sinal dos tempos que correm, «familiarizarmo-nos» com as ditas…

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