Entram as promessas e as festas, saem os jovens

A pouco mais de cinco meses das autárquicas começam a chover as promessas, algumas já recorrentes, mas que ganham nova pujança com o aproximar dos fundos comunitários. A juntar a isto, seguem-se as festas e festinhas para embebedar o eleitorado ao voto. Ora vejamos, na minha terra, Silves, este ano já tivemos a 1ª Mostra da Laranja, teremos o reanimar do Festival da Cerveja, sem esquecer as festinhas das vilas, como o Festival da Caldeirada em Armação de Pêra, sendo que tudo terminará com o maior evento do ano, a Feira Medieval, um sucesso do concelho com todo o mérito. Um suspiro de vida momentâneo na cidade cuja total importância só revela o estado a que chegamos.

O caso de Silves é crítico no que se refere a qualidade de vida e de trabalho, principalmente nos jovens. Mas enquanto as ruas e rotundas vão sendo aprimoradas e enfeitadas com símbolos da região neste último ano, a falta de investimento e o abandono jovem e de talento do concelho continuam a ser os principais problemas. Minhas gentes, esqueçamos os fundos Portugal 2020 como modelo de desenvolvimento, porque a maior parte desse dinheiro será para pagar despesa do Estado.

Prova disso é que no Top 20 dos projetos subsidiados, há apenas um único privado, num distante 13º lugar – o apoio a um novo complexo industrial em Aveiro. Não existe um plano estruturado para atrair empresas para o concelho, nem foram criadas bases de apoio para promover a criação de novas empresas ou de estimulação de empreendedorismo – continuamos a ser dos poucos concelhos algarvios sem uma incubadora. O único plano que existe é vender os poucos ativos que autarquia possui numa situação de «venda de anéis para não perder os dedos». Os jovens talentos querem trabalho qualificado, se não o têm, vão para outro lugar desenvolver as suas competências e criar valor.

A Câmara Municipal, que é também o maior empregador, deveria começar a mover-se de forma a deixar de o ser. As impossibilidades financeiras, diga-se a perpétua dívida da Câmara, paga-se com as pessoas, o seu trabalho e a criação de novos produtos e serviços. Se esta fuga de jovens continuar a verter, cada vez menos possibilidades terá a autarquia para funcionar em condições. O futuro de Silves está em risco, como tantos outros concelhos algarvios com os mesmos sintomas de apatia económica.

Há condições para criar no concelho de Silves uma rede de partilha de valor em vários sectores, desde a agricultura ao turismo, energias renováveis (alguém já fez alguma diligência à Tesla?), passando também pela aposta na atração da chamada indústria 4.0, ao longo da serra, barrocal e litoral. Ainda assim, continuamos na deriva, refém das intrigas nas capelinhas e dos jogos autárquicos, que primam pela crónica falta de visão.

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