Cratera: decisões de força, argumentos fracos!

Com os albufeirenses em minoria, os de fora, que ocupam posições de decisão e hegemonia empresarial, protegidos na ignorância de duas gerações de migrantes e um sem fim de estrangeiros, fazem valer interesses, muitos desestruturantes, mesmo a coberto da lei. Começou no eixo viário que atravessa a cidade, abrindo espaços para o desordenamento da construção que dava receitas nunca atingidas, depois o Polis, que malbaratou a imagem de uma velha vila primorosa e 76 milhões do erário público, para acabar em situações pontuais de gula, como o da cratera no areal dar um empreendimento politicamente compensado com talvez mais de 500 metros quadrados de área mista, quando na destruição pelo mar há 17 anos, nem teria 35 m2.

Na conjuntura de preparação deste facto, trabalhada nos gabinetes, as dúvidas da implantação persistem, o que se percebe pelo enorme cortejo das forças chamadas vivas que estiveram presentes na Assembleia Municipal de quinta-feira, 25 de janeiro, e engoliram os locais contestatários, com apenas três a erguer voz de protesto.

Sentindo-se em casa, o presidente da autarquia, a coberto dos correlegionários e de muitas fardas que intervieram na decisão final, faltando Sebastião Teixeira da APA. Derreteu-se a diminuir o valor da opinião pública da cidade que não se interessou em tempo útil (quase 365 dias), desde a aprovação do projeto de arquitetura à decisão por unanimidade do executivo e da oposição (somado PSD, PS e vereadora Vidigal), escondendo que as atas das várias entidades que compõem uma Câmara andam geralmente atrasadas, como exibiu repreensível sarcasmo, seu estilo de governação comprovado em expoente aquando das falinhas mansas sobre os muitos que perderam milhões com as cheias de 1 de novembro de 2015, e dissertou jocosamente sobre o desinteresse dos munícipes pela causa pública, como se não fosse do interesse dos vários poderes montar processos nebulosos de afastamento das populações. Naturalmente, longe dos ouvidos, a reação veio com as obras no areal. Com o objetivo alcançado, o presidente da autarquia que jura defender o interesse coletivo, enfatizou a sua concordância, até porque os técnicos ou qualquer elemento político direto não apresentaram objeções.

No exagero da ocupação do areal (cada vez é mais proibitivo o cidadão residente e o visitante livre estender uma toalha), no caso a praia do Peneco, o principal postal da fama de Albufeira, usando linguagem recorrente de que estamos a avançar para a modernidade, Carlos Silva e Sousa cega na frieza da lei – um apoio do POOC não é um palácio que a Câmara aprova e diz-se não corresponder ao projecto, (pode um alicerce de cimento ser enterrado na areia?), e despreza o princípio que a voragem da economia particular não pode toldar a visão estratégica do desenvolvimento sustentado? A população é silenciada e vinga o autoritarismo? A lei da natureza já falou neste local e calou todos. Levou um barraco encostado na falésia. Agora avançam com ferro e betão. E porque não tiram o Peneco? Aumentava o prazer!

A APA assinou? E dirige o processo como lhe compete? Até onde autoridades cobrem direitos adquiridos passados a passos de gigante?

Categorias
Opinião


Relacionado com: