Carta Aberta aos Militantes do PSD

Depois de Durão Barroso ter aceitado, em 2004, ser presidente da Comissão Europeia, assistiu-se no PS, e nos meios de comunicação social, ao endeusamento de José Sócrates por um lado, e à constante campanha de desacreditação do então primeiro-ministro Pedro Santana Lopes.

Sabendo das enormes fragilidades e incapacidades do então secretário-geral do PS, Ferro Rodrigues, Jorge Sampaio fez questão de deixar arder em lume brando o então primeiro-ministro até que um novo líder do PS fosse eleito, José Sócrates.

Pela primeira vez uma eleição para um partido teve honras de cobertura televisiva em direto, a campanha para as legislativas já tinha começado, só faltava que existissem eleições, o que não era um problema difícil de resolver.

Desconsiderando por completo a maioria parlamentar existente na Assembleia da República que garantia a estabilidade governativa do país, com Santana Lopes acossado pela comunicação social e a coligação PSD/CDS fragilizada pelas constantes «não-notícias» que insistentemente tentavam (e conseguiram) retirar a credibilidade ao primeiro-ministro Santana Lopes e por consequência à própria coligação, estavam reunidas as condições para que um Sócrates tornado figura maior do PS conseguisse chegar ao poder com as consequências que ainda hoje suportamos.

Santana Lopes pode não ter sido o melhor dos primeiros-ministros, cometeu erros é verdade, mas foi derrotado acima de tudo pelos poderes que ousou confrontar, dentro e fora do PSD.

Lembre-se por exemplo que colocou a Banca a pagar mais impostos, (não havia Ricardo Salgado de apoiar José Sócrates), reduziu a carga fiscal a 85 por cento dos contribuintes, aumentou a função pública, beneficiou os pensionistas e reformados com aumentos entre os 2,3 e os 9 por cento e reduziu a taxa de IVA dos então 19 para 5 por cento para os serviços de apoio domiciliário, beneficiando desta forma 1 milhão de portugueses. Isto, durante os cinco meses do seu mandato, enquanto mantinha um défice inferior a 3 por cento.

Apesar dos erros que fez, não foram estes que o fizeram sair de primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes foi alvo de um assassinato de caráter, feito por muitos que, senão autores, foram coniventes, e faziam parte do nosso PPD/PSD, como o futuro demonstrou.

Hoje o PPD/PSD tem a possibilidade de corrigir o maior erro de casting que o país já cometeu, mas tem também a oportunidade de fazer justiça a um dos mais importantes e valorosos quadros que possui. Um homem com obra feita, abnegado e que jamais virou a cara à luta, mesmo quando o mais fácil era ficar de lado e não se envolver.

Não deixa no entanto de ser sintomático, para não dizer quase genético, esta apetência de alguns militantes do PPD/PSD, quiçá com tiques de quem se julga «dono disto tudo», de estarem hoje profundamente dedicados a opor-se à candidatura de Santana Lopes da mesma forma como veemente contribuíram para a sua derrota em 2005.

Aos militantes de ‘base’, aqueles cujo voto vale o mesmo dos que se julgam donos do partido, um voto, lembrem-se: Quem escolhe o nosso líder somos todos e cada um de nós.

Tal como acreditei, em 2005, que Pedro Santana Lopes era o melhor líder para o PPD/PSD e para Portugal, em 2017, continuo convicto que será com a sua liderança que o nosso partido irá virar esta página menos boa da sua história e irá estar preparado para as próximas disputas eleitorais com a intenção de as vencer e não apenas de perder por poucos.

Opinião de Nuno Vaz Correia | Militante do Partido Social Democrata

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