Carta aberta ao Algarve e votos para 2018

Olá Algarve 2018. Escrevo-te para te desejar felicidade, as melhores realizações e, pelo meio, fazer alguns pedidos, agora que o ano novo acaba de chegar. Sei que, apesar de seres uma das regiões mais ricas do país, apresentas défices e lacunas inesperados face a esse contexto favorável. Talvez por isso, gostaria de deixar aqui escritas umas linhas sobre as minhas expetativas e ambições para ti, meridiana região.
Não vou zurzir nos políticos, como vem sendo costumeiro, mas antes apelar a todos para assumirem a responsabilidade de te tornarem um melhor local para viver e não só para «turisticar».

Comecemos pelo emprego. As tuas taxas de desemprego continuam altas. Muito do emprego que ofereces é precário ou sazonal e frequentemente mal pago. Repetes a velha história do capital versus trabalho: os lucros do turismo aumentam notoriamente sem que isso signifique o equivalente crescimento do emprego, da massa salarial ou da segurança laboral.

Uma relação desequilibrada que a tua maior indústria deve refletir e infletir. Ou segues uma linha taylorista (baixas especialização e remuneração) ou avanças para um modelo fordista, de maior distribuição da riqueza e valorização dos trabalhadores.

Até agora a generalidade dos teus empresários tem apostado na via mais fácil, a taylorista. Tenho esperança que tu, Algarve, em 2018, tragas mais consciência social para estas empresas, quase todas estrangeiras e pouco entrosadas no teu real tecido humano.

Como sucessor dos Algarves passados, tenho a expetativa que promovas novas formas de nos movermos.

Mais bicicletas numa rede de ciclovias ampliada e moderna, municipal e intermunicipal, dentro de povoações e ligando as diversas localidades.

Frotas de veículos públicos elétricos, a começar pela camioneta da carreira e continuando pelos transportes camarários, o que exige a generalização de pontos de carga elétrica.

Peço uma ferrovia eficiente e do século XXI (o século XXI há de chegar ainda durante o século XXI aos comboios da linha algarvia), com percurso continuado de Lagos a Vila Real de Santo António, horários menos espaçados e maior comodidade.

Estabelece a Estrada Nacional 125 para circulação entre municípios e garante a autoestrada grátis para circulação intrarregional, para te percorrermos com mais alegria e com menos tragédias e perda de tempo. Imagino também que trazes no teu saco presenteiro o acesso para cadeira de rodas a todos os edifícios públicos, com rampas e elevadores e outros meios modernos.

Promete que, neste final de segunda década do milénio, a tua Portimão terá um porto de cruzeiros capaz e os portos comerciais conhecerão melhores condições de navegabilidade e de trabalho.

Diz-me que os produtores pecuários deixaram de se deslocar a Beja para abater umas rezes e poderão fazê-lo por cá, sem essa imensidão de custos acrescidos.

Diz-me que os Centros de Saúde terão médicos de família para todos os residentes; que poder-se-á marcar consultas com brevidade inferior a um mês; que os horários serão alargados em muitos deles e haverá um chupa-chupa sem açúcar para todas as crianças que por lá passem.

Leva aos mais velhos assistência ao domicílio e melhor comparticipação nos medicamentos.

Ah, e os hospitais… faz lá um esforço!

Que te nasçam novos bairros sociais, mas, sobretudo, que reabilitem os teus velhos núcleos urbanos que também servirão para morar gente e não só para criação de alojamento local.

Protege a tua belíssima e extraordinária costa, caro Algarve 2018, tão bem cantada por Manuel Teixeira Gomes, contra vivendinhas com piscina e empreendimentos hoteleiros avulsos.

Faz dos sistemas lagunares e de sapal o palco privilegiado da biodiversidade da nossa região.

Não deixes cavalos e burros escanzelados na berma das estradas, convence antes as autarquias a criar e subsidiar abrigos para animais, ultrapassando a velha lógica do canil, que os Algarves teus antepassados viram como única solução possível.

São anseios e pedidos que poderão tornar-se carne, porém, reconheço que sozinho não conseguirás fazer tantas mudanças e que também está na mão dos teus algarvios fazer por um futuro melhor, como cidadãos ativos, ativistas em causas, voluntários em prol do bem comum e, acima de tudo, como eleitores que sabem fazer escolhas e desejam a mudança. Um poder nas suas mãos.

Mando cumprimentos e votos de prosperidade para 2018, Algarve do meu coração.

Categorias
Opinião


Relacionado com: