Cai a máscara da gestão PSD em Vila Real de Santo António

O verão apanhou de surpresa muitos daqueles que todos os anos visitam o concelho de Vila Real de Santo António para passar as suas férias. À sua espera tinham uma vasta zona de estacionamento pago, cobrando couro e cabelo por cada hora em que a sua viatura estivesse parqueada. Junto às praias de Monte Gordo e da Manta Rota, junto às principais zonas comerciais da cidade, nos principais núcleos habitacionais, as ruas, as praças deste concelho foram transformadas numa espécie de aspirador financeiro para a empresa a quem a maioria PSD entregou a gestão do espaço público pelos próximos ….30 anos. A indignação foi geral, o descontentamento alastrou junto de milhares de turistas, transformando-se em tema de conversa, com as juras de alguns dizendo que «para o ano, não me apanham cá».

E o mesmo aconteceu com aqueles que investiram as poupanças de uma vida numa segunda habitação neste concelho. A voz da revolta, ainda que sazonal, daqueles que vieram de fora, juntou-se à indignação daqueles que vivem, trabalham ou têm a sua atividade comercial em VRSA que, em várias ações de protesto que mobilizaram centenas de pessoas, deram nota do seu desacordo com esta medida.

É uma evidência que a maioria PSD na câmara tudo fez para ocultar os verdadeiros objetivos desta decisão. Desde o anúncio de milhares de lugares de estacionamento gratuito, passando pelo argumento de que tal medida se tratava de uma tentativa de disciplinar e organizar o trânsito, tudo foi dito e feito, para esconder que a razão pela qual a Câmara avançou com o estacionamento pago, mais não é do que a mesma razão pela qual Vila Real de Santo António tem as mais altas taxas e tarifas municipais do Algarve e está num acelerado processo de privatização de serviços e venda de património municipal. A Câmara Municipal de Vila Real de Santo António é uma das autarquias mais endividadas do país.

E de facto, são muitos os sinais que dão conta que vai caindo a máscara da gestão PSD na câmara de VRSA. As festas e festarolas, a propaganda e auto-promoção ostensiva, os cartazes espalhados pelo concelho, as promessas de emprego, a caridade, entre outros aspetos, já não chegam para esconder um modelo de gestão municipal que, tendo arruinado a autarquia no plano financeiro (e para onde foi tanto dinheiro?), está agora a passar a fatura para as costas da população.

Com o PS sem alternativa e comprometido com a maioria PSD na Câmara, o PCP e os eleitos da CDU, têm vindo a denunciar as consequências desta política. Na vereação, na Assembleia Municipal, nas juntas de freguesia, mas sobretudo, em sucessivas ações de contacto e esclarecimento – com destaque para as duas tribunas públicas realizadas recentemente contra o estacionamento pago – os comunistas e os seus aliados da CDU, assumem sem hesitações que é preciso dizer basta!

O estacionamento pago é apenas uma das faces visíveis de uma gestão municipal que, a não ser derrotada, vai trazer mais dívida, mais desemprego, mais saque aos bolsos da populações. A adesão popular às iniciativas que o Partido promove mostram que cresce o número daqueles que aspiram a uma mudança neste concelho e a luta que vier a ser travada será determinante para devolver aos trabalhadores e às populações de VRSA o futuro a que têm direito.

Opinião de Vasco Cardoso | Membro da Comissão Política do Comité Central do PCP

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