As eleições autárquicas em Olhão

Não sou politólogo, nem muito menos faço parte daqueles que têm sempre uma opinião sobre tudo e sobre todos. Nasci antes de 25 de Abril de 1974. Vivi, junto dos meus pais e um grupo de amigos, o período revolucionário. Lembro-me do chamado «verão quente de 75»! Criei a minha consciência política. Viveram-se, à data, momentos de grande agitação, e eu, um jovem pré-adolescente, ganhava conhecimentos e uma percepção da realidade muito diferentes dos dias de hoje. Sabia o que tinha sido o tempo do fascismo, e por isso dou valor à liberdade e o poder de exercer o direito de voto, participando assim num dos princípios básicos da democracia.

O PSD jogou tudo por tudo neste concelho. Não apresentou um candidato do aparelho partidário, muito menos da área social-democrata. Coligou-se com vários partidos de direita, convidando(?) para cabeça-de-lista um dissidente ressabiado do Partido Socialista.

Juntou outros tantos do mesmo grupo, mais uns descontentes pelas mais diversas razões e meia dúzia de outsiders destas lides políticas para dar o ar de ser uma lista de cidadãos independentes. O «cérebro» político desta «coisa» manteve-se aparente e estrategicamente fora de todos os momentos de campanha. Vá-se lá saber porquê?!…

Resultado: fracas ideias, propostas avulso, algumas delas sem qualquer interesse prático (chamadas proposta eleitoralistas básicas que o povo gosta de ouvir), outras irrealizáveis e uma estratégia pensada e adaptada no momento, logo, atabalhoada.

A mentira, a calúnia, a difamação, a suspeita sem prova, o apelo ao medo e à perseguição dos opositores, bem como uma campanha nas redes sociais alicerçada em perfis falsos e grupos controlados pelo aparelho do «estratega», foram a nota dominante e triste que dominou este período que antecedeu o ato eleitoral.

Pasme-se: até os extremistas e «terroristas» cá do burgo apoiaram esta coligação dependente do aparelho partidário do PSD/CDS! Fizeram queixinhas à CNE, nunca escreveram uma só palavra contra o chorrilho de patacoadas ditas e escritas pelo staff do ZEUS!

Luciano de Jesus e o seu estratega; Daniel Santana, presidente do PSD-Olhão, David Santos; presidente da distrital do PSD-Algarve; e mais outros tantos que escuso de citar, saíram perdedores. Os olhanenses não foram parvos e muito menos ignorantes! No dia 01 de outubro, souberam muito bem onde colocar o seu voto: um voto em quem fez um bom trabalho, em quem apresentou boas e exequíveis propostas, em quem fez uma campanha eleitoral limpa.

Estas eleições foram marcadas por serem a maior derrota eleitoral do PSD/Olhão e a maior votação desde o 25 de Abril no Partido Socialista! Parabéns António Miguel Pina! Parabéns ao Luciano de Jesus: tanto almejou ser vereador que irá(?) ser, desta feita sem pelouros e politicamente morto.

Quanto ao Bloco que Esquerda, se há uns anos alguém chamou «histéricas» às meninas que, por terem mais meia dúzia de votos, vociferavam «somos o máximo, ganhamos, vamos arrasar», nestas eleições, e depois de quatro anos sem nenhuma atividade política e uma campanha fraca de ideias e objetivos para Olhão, «meteram a viola no saco» e foram pregar para outra freguesia.

Pela CDU, Sebastião Coelho, grande homem e grandioso político, não foi eleito. Fiquei muito triste. Faz falta haver homens como ele na política. Espero, convictamente que o meu amigo encontre, rapidamente, outras formas de exercer a cidadania e continuar a fazer o que muito bem sabe: defender os olhanenses e o seu concelho. De parabéns estão todos os olhanenses. Souberam dar uma maioria expressiva ao António Miguel Pina. Agora é tempo de trabalhar, nunca esquecendo que daqui a quatro anos o povo irá voltar a ser julgador!

Opinião de Jorge Miguel Tavares | Cidadão

Categorias
Opinião


Relacionado com: