«Aparições»

Quando se fala nas virtudes da União Europeia, começa-se, não raro, por apontar a paz que terá proporcionado ao velho continente, até então dilacerado por conflitos belicistas vários, de que as duas grandes guerras no século passado serão exemplo.

Mas ganhando até agora (ou, pelo menos, até ao «Brexit») a paz entre os estados que a têm vindo a corporizar, ao invés e paradoxalmente, tem fomentado, com as suas políticas neoliberais, crescentes «guerras civis» no seio dos mesmos estados, traduzidas em novos contra velhos, desempregados contra empregados, nativos contra imigrantes, pobres contra ricos, cultas elites urbanas contra incultos provincianos, etc.

Velhos que com as suas atuais reformas porão em risco as futuras reformas dos novos; leis laborais que protegerão os que têm emprego em detrimento dos que o não têm; imigrantes que ocuparão postos de trabalho que poderiam ser de nativos; fosso cada vez maior, ao nível de distribuição da riqueza produzida, entre os detentores de capital e o mundo do trabalho ou administradores ganhando num só ano o que os respetivos subordinados não ganharão numa vida inteira; os incultos provincianos que, ao ser-lhes reconhecido o mesmo direito de voto das elites urbanas, impedirão o progresso, etc.

Neste «clima», não estranhará, pois, que velhos atores políticos que a ele conduziram, comecem a ser superados pela aparição de novos (quem diria, num virar de feitiço contra o feiticeiro, que o princípio dicotómico acabaria aqui, igualmente, por ser aplicado!).

Resta saber, à luz das qualidades de que estes poderão ou não ser possuídos, o que daí poderá resultar, sobretudo num tempo em que não temos tido notícias de visões de uma «Nossa Senhora, Mãe de Cristo» por parte, desta feita, dum qualquer internauta num qualquer computador, mas já fomos confrontados com a aparição real, no Afeganistão, da «Mãe das Bombas», fora o «Pai» belicista (quiçá traduzido num qualquer poderoso vírus informático, capaz de afetar as diversas infraestruturas de um ou vários países, sem haver necessidade de disparos de mísseis de cruzeiro)!

PS – Num mundo onde tudo tem vindo a ser reduzido a «números», surge uma canção que, de uma forma simples e melodiosa, nos faz descobrir que, antes e para além daqueles, existe o ser humano, com todos os sentimentos que lhe são próprios, como a necessidade de ser amado e amar, se necessário amando por dois…Não terá sido isso, no fundo, a explicar a vitória de Portugal na Eurovisão? Gostaríamos de acreditar nisso!

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