Algarve: comércio de retalho, o parente pobre do turismo!

Com as alterações estratégicas de mãos livres, o mercantilismo leonino de escala global pretende esmagar a pequena iniciativa nos países mais consumistas. A regulação é comandada pelos poderosos que têm sempre faturas para cobrar aos poderes políticos. Alguns desses poderes não têm pudor em dizer que o futuro está no comércio cibernauta, negando uma faixa de atividade económica e justificando a ausência de apoios à sua existência. Na área do turismo, contudo, e pelo desenho dos pequenos espaços na retaguarda de praia, enfrentando inflação e inflexão desmesurada, privada e pública, seguem resistindo negócios de imagem e atendimento de qualidade, num contributo de calor na receção dos visitantes, cada vez mais enclausurados em interesses de tudo usufruído desde o pé em terra até à sua saída, com muitos destes visitantes e contrariando o histórico, entrarem e saírem de uma região no completo desconhecimento da sua dimensão humana, histórica e cultural.

O Algarve nunca foi uma ilha mas, os lucros de uma aliança aparentemente improvável entre transportadoras e hoteleiros, com abonos políticos e dinheiros públicos, fabricaram uma situação de agravamento da sazonalidade que só fragiliza os pequenos da atividade económica. Transportadoras e hoteleiros não têm qualquer manifestação pública de desagrado desta sua refeição farta e protegida. Os hoteleiros trabalham com 6 por cento de taxa, os restaurantes voltaram aos 13 por cento e o comércio vive na taxa máxima, sem apelo e só agravo. Seis ou sete meses de estação quente satisfazem os cofres da aliança referida e deixam o comércio à beira de um ataque de nervos. Se a folha de encargos entre o deve e o haver satisfaz a aliança em pouco mais de meio ano de prestação, o resto da atividade faz contas à voracidade das despesas.

O governo através da secretaria de Estado do Turismo, do Turismo de Portugal e da Região de Turismo do Algarve vive de estatísticas que sobem apenas números passageiros e fingem que este problema não existe, porque o elo mais fraco não tem organização e voz. Também a nível académico o assunto só é falado nas entrelinhas, embora se obrigue a estudar que esta situação em nada beneficia o futuro desenvolvimento do turismo algarvio, denunciando que o lucro próximo favorecido por uma ocasião excecional na geopolítica não faz a esperança de mais de 200 mil pessoas que dependem deste sector sensível de emprego. Só o governo, que pouco investe, em particular no Algarve, tem receitas entusiasmantes.

O que incomoda neste estado de coisas é que as autoridades se escondam nos silêncios e até ignorância de uma camada de agentes locais e suas supostas organizações, encobrindo vagas de mão-de-obra que vêm suprir de forma abstrata e inculta o crescimento da procura, sem que se promova mais formação de jovens para enriquecer o sector. O fortuito vai repetir-se e só traz aspetos negativos de crescimento pouco racional e sustentado. No tempo, virão os custos! No tempo virá o essencial! Enjaular clientes e retirá-los de circulação, para além de não haver uma economia justa e distribuída, também não trará solidez de divulgação do destino! Já atiraram farpas? É preciso que o assunto não se acomode!

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