A saúde que temos cada vez menos e pior

A saúde é um dos bens mais preciosos e está a ser severamente ameaçado o Algarve. A cada dia, há mais maleitas e verdadeiros escândalos, enquanto o governo e o ministro da Saúde fazem cara de espanto, como se só agora descobrissem a situação e os deputados socialistas da região apressam-se a atirar culpas para os autarcas, atribuindo responsabilidades do caos que se vive nas estruturas da saúde, nomeadamente ao presidente da câmara de Faro.

A saúde dos algarvios está em causa, e é com a maior indignação que se ouve o Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA), a pretender que sejam excluídos os idosos dos exames complementares nas Urgências e sejam antecipadas as altas dos serviços de internamento, de forma a resolver a sobrelotação do Hospital de Faro.

Como é possível propor-se uma medida destas, que todos devemos condenar alto e bom som?

Espera-se que a administração do CHUA preste os devidos esclarecimentos e assuma as responsabilidades, na Comissão de Saúde da Assembleia da República, durante a audição já requerida pelo Grupo Parlamentar do PSD.

Recorde-se que no final de fevereiro, três diretores de serviço do Hospital de Faro pediram a demissão, alegando falta de resposta para a sobrelotação de doentes e pressões para atribuírem altas precoces, face ao aumento da procura e às dificuldades no internamento.

E estes são apenas alguns dos sintomas de que o sistema de saúde no Algarve está gravemente doente.

Veja-se a questão dos 40 enfermeiros hospitalares que concorreram e foram colocados nos Centros de Saúde. As já deploráveis condições de trabalho, com menos pessoal para responder às deficiências dos hospitais, vão certamente piorar. Isto apesar da dedicação e esforço dos profissionais em superar um clima de caos que não acontece apenas no verão ou nos picos da gripe, mas se prolonga durante o ano.

Ao invés de soluções, a administração do CHUA promove o desgaste da instituição e a desmotivação dos seus profissionais, que têm de enfrentar não só a falta de meios, espaço e condições humanas mínimas para tratar os doentes, como se deparam com o bloqueio dos blocos operatórios, com a consequente diminuição das intervenções cirúrgicas, nomeadamente na especialidade de oncologia.

Poderia ainda citar a verdadeira trapalhada que a integração do Centro de Medicina Física e Reabilitação do Sul (CMRSUL) provocou, quando a gestão foi atribuída há um ano a um diretor de departamento do CHUA, que acumula funções com a direção do centro de reabilitação. Esta unidade de saúde era considerada uma referência de qualidade na sua área e serve uma população de cerca de 650 mil habitantes, dos distritos de Beja e de Faro.

Atualmente metade das camas estão desativadas por falta de pessoal especializado, sendo que aquela unidade não teve ordem para abrir concurso para os 26 enfermeiros necessários, nem há medidas para a contratação de médicos, terapeutas e administrativos, num total de 40, que deveriam completar o quadro.

Numa espécie de depósito de doentes, algumas dessas camas estão ocupadas por utentes oriundos das Urgências do Hospital de Faro. A solução do Governo? Exonerar a atual Diretor Clínica, em funções desde 2010.
Por aqui se vê que não basta escrever o decreto para a criação do Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA), reunindo os hospitais de Faro, Portimão/Lagos e o Centro de Reabilitação de São Brás, a par do polo de investigação ligado à Universidade do Algarve, para a saúde do Algarve melhorar.

Refira-se ainda, pelo impacto social que tem, o fecho da Unidade de Saúde Móvel de Castro Marim, um serviço essencial junto de uma população idosa e isolada daquele concelho. A oposição socialista da câmara municipal chumbou a intenção do presidente, Francisco Amaral, de renovar o contrato.

O que faz o ministro da Saúde? Ignora.

Finalmente chama-se a atenção para a questão de esta deterioração dos Serviços de Saúde do Algarve poder acarretar perdas importantes na economia da região, designadamente no setor do Turismo. Um dos mercados de procura mais expressivos e em forte crescimento nos últimos anos, têm sido os séniores de países europeus e, como é óbvio, muitos ficarão relutantes em escolher a nossa região para a reforma, se as urgências dos hospitais estiverem ao nível de um terceiro mundo incivilizado.

Rui Cristina | Presidente da Comissão Política do PSD Loulé

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