A desvalorização do Algarve

Com mais um governo de visão assimétrica, o Algarve segue a rota do Sol, o único amigo que não falha! O resto é uma economia frágil e dependente, empregos telecomandados e benesses partidárias respaldadas em perguntas ao governo, promessas e obras de conta-gotas para calar críticos e um mar de contemplações! Nem um primeiro-ministro nascido foi além de meia estrada…

Evoluímos para uma CCDR que generosamente distribuiu milhões que não se vislumbram impactos estruturais, emergimos uma AMAL sem voz em Lisboa, oca de estratégia, enfim… restamos fonte de divisas e receitas para não afundar mais a balança de pagamentos. Para a política centralizada como o resto do país: o que é o Algarve? Pés na areia, o sol, e descobrir um nativo para a selfie. Espertos e atentos, até leram que constamos dos parâmetros de região considerada desenvolvida.

O turismo está a ser, por razões conjunturais, o grande motor deste governo! Junta-se a situação transitória da perigosidade de locais concorrentes e as facilidades tributárias de aliciamento dos ricos de outros países que, somado, não são alicerces de uma economia periférica como a nossa, a nacional e menos a algarvia. De baixo não há autoridade para exigir e quando alguém de qualquer governo desce, quase se esconde. Recentemente ouvimos o responsável do SEP, numa espera ao primeiro Costa: o seu ministro é surdo? E você? O irmão do Presidente da República, António Rebelo de Sousa deu-nos conselhos para uma Região Administrativa, sem que perceba que são as pessoas que falham. A CML, com uma frente de mar e um orçamento poderoso, não cobre o funcionamento de serviços básicos (Maritenda, EN125), validou a destruição de áreas de costa e tem mais em carteira para a várzea a poente de Vilamoura, (por desgraça, outras duas várzeas – Armação de Pêra e Alvor – estão também condenadas às receitas de IMT e IMI), e como os presidentes têm sonhos para vender, o de Loulé, retoma o tema do buraco negro do Parque das Cidades, onde já vê o maior intermodal de transportes, o tal Hospital Central e outros investimentos diversificados. Em Albufeira, o empreendimento da marina que não tem vida própria quer a todo o custo invadir as falésias com um passeio. Uma promessa? Mais desvalorização escondida em modernidade!

Sonhos não incomodam! Incomoda é como a região mais turística é gerida pelo oportunismo liberal. Voltou ao crescimento não por mérito próprio, fruto da conjuntura internacional e agrava deficiências estruturais. O «Allgarve» faliu, criaram «o 365 Algarve» (?!)… a Monarch caíu sem resposta e a sazonalidade esmaga pequenas finanças empresariais e familiares!

O cenário: enquanto sobem receitas públicas e na hotelaria estrelada, salários e reformas são atormentados pelo custo de vida inflacionado, reclama-se na Saúde e na Justiça, na falta e custos da estrutura pré-escolar, nas comunicações e transportes a geringonça em fim de mandato promete a eletrificação do resto da rede ferroviária quando os mapas dos transportes exigem visão interativa de futuro, na falta de habitação social compatível com a desvalorização dos salários e procura da mão-de-obra estrangeira desclassificada e sem posses de sobrevivência ou, nas bolsas de desempregados onde imperam os mais velhos abandonados e os mais formados sem esperança, na segurança o segredo é esconder a insegurança, e vamos… felizes. Sabemos, mas deixamos que hipotequem o nosso futuro!

Luís Alexandre | Ensaísta e escritor

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