Videógrafo algarvio premiado em Miami

João Guimarães é um portimonense de 24 anos, licenciado em Engenharia Civil, que prefere ser catalogado como videógrafo.

Nesta profissão já soma uma menção honrosa no Miami Epic Film Festival 2017, com um videoclip sobre uma banda do Cartaxo, a Bizu Colective.

«É uma competição onde já aparece malta pesada e gente da indústria a ver os trabalhos. Foram inscritas mais de 1800 produções, provenientes de todo o mundo. Sinto-me honrado e feliz com o prémio que me foi atribuído, porque significa que os jurados gostaram do meu trabalho», diz este jovem simples, que começou a fazer vídeos por brincadeira, aos 15 anos, parodiando com um amigo anúncios televisivos.

Neste momento, o jovem algarvio segue a bordo de um veleiro, a caminho do Reino Unido, para realizar um trabalho publicitário para a Taylor’s. Acompanha Ricardo Dinis, o navegador solitário português, e uma pequena tripulação, no transporte de uma pipa de vinho do Porto, de Gaia para Londres.

A viagem celebra o 325º aniversário da chegada a Portugal do comerciante britânico Job Bearsley, fundador da empresa, que se estabeleceu em Viana do Castelo e iniciou o negócio com o «tinto de Portugal, um magro e austero vinho produzido na região do Minho». As filmagens de João Guimarães realizadas durante a travessia servirão para criar diversos conteúdos multimédia, que irão projetar a imagem da Taylor’s e do vinho do Porto e, também, de Ricardo Dinis, enquanto navegador solitário.

Questionado sobre se esta missão lhe trará grande visibilidade, respondeu com humildade. «Dará, sim! Mas, primeiro que tudo, tenho de trabalhar bem para ser bem-sucedido».

Ao longo dos anos, enquanto autodidata, filmou atuações de bandas ao vivo e cenas de rua, incluindo várias manifestações junto à Assembleia da República, em Lisboa. «Editava, criava pequenas histórias e colocava na Internet». Depois, experimentou criar telediscos para bandas algarvias.

Em paralelo, João Guimarães passou os últimos três anos a elaborar um filme em timelapse sobre o Algarve, que inclui paisagens naturais e urbanas, além de um espetacular céu noturno em movimento.  No seguimento deste trabalho fundo, planeia já uma segunda sessão, com um enfoque nos aspetos mais tradicionais da região, e incidindo em vários planos do Sotavento algarvio, que por motivos de ordem financeira, ficaram de fora da primeira produção.

Para os leitores menos atentos às técnicas de captação de imagens, o timelapse consiste em obter um grande número de fotos do mesmo objeto, espaçadas por um determinado período de tempo constante, por exemplo, a cada um ou dois segundos, que são depois de juntas, dão origem a um vídeo, a uma velocidade de 24 fotogramas por segundo, acelerando a perceção da realidade.

Hoje, muitas câmaras digitais apresentam esta opção, embora, ainda assim, esta seja uma técnica que apresenta alguns desafios para quem a quiser experimentar.

No futuro, João Guimarães gostaria de fazer curtas e longas-metragens e também mais comerciais.

«Acho que a publicidade não segue o mesmo rumo que a música, são dois mundos separados. Mas ambos são mais criativos do que o cinema, que nos deixam usar a criatividade de forma quase ilimitada. É nessa liberdade que gosto de trabalhar», sublinha ao «barlavento». Em relação ao material, o jovem usa uma Sony A6500 como câmara principal, e uma Canon 600D como máquina de apoio. Se necessário, recorre às GoPro, que considera aceitáveis para planos de corte de cerca de dois segundos.

Os leitores podem analisar os trabalhos em https://vimeo.com/jguimaraes/

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