Vera Fernandes, atleta do karaté ao atletismo

Trabalho árduo e disciplina geram sucesso.

Vera Fernandes acabou de completar 31 anos, tem formação académica em Educação e Comunicação Multimédia, vive em Portimão e entrou no atletismo há cerca de quatro anos. Representa a Associação Académica da Bela Vista, concelho de Lagoa. «Fui a primeira atleta na história do atletismo português a ser selecionada para representar a equipa principal da Seleção Portuguesa de Atletismo no europeu de corta mato, com apenas três anos de prática da modalidade», disse-nos. Aconteceu na época 2015/2016. Na mesma época, conseguiu, a nível nacional, a 9ª melhor marca nos 10 mil metros (34’44”); a 11ª melhor marca nos 3 mil metros (9’55”34) e 5 mil metros (16’58”68); a 12ª melhor marca na meia maratona (01h17’26”). Aliás, melhorou duas vezes, nessa época, o seu record pessoal nos 10 quilómetros, além de ser campeã do Algarve nos 800 e 1500 metros e vencedora de vários meetings.

Com 1,53m de altura e 45 quilos de peso, perguntamos–lhe como é que alguém entra numa modalidade na idade em que muitos já estão a pensar em desistir e consegue singrar tão rapidamente?
Aos 12 anos, começou a praticar karaté, que abandonou aos 26 anos, quando se mudou para Portimão. «As categorias, no karaté, são em função do peso e a minha era menos de 52 quilos. Na altura, tinha maior carga muscular do que agora e as minhas adversárias eram todas do meu tamanho». Entrou em competição, desde os escalões etários mais baixos, em eventos nacionais e internacionais, nas modalidades kumite (full-contact) e katas. «Conquistei alguns pódios, a nível nacional, integrei vários estágios, nacionais e internacionais, até de estilos que não eram o meu, e fui ao campeonato do mundo do meu estilo, o wado, em Tóquio, Japão, em 2005. Foi uma experiência muito positiva para mim».

Quando se mudou para Portimão, abandonou a modalidade, porque estava muito ligada ao seu clube e estilo de luta e não se sentia preparada para abraçar outro. Contudo, para se manter em forma, inscreveu-se num ginásio. Só que… «o ginásio promovia corrida, duas vezes por semana, e comecei a correr com eles. Também faziam provas, aos fins de semana, comecei a obter bons resultados e ganhei o gosto pela modalidade. Foi por acaso, porque, quando ia fazer esses treinos de corrida, não era numa vertente competitiva, mas somente para manter a forma. Comecei a associar a uma distância um determinado lapso de tempo, comecei a criar um espírito mais competitivo comigo própria».

Hoje é treinada por Rita Borralho, que vive na Amadora, onde vai, com alguma frequência, para análise de forma e eventual mudança de programa de treinos. O resto do tempo, treina sozinha, duas vezes por dia, as modalidades de estrada e corta-mato. «A minha antiga atividade, o karaté, ajudou-me muito, porque é uma modalidade que nos torna fortes, física e psicologicamente, além de nos dar rigor e disciplina». Nos treinos em pista, a fazer séries, no estádio da Bela Vista, beneficia da companhia de colegas masculinos do clube, pois ainda não há mulheres que estejam ao seu nível, embora o seu número tenha evoluído bastante, nos últimos tempos. «Quando iniciei, éramos poucos. Este ano houve um grande incremento e cada vez se vê mais gente na pista». Quando lhe perguntei se os seus resultados contribuíram para tal, disse-nos que não sabe, mas «sinto, da parte das camadas mais jovens, uma certa admiração por mim e o desejo de fazem o mesmo que eu, porque, se eu sou capaz, eles também são».

Para o corrente ano, época 2016/17, Vera Fernandes deseja melhorar os seus recordes pessoais. Por exemplo, quer fazer abaixo dos 16 segundos, nos 5 mil metros. Os seus dois grandes objetivos são o apuramento para os europeus e entrar numa maratona de topo, na época 2017/18. Considera muito importante para a sua melhoria de forma a orientação que recebe do nutricionista Marco Pereira.

Como curiosidade, a primeira prova em que entrou foi uma maratona, com cerca de um mês de treinos. «Nem sabia a distância que tinha de correr», disse-nos a rir. «Os outros iam e eu fui também». Conseguiu terminar a prova e nunca mais parou de treinar, competir e evoluir. O seu grande objetivo, a longo prazo, é atingir uma boa marca a nível nacional na maratona, que considera «a distância mais indicada para mim, dado o meu historial e as minhas características».

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