Paulo Tavares, mestre portimonense da construção em Lego

Paulo Tavares, 43 anos, casado, com um filho, é um lego man portimonense que se destaca neste passatempo. Com formação académica em arquitetura, junta os seus conhecimentos técnicos com o prazer do colecionismo herdado da família. O seu avô paterno possuía uma biblioteca fabulosa, onde pontificavam quase trezentos exemplares de «Os Lusíadas». O seu pai colecionava cachimbos, possuindo centena e meia, alguns peças únicas, além de caixas de tabaco, selos e postais ilustrados onde aparecesse um cachimbo que fosse.

Paulo Tavares disse ao «barlavento» que começou a brincar com e a juntar peças Lego, desde pequeno, influenciado pelo pai. Depois parou durante vários anos. «Aos 20 e tal anos, recomecei, ganhei–lhe o gosto e só não tenho uma coleção maior, porque não possuo espaço para a guardar».

Disse-nos que, quando começou, o Lego era espacial, havia uns kits simples de montagem e pouco mais. E agora? «Ao longo dos tempos, foram desenvolvendo, criando novas categorias, hoje são mais técnicos. Podemos comprar peças avulso, que permitem fazer tudo e mais alguma coisa. Hoje, há réplicas de cidades inteiras montadas com Lego. Há motores elétricos para colocar em carros, comboios e maquinaria diversa a funcionar, com comandos à distância».

Os aficionados podem optar por comprar kits ou peças soltas para criarem o que quiserem de raiz, dando vazão à sua criatividade, ou ainda fazer montagens mistas. Chamam-lhes «MOC – My Own Creation».

Paulo usa o sistema misto, mas com predominância de kits, «porque me falta tempo e espaço para guardar o Lego, tendo de manter as peças desmontadas e em caixas por longos períodos de tempo. Quem é colecionador, necessita de espaço para guardar as coisas. Se um dia puder, terei sempre o Lego montado, vou comprando, desenvolvendo e passando o gosto ao meu filho».

O nosso entrevistado, neste momento, tem uma loja de família desocupada, onde montou e expôs durante um ano inteiro as peças que fez para a primeira Fun Fair, em 2015.
Nunca contabilizou o número de peças que possui, mas calcula 3 a 4 mil peças por cada construção, num total de muitas dezenas de milhares.

Em relação ao custo, «há Lego barato e caro. Quanto mais complexo, mais caro é, porque exige mais peças. Através da internet, conseguimos comprar peças individuais muito mais baratas do que nas lojas, há muitos revendedores online. Não é um hobby barato, mas, se comprarmos um kit Lego de dois em dois ou três em três meses, com um custo a rondar os 150 euros, não penso que seja assim tão caro. Mas é preciso ter alguma disponibilidade financeira para fazer uma coleção grande. Contudo, a valorização do Lego é muito grande. Tenho edifícios modulares que comprei por 100 euros e que estão a valer, agora, 600 a 700 euros. E nem são muito grandes».

Segundo o nosso entrevistado, o facto deve-se a serem peças que saíram de circulação e para as quais há muita procura a nível mundial. «Nos últimos anos, notou-se que o Lego estava a valorizar mais do que o ouro. Há séries limitadas que são vendidas durante um período de tempo e depois deixam de fabricar. É lógico que umas têm uma valorização maior que outras. O Taj Mahal, uma construção com cerca de 6 mil peças, da minha coleção, é icónico. Custou na loja cerca de 300 euros e foi vendido um, recentemente, na Internet, por 4 mil euros»…

Fun Brick decorre até 4 de setembro

A segunda mega exposição de construções com Lego encontra-se patente no Portimão Arena, até domingo, 4 de setembro. Estão em destaque construções para todos os gostos, desde uma cidade onde nem falta um rio e comboios em movimento, a naves espaciais, passando por maravilhas de engenharia com motores e controlos remotos, cópias da realidade, a cenas da Idade Média de um realismo e complexidade de montagem imensos. Vale a pena apreciar os trabalhos que somam horas de montagem e dedicação. As visitas e o apreço do público são a grande retribuição para os artistas extraordinários aqui presentes. O estacionamento é fácil, grátis e quase à porta do evento. Os bilhetes custam 3,5€ por adulto e 2€ por criança com mais de 4 anos de idade. Na quinta-feira, a exposição pode ser visitada entre 14h00 e 22h00 (23h00 na sexta-feira). Sábado as portas abrem das 10h00 às 23h00, e no domingo, último dia, das 10h00 às 20h00.

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