Nuno Tavares, um treinador algarvio a brilhar em Itália

O «barlavento» apresentou aos leitores, há cerca de quatro anos, Nuno Tavares, um jovem portimonense que se distinguia nos Estados Unidos da América, como treinador de basquetebol. E que criara em Portugal, em 2008, campos de treino da modalidade, no modelo americano e inéditos no nosso país, os Most Valuable Players (MVP), que são um sucesso.

Começou como um projeto sazonal de verão, no Algarve, com a duração de 14 dias, em que os jovens tinham a experiência de viver e treinar com profissionais. Abrangiam, não só o basquetebol, mas psicologia do desporto, nutrição, cuidados com o corpo, em suma, tudo aquilo com que um atleta profissional de topo tem de lidar no dia-a-dia.

Tem vindo a crescer, ganhou âmbito nacional e decorre ao longo do ano, em vários locais, de norte a sul, com uma estrutura bem montada e grande credibilidade no mercado. Em 2017, estão previstos oito eventos e o mais importante passou de 55 para 70 participantes. As inscrições já fecharam e ainda não foi apresentado o nome de qualquer treinador, o que demonstra a confiança que os participantes têm em Nuno Tavares e a sua organização.

Entretanto, encabeçou um projeto de renovação em Os Belenenses, onde foi treinador da equipa sénior e coordenador da modalidade em todos os escalões, durante três anos e meio, tendo conseguido, ao fim de dois anos, a subida do clube do campeonato nacional para a pró-liga, onde ainda se encontra. Depois, rumou a Itália.

Aqui o trazemos, novamente, porque este jovem de 39 anos, Nuno Tavares, acabou de levar uma equipa italiana, o Janus Basket Fabriano, a subir de divisão, dos regionais aos nacionais, série B, numa competição onde apenas sobem doze, entre mais de quinhentas equipas candidatas, depois de jogados os campeonatos regionais, os play-offs regionais e os play-offs nacionais.

«Acima de tudo, existem diferenças muito grandes nos orçamentos das equipas, pois algumas foram constituídas para subir de divisão e têm orçamentos semelhantes às das ligas nacionais. Não era o nosso caso, pois competimos com jogadores muito jovens, num projeto para tentar subir ao fim de três anos, e só a partir de fevereiro é que nos capacitámos de que era possível a subida, na primeira época. O nosso objetivo era conseguir qualificar no play-off regional», afirma.

Fabriano é uma pequena cidade no centro de Itália, rodeada por montanhas, tem cerca de 40 mil habitantes e uma particularidade: não possui qualquer clube de futebol.

Durante muitos anos, teve uma equipa de basquetebol a jogar ao melhor nível europeu, suportada pelo tecido empresarial local, mas a crise atirou-a para os escalões mais baixos da competição. Um grupo de amigos juntou-se para fazer reviver a modalidade na sua cidade e dar-lhe o brilho de outrora. Mas não será tarefa fácil, porque há equipas com orçamentos que podem chegar aos oitocentos mil euros, é obrigatório constituir uma Sociedade Anónima Desportiva e conseguir garantias bancárias. Segundo Nuno Tavares, «os jogadores desta liga são cem por cento profissionais, vivem da modalidade. Os clubes que não cumpram as suas obrigações financeiras sofrem grandes penalizações. Além disso, é uma Liga exclusivamente italiana. Só são permitidos jogadores estrangeiros, se os mesmos tiverem quatro anos de formação em Itália, ou seja, tenham jogado lá, sem interrupções, dos 15 aos 19 anos».

Questionado sobre qual a possibilidade de subir de divisão, novamente, sublinha que «se esta subida foi complicada, essa é quase impossível. Mas o que esta época nos ensinou foi que o impossível, por vezes, torna-se possível».

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