Luís Mira, o jovem lagoense vencedor do troféu João César

Luís Mira sagrou-se vencedor na primeira edição do Troféu de Acordeão João César, realizada em Portimão, no passado dia 22 de agosto.

Luís Mira, 15 anos, um jovem de Lagoa que arrecadou o seu primeiro troféu deste concurso, prenhe de uma carga sentimental muito elevada, tanto para os concorrentes, como para o público. O avô, teve alguma influência na escolha do instrumento. Será uma questão de genes?

Iniciou-se aos 6 anos, no Conservatório de Música de Lagoa, com a professora Fátima Matias, tendo mudado depois para o professor Gonçalo Pescada. Mas foi o estágio de três semanas, no verão passado, em França, na casa de um professor muito prestigiado, Frédéric Deschamps, que lhe proporcionou aquele clique extra de vencedor. O professor francês percorre o mundo e vai selecionando jovens com elevado potencial, que convida para o seu curso de verão, intensivo e com uma mistura enriquecedora de raças, nacionalidades e culturas. Um convite seu é sinónimo de qualidade encontrada.

Questionado sobre se o recente estágio em França foi o motivo que o levou às competições, o músico confirma. «De certa maneira. Fui ao campeonato mundial, na Lituânia, e fiquei em nono, entre 18 concorrentes. E a outros concursos. Mas este foi o meu primeiro prémio». Por outro lado, Mira também não esconde que esta vitória tem um sabor especial.

«Sinto-me bem. Ainda por cima, fico para a história, porque foi o primeiro troféu João César», admite. Outra questão que colocámos é se, a partir de agora, irá encarar o acordeão com outra atitude? «Não sei. Eu esforço-me sempre. Mas agora, que ganhei o primeiro, sinto-me com vontade de ganhar mais qualquer coisa», admite.

O nosso entrevistado terminou o nono ano, no ensino articulado, área da música, com boas notas (quatros e cincos), em Lagoa. Está inscrito no curso profissional de música, na Academia de Música de Lagoa. Embora os apoios governamentais tenham sido muito cortados, para o próximo ano letivo, o presidente da Academia de Música de Lagos disse ao «barlavento» que é quase uma certeza a abertura deste curso.

O jovem já tem em mente, após o 12º ano, uma licenciatura em música, em Évora. Como qualquer músico, o seu sonho são as atuações. Contudo, na música erudita, a inclusão deste instrumento ainda não está disseminada de modo a poder viver-se dele. Não estando o nosso entrevistado vocacionado para a música popular e os bailes, a grande fonte de receita dos acordeonistas algarvios, a vertente pedagógica será um caminho a considerar, no futuro.

Só nos resta desejar-lhe as maiores felicidades e esperar que, entretanto, abra a tão ansiada Escola Superior de Música, em Portimão, para tornar a formação de outros jovens talentosos e promissores menos dispendiosa.


João César, 79 anos, cujo talento como acordeonista e compositor o levou muito além do Algarve que adorava escreveu centenas de músicas, até para as marchas populares de Lisboa, e acompanhou cançonetistas de renome, como Simone de Oliveira. Desapareceu recentemente, deixando muita saudade em Portimão e no resto da região.

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