João Leopoldo, um arquiteto no mundo do surf

Tem registo de nascimento em Bragança, mas sempre viveu em Portimão. Este jovem de 24 anos combina a arquitetura com a fotografia, numa busca constante de beleza.

João Leopoldo licenciou–se em arquitetura no Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes (ISMAT). Depois, acrescentou mais um ano de estudos à sua formação académica, no Brasil, concluiu um mestrado em reabilitação urbana e assinou um projeto de reabilitação de uma aldeia de xisto, na zona de Bragança. No ano letivo 2015/16, candidatou-se ao concurso nacional de dissertações de mestrados, classificando-se entre os 26 finalistas, em mais de meio milhar. «Foi gratificante ouvir da boca do presidente da Ordem dos Arquitetos que éramos a nata do que melhor se faz em Portugal, em arquitetura», recorda. Embora reconheça que a crise na profissão está «a dar a volta», diz que «o problema é que os ateliers chamam-nos para estagiar, colocam-nos a fazer de tudo e, no final, largam-nos e vão buscar outros. Assim, não há futuro».

Por tal razão, aceitou o convite do vereador Pedro Xavier para estagiar na Câmara Municipal de Portimão. «Poderá ou não ter continuidade profissional, mas permite-me obter uma visão de dentro para fora, entender como funciona. Perceber as dinâmicas de trabalho, aprender a redesenhar, coisas que não se aprendem na universidade. Ao fim e ao cabo, é a realidade com que os arquitetos lidam».

João Leopoldo disse ao «barlavento» que a fotografia está presente na sua vida «desde sempre. O meu pai fotografava muito, tinha uma grande paixão pela fotografia, chegou a ser formador no Instituto da Juventude. Desde pequeno que mexia nas máquinas e, de vez em quando, queimava-lhe rolos».

O pai ofereceu-lhe uma câmara digital, aos 16 anos. «Aos 17 anos, chamaram-me para fotografar uma festa, tive sorte e uma foto fez capa da revista Maxmen. Gostaram do meu trabalho e comecei a investir cada vez mais. Trabalhava praticamente só à noite, a experimentar, porque não tinha noções, nunca fizera um curso».

Esta situação durou algum tempo, foi ganhando experiência e investindo em material, até que decidiu começar a fotografar surf. A partir daí, foi levantar cedo, apanhar frio, apanhar calor, molhar-se e fotografar. Entretanto, foi para o Brasil e teve a sorte de ficar numa área muito forte em surf, onde aperfeiçoou a técnica e decidiu levar a sua arte mais a sério.

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«Quando regressei, há cerca de ano e meio, investi em material, caixas estanques, máquinas com captação de muitos frames por segundo, entre outras coisas. Assim, já tinha possibilidade de ir para dentro de água e fotografar outras coisas, começar a conhecer gente e a entrar mais no meio e a viver para o meio». Fotografar surf dentro de água obriga a usar lentes grande angulares e a fotografar de muito perto, o que apresenta perigos constantes. «Por vezes, em cima de uma rocha, com ondulação de dois ou três metros; outras, com as quilhas das pranchas a passar a centímetros de nós».

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Há cerca de ano e meio, um amigo que faz paddle surf disse-lhe que vinha um praticante francês que trabalhava para revistas da especialidade e que necessitava de um fotógrafo dentro de água. O nosso entrevistado aceitou, o atleta gostou de algumas fotos, levou-as e, passados dois meses, foi contactado, porque uma foto ia ser capa de uma revista francesa. «Foi uma alegria e um orgulho. Depois, saiu uma entrevista dele numa revista australiana, com algumas fotos minhas. E continuaram a ser publicadas, em França e na Austrália, dando origem a um trabalho na Itália, que durou três meses, fazendo fotos para três novos modelos de pranchas. E os contactos vão aparecendo, de boas publicações, incluindo uma entrevista minha na melhor revista espanhola de paddle surf».

João Leopoldo está a juntar o seu nome aos grandes fotógrafos de surf nacionais: Ricardo Bravo, «Tó Mané» e «Brek». Considera este último, também a viver em Portimão, como o seu mestre. «Parte da experiência que tenho é porque ele me chama para o acompanhar». Além da fotografia «molhada», João Leopoldo também se está a iniciar na fotografia de arquitetura.

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