«Há uma cultura da ginástica rítmica em Portimão» diz Joaquim Paulino

Um jovem licenciado em Educação Física chegou a Portimão, em outubro de 1973, para dar aulas no Liceu (atual Escola Secundária Poeta António Aleixo). Os desportos com bola eram o seu campo de ação preferido. Hoje, aposentado, Joaquim Paulino é o presidente da Associação de Ginástica Rítmica (AGR) de Portimão, desde a sua fundação, há quatro anos. E foi um dos obreiros da realização de grandes eventos internacionais da modalidade, na cidade do Arade, durante mais de 30 anos.

O «barlavento» quis saber como aconteceu essa ligação forte a uma modalidade que, ainda hoje, é praticada, a título oficial e em exclusivo por atletas femininos, em Portugal. «Nos anos 1980 deu-se a viragem para modalidades de expressão rítmica, devido à vinda ao Algarve, com caráter sistemático, da professora sueca Monica Beckman. Durante 12 anos consecutivos, frequentei ações de formação relacionadas com expressão corporal e atividades rítmicas», conta Joaquim Paulino.

Portimão é conhecida internacionalmente, há mais de três décadas, no mundo da ginástica rítmica. É a cidade portuguesa por onde passaram mais campeãs europeias, mundiais e olímpicas da modalidade. Chegou a haver 143 países em competição, primeiro no Torneio Internacional e, mais tarde, na Taça do Mundo. Paradoxalmente, não se praticava esta disciplina no concelho. «Há 16 anos, numa iniciativa conjunta entre a edilidade portimonense e a Federação Portuguesa de Ginástica Rítmica, foi contratada a professora Katia Mileva, uma treinadora com grande reputação e membro de júris em eventos internacionais.

Contudo, a situação económica precária da Câmara obrigou, há quatro anos, a terminar um contrato de trabalho que, ao fim de 12 anos, ainda era precário. Houve um conjunto de pessoas que consideraram necessário constituir um clube e manter a treinadora, convidaram-me para presidente da direção e aqui estou a cumprir o último mandato regulamentar».

Segundo o «barlavento» apurou, a sul do Tejo não há qualquer clube a praticar ginástica de competição na primeira divisão. Aliás, só existem dois clubes a competir, ambos de Portimão: a Associação de Ginástica Rítmica e o CIRM, da Mexilhoeira Grande.

«Nestas condições, torna-se complicado andar em competição e as deslocações acarretam elevados custos logísticos», considera. «A AGR mantém 15 atletas em competição, no topo, nas classes de Benjamins, Juvenis, Iniciados e 1 Júnior. Se mantivermos a técnica, o que representa um esforço titânico para o clube, estou convencido de que vamos dar cartas. Temos um leque de meninas entre os 7 e os 12 anos com elevado potencial.

Recentemente, em Lisboa, conseguimos conquistar mais de um pódio completo, muito difícil de obter na ginástica». Durante anos, com as obras do Pavilhão Gimnodesportivo paradas, a AGR tinha dificuldade em treinar, valendo-lhe a cedência do ginásio da PSP. Desde o início do ano passado, com a conclusão da obra, a situação parece ter mudado para melhor. «Melhorou, mas as condições estão longe de ser as ideais», admite Joaquim Paulino.

«É um espaço polivalente e, desde setembro, treinamos em simultâneo com a patinagem artística ou com o basquetebol. Usamos música e a patinagem também. No caso do basquetebol, são 10, 15 ou 20 bolas a bater no chão, ao mesmo tempo. Estas condições são incompatíveis com os elevados graus de concentração de que as nossas atletas, muito pequenas, necessitam. Ao sábado de manhã, as classes de competição têm de usar as instalações da PSP. Não tenho dúvidas de que, se nos dessem as condições ideais para treinar, estaríamos no topo do ranking nacional».

Depois de quatro anos de interrupção, a Taça do Mundo da Ginástica Rítmica vai regressar, em maio, à cidade do Arade e ao Arena, infraestrutura que foi concebida, inicialmente, para receber este evento com condições excelentes para atletas, público e comunicação social. De notar que esta competição é transmitida pelas televisões para um elevado número de países, constituindo um grande cartaz promocional do Algarve. «Há uma cultura da ginástica rítmica em Portimão. Recebemos elevado número de convites, dos mais variados países europeus, para a participação das atletas portimonenses nos mais diversos torneios realizados nesses países. A Câmara e a Associação de Turismo conseguiram perceber que o desporto tem um potencial enorme na promoção de Portimão como destino turístico. Numa fase inicial, não com os dividendos económicos que, possivelmente, já teria atingido, sem o interregno que se verificou. Mas vamos reiniciar o caminho e a cidade em geral vai dar as mãos e trazer Portimão para a ribalta da ginástica mundial, com grande desenvolvimento económico e cultural».

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