Campeões nacionais de danças latino-americanas

O «barlavento» foi encontrar dois teenagers meio tímidos e embaraçados, até que os trajes e a maquilhagem os transformaram em dançarinos desenvoltos, fluindo a compasso, requebrando o corpo numa fusão de leveza, sensualidade e rigor de movimentos. Ali estava o par de que nos tinham falado, em todo o seu esplendor. A Maria foi confessando que já dança desde os 5 anos. Começou pelo ballet, mas não gostou. Depois, passou ao hip-hop, que também não lhe agradou muito, quando, no verão passado, veio experimentar as danças de salão no Boa Esperança, em Portimão, e…

O Edmundo começou pelo canto e pelo teatro, aos 10 anos, mas o seu espírito artístico levou-o a experimentar as danças de salão, em 2011. Fez, contudo, uma paragem nesta disciplina. No verão passado, decidiu dar uma espreitadela nas aulas de dança da professora Cláudia Faustino. Viu a Maria, achou que era o par ideal e escolheu-a. E em boa hora se juntaram, pois venceram as duas provas em que entraram, neste meio ano, arrecadando o título de campeões nacionais.

barlavento – Foi difícil?
Edmundo – Foi fruto de muita dedicação e da marcação de objetivos, pois é sempre bom marcar objetivos naquilo que fazemos. Tem estado a correr bem e vamos tentar ser campeões da Taça de Portugal, em novembro. E, se possível, do ranking, que é sempre bom.

Podem explicar aos nossos leitores menos versados nestas coisas como é que isto funciona?
Edmundo – Estamos a competir na categoria de juventude iniciados, danças de salão latino-americanas, na Federação Portuguesa de Dança Desportiva. Durante uma época, competimos para três títulos: o campeonato nacional é uma competição que se faz por escalão e quem tiver mais pontos ganha. Na taça, vamos acumulando pontos e, depois, passa um número «x» de pares à fase final; quem ganhar é o campeão da taça. No ranking, temos de somar pontos para conseguirmos evoluir e subir um escalão.

Quanto tempo treinam para manter este nível?
Maria – Treinamos duas vezes por semana. As aulas têm a duração de uma hora, mas nós vimos mais cedo ou ficamos até mais tarde, treinando duas a três horas em cada sessão.

E chega? Ou fazem trabalho de casa?
Edmundo – Não é obrigatório, mas treinamos em casa, porque temos objetivos definidos e temos gosto pela dança. E organizamo-nos para vir treinar ao Boa Esperança, em dias que não são de treinos, para tentar progredir, porque dois dias por semana não são suficientes para evoluir ao nível que pretendemos e manter o primeiro lugar.

Já mencionaram, duas ou três vezes, os vossos objetivos. Quais são eles?
Maria (rindo) – Ganhar tudo!
Edmundo – Manter o primeiro lugar, porque é necessário que reparem em nós, para nos chamarem para algumas exibições. Fazemos isto por gosto, mas torna-se difícil, sem apoios financeiros, porque as competições são de Lisboa para cima. E também queremos subir de escalão, porque estamos em iniciados e, na próxima época, se tivermos pontuação suficiente, passamos a intermédios. Será mais difícil e acarretará maiores despesas.

Ambos frequentam o 10º ano e gostariam de fazer carreira na dança. Reconhecem, todavia, que não é fácil viver da arte, em Portugal.
Maria – Não me importava de dançar para sempre, mas nunca sem tirar um curso.
Edmundo – O meu objetivo é entrar para arquitetura. Gosto muito do canto e da dança, mas também gosto da arquitetura e gostaria de conciliar ambas as atividades. E, em Portugal, com as dificuldades no plano artístico, temos de ter sempre um plano B e um plano C.

Como é que este sucesso na dança irá afetar o canto e a música?
Edmundo – Não vai, porque também pratico essas vertentes, em busca de evolução. E já dançava antes, noutra escola, embora não entrasse em competição. Estou no canto desde criança e frequentei o conservatório até ao quinto grau, em canto, guitarra e formação musical. Em casa, pratico também piano e guitarra, além da dança, visionando vídeos para melhorar a postura e passos.

As escolas de dança algarvias não promovem competições, habitualmente. A exceção foi Olhão, este ano. Os nossos entrevistados gostariam de ajudar a inverter essa situação, reduzindo despesas de deslocações e divulgando as danças de salão pela juventude local. O pavilhão gimnodesportivo de Portimão, cujas obras parecem estar, por fim, na fase de conclusão, poderá ser um elemento importante para essa mudança. Reconhecem que o Arena tem excelentes condições, mas acham que fica um pouco fora de mão. Quem desejar investir no patrocínio dos dançarinos portimonenses Edmundo e Maria, promovendo os seus talentos pelo país e, no futuro, no estrangeiro, pode contactar os seus encarregados de educação, através dos números 938 881 626 e 968 045 407.

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