António Feu, um ex-campeão nacional em três modalidades partilha as suas memórias

Este prestigiado cidadão portimonense irá completar, brevemente, 80 anos de existência. Continua presente a garra que sempre lhe conhecemos, a alegria de viver e de fazer coisas. Continua a jogar ténis, uma das modalidades em que foi campeão nacional, título que também conquistou no basquetebol e na motonáutica. «Curiosamente», diz-nos, «eu tinha jeito era para o futebol e cheguei a jogar em torneios particulares».

António Feu entrou num colégio interno com 10 anos, onde descobriu e praticou com sucesso os mais variados desportos. Foi guarda-redes de hóquei em patins e andebol, jogava basquetebol, voleibol e futebol, campeonatos universitário e militar de sabre, foi campeão de Lisboa de ténis de mesa, num torneio da antiga Mocidade Portuguesa.

«Eu passava os fins-de-semana no desporto. Às vezes, convidavam-me para festas, mas eu recusava, porque tinha de me levantar cedo, sendo muito criticado».

Mário Lemos, na altura treinador de basquetebol do Sporting Clube de Portugal (SCP) e seu professor de jogos, recomendou que se focasse no basquetebol. Ficou atónito, pois achava que o seu 1,72 metro de altura não era suficiente para praticar um desporto de gente mais alta. Pelo contrário, tornou-se um excelente organizador de jogo e marcador de pontos, chegando a ser capitão-de-equipa.

«Integrei a equipa de juniores do SCP, com 15 anos. Fui júnior durante duas épocas e passei a sénior, embora ainda pudesse jogar mais uma época nessa categoria. Adaptei-me razoavelmente ao lugar de extremo-direito e, nesse ano, ganhámos a Taça de Portugal. Ao fim de pouco mais de um ano, já fazia parte de um cinco-base que, durante vários anos, foi campeão regional e nacional. Depois, tive a felicidade de ir à seleção nacional, deveria ter 19 anos, tendo efetuado vários jogos».

António Feu integrou a equipa do Sporting de 1952 a 1960. Terminado o serviço militar, regressou a Portimão para trabalhar com o pai, na fábrica conserveira cujo edifício hoje é o Museu da cidade. Por coincidência, dois outros algarvios que também tinham feito parte do cinco-base leonino regressaram na mesma altura: Fonte Santa para Faro e Garranha para Olhão. Os três foram os grandes obreiros do aparecimento e desenvolvimento do basquetebol algarvio.

«Fundei em Portimão, com o apoio do professor Mário Lemos, uma escola de mini-basquetebol, que teve 150 miúdos e miúdas, e de onde saíram equipas que forneceram o Portimonense e a Casa dos Pescadores. Fomos campeões do Algarve em vários escalões, jogámos a 1ª divisão em seniores, e as meninas foram campeãs do Algarve. Curiosamente, ainda joguei com alguns dos meninos que tinha formado, como sénior. Já tinha trinta e tal anos. Fui formador, treinador e jogador. Em determinada altura, fez-se uma seleção do Algarve e fui o selecionador e jogador».

Antonio_feu_jg_2Dadas as suas características de baixa estatura, velocidade e grande controlo de bola, António Feu marcava pontos em contra-ataque ou com arremessos de longe, sendo exímio nos lançamentos em suspensão. Se houvesse, na altura, os três pontos a premiar os encestamentos de meia-distância, a sua elevada média de pontos teria sido muito superior.

Jogou ténis desde sempre, considerando-o o seu desporto de verão. Quando vinha de férias para a Praia da Rocha e praticava todos os dias, entrando em vários torneios. «Em determinada altura, já tinha mais de 40 anos, estava em 15º no ranking nacional. Ganhei um campeonato nacional de terceira categoria e ainda competi na segunda». Batia umas bolas, de vez em quando, «para tirar a ferrugem das raquetes».

Feu foi um dos fundadores e dirigente da Federação Portuguesa de Motonáutica, reconhecida internacionalmente em 1964 e considerada de interesse público em 1974. É, atualmente, o presidente da Assembleia Geral, tendo cumprido vários mandatos como presidente da direção. Foi praticante entre 1964 e 1974 e várias vezes campeão nacional.

Curiosamente, o casco com que ganhou o primeiro título nacional foi construído no estaleiro da sua empresa, que não tinha tradição nesse tipo de construção naval. Na penúltima prova em que participou, em Troia, Setúbal, 1973, foi o primeiro da geral, tendo arrecadado 30 libras em ouro, além da coroa de louros e da medalha de ouro.

Entre outros cargos que exerceu na área do desporto, foi presidente do Conselho Fiscal do Comité Olímpico durante vários mandatos. Até porque, por formação académica, é contabilista certificado inscrito na ordem, além de correspondente de línguas estrangeiras.

António Feu é hoje membro do Conselho Leonino do Sporting, integrando a comissão permanente. Nessa qualidade, «tentei trazer o basquetebol de volta para o SCP, constituímos uma associação e fizemos um protocolo com o Sporting. Há uns meses atrás, o clube assumiu a modalidade como oficial, mas só no campo da formação. E convidaram-me para coordenador da secção, o que aceitei. Sinto-me feliz por estar com a modalidade e a formação, duas áreas que me seduzem. A ideia é fazer o que se fez no hóquei em patins: formar para virmos a possuir boas equipas de seniores, sem ter de gastar dinheiro na aquisição de jogadores».

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