Alexandra Doros, a jovem judoca de alto nível que quer ir às Olimpíadas

Alexandra Doros com Cláudio dos Santos.

Chama-se Alexandra Doros, tem 18 anos e há 10 que trocou a sua terra natal, na Roménia, por Portimão. Aos 9 anos, a mãe decidiu inscrevê-la no programa de Férias Desportivas da Câmara Municipal. O que queria mesmo era praticar surf, mas acabou no judo. «Há uma certa semelhança nas bases: o equilíbrio e as quedas», diz, com uma gargalhada cristalina. Gostou e acabou por inscrever-se numa primeira fase no Clube de Judo de Portimão, orientada pelo treinador Cristian Bernal, e depois em Alvor, quando este fundou o UFAD, mais conhecido por Clube de Judo de Alvor.

Logo no primeiro ano, Alexandra sagrou-se campeã regional da modalidade. Evoluiu rapidamente, pois aprendia depressa e começou a treinar com os atletas mais velhos e mais pesados. A nível nacional, foi vice-campeã, dois anos consecutivos, em juvenis, e alcançou o pódio em cadetes. Venceu o Open de Madrid e frequentou um estágio em Londres, «que proporcionou uma excelente aprendizagem».

«Mas estava muito limitada nos treinos, os meus colegas eram todos mais pequenos do que eu. O meu treinador, o Cristian, com quem mantenho uma excelente relação de amizade, ajudou-me a entrar no Benfica, porque quero seguir uma carreira internacional e espero estar nos Jogos Olímpicos, dentro de 8 anos», garante.

Doros vive hoje no Centro de Alto Rendimento, «que oferece umas condições fabulosas e um excelente ambiente. Treino no Estádio da Luz, duas vezes por dia, onde encontro oponentes com o mesmo peso e idade e muito traquejo. Há treinos federativos, duas vezes por semana, para os atletas de Lisboa e arredores. Aí, somos observados pelos técnicos nacionais. E também temos a presença da minha ídolo, a Telma Monteiro», diz.

Em 2016, já no Benfica, Alexandra foi campeã nacional de Juniores. Em 2017, foi vice-campeã. E, no próximo ano? «Vou passar a sénior, o que representa um grande fosso. Se o atleta não se dedicar à carreira de corpo e alma, não vai conseguir dar o salto. Tem de gerir muito bem o desporto com os estudos, não sobrando tempo livre para se divertir com os amigos. Mas vou tentar ser campeã nacional, embora os meus objetivos sejam mais internacionais, como a Taça da Europa, Opens europeus, e os Mundiais. Tudo para preparar-me para os Olímpicos, dentro de 8 anos», reforça, de novo, o seu objetivo.

Segundo diz, os clubes de província são suficientes, se os atletas quiserem ficar pelas competições nacionais. Mas se o objetivo for uma carreira internacional, «há que ir para Lisboa ou Coimbra, que são, neste momento, os dois grandes centros do judo português. É lá que somos observados e temos hipótese de ser selecionados».

No futuro, em termos académicos, Alexandra Doros pensa estudar gestão ou psicologia, em variantes aplicadas à prática desportiva. «O desporto é a minha vida e quero continuar nesta área. Dentro de um ano, ou dois, vou tirar um curso de treinadora, pois adoro treinar». Na verdade, já é monitora nas férias desportivas em Alvor, ensinando judo a crianças entre os 4 e os 8 anos.

UFAD – Judo para todos em Alvor

O chileno Cristian Bernal, casado com uma portuguesa, chegou a Portimão há cerca de 10 anos e foi um dos dinamizadores do clube de judo local, que se encontrava em letargia desde 2004, onde permaneceu alguns anos. Acabou por sair e fundar um clube em Alvor, em novembro de 2011, sendo acompanhado nesta mudança por vários atletas que treinava, o que assegurou, desde logo, um início promissor ao UFAD, com excelentes resultados a partir do primeiro ano de competição. Ao longo de seis anos de atividade, há a destacar as prestações de Alexandra Doros, Marta Silva, Catarina José, Teresa Santos, Maria Prados, Miguel Nery Gago, Casmin Pighirnii, Gema Gomez e Miguel Colesnic, entre outros.

Ouvido pelo «barlavento», Cristian Bernal diz ter uma fórmula simples para os bons resultados. «O segredo está em criar uma família do judo, sermos unidos, haver benefícios mútuos, autocontrolo, disciplina. Se aparece um campeão, tudo bem. Se não aparece, fica sempre o trabalho de formação», diz.

Questionado sobre como se sente ao ver partir os melhores atletas para outros clubes, ao fim de anos de formação, dedicação e trabalho, o treinador chileno responde que «o tempo passa muito depressa. É emocionante e gratificante ver os alunos evoluir. Sinto orgulho neles e no meu trabalho. Tivemos campeões nacionais em vários escalões, em vários anos, individuais e por equipas. Houve pódios no Circuito Copa de Espanha e em França. Sinto-me realizado».

No final deste mês, de 31 de agosto a 3 de setembro, vai decorrer o 4º estágio internacional de judo, organizado pelo Judo Clube de Alvor, na Escola Secundária D. João II. Será «um evento por convites, porque a nossa estrutura não permite trazer muita gente. O objetivo é dar oportunidade aos nossos atletas aprenderem mais. O público poderá assistir e teremos a presença de João Neto, ex-campeão europeu e um dos treinadores da seleção nacional. Virá também Carmen Solana, treinadora espanhola que foi 11 vezes campeã de Espanha, o campeão sul-americano Ítalo Cordova, a seleção do Luxemburgo, com o luso-luxemburguês Cláudio dos Santos, que já fez parte da seleção portuguesa e, agora, faz parte da luxemburguesa. E ainda a equipa da Académica de Coimbra», adianta.

Teresa Santos

Esta jovem de 15 anos acaba de receber o cinturão negro e diz que «é muito bom, porque faço judo desde os cinco anos e isto é uma grande conquista». Ao longo da sua carreira, já foi uma vez campeã nacional, três vezes terceira, participou em duas Taças da Europa, foi campeã nacional por equipas em juvenis e obteve o 1º lugar num torneio internacional, em França. «Quero estudar medicina, mas não vou abandonar o judo. O judo ajudou-me a crescer e deu-me muitos amigos». Teresa Santos treina três vezes por semana, duas horas por treino. «Tenho os Jogos Olímpicos no meu horizonte e vou lá chegar, custe o que custar», diz, convicta.

Miguel Nery

Com apenas 13 anos, Miguel Nery é cinto castanho e terá de esperar mais dois anos para obter o preto. Entretanto, já conquistou um campeonato nacional e ficou em segundo lugar noutro. E também arrecadou a medalha de prata num torneio internacional na Escócia. Sabe que, quando for mais velho, terá de arranjar um trabalho, mas ainda não sabe qual. O que sabe é que quer seguir a carreira de judoca, ao mais alto nível.«Quando for mais velho, vou aos Olímpicos. Vou lá chegar, com muito esforço e dedicação», promete.

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