Academia de Dança de Lagos gera sucessos internacionais

Tudo começou com o projeto «ballet para todos», da professora Ljiljana da Silva, em 2004, na freguesia de Santa Maria, em Lagos. A ideia inicial cresceu e, em 2007, foi criada a Associação de Dança de Lagos, com o apoio dos pais, «cuja finalidade é a divulgação, promoção e ensino da dança, nas suas mais variadas vertentes», mantendo-se a iniciadora do projeto como diretora e professora.

O incremento das modalidades de dança fez aumentar o número de alunos, que rondam atualmente a centena e meia, ocupando o espaço da oficina de mecânica da Antiga Escola Secundária Gil Eanes. E os resultados começaram a surgir.

ao-altoO «barlavento» conversou com três jovens campeões – Afonso Gouveia, 11 anos; Sara Nascimento, 12 anos e Laura Barreta, 15 anos – e uma das cinco professoras da escola, Marina Khametova, que os treina em dança carácter e folclore. Estes alunos também têm aulas com as professoras Nina Minkova (ballet clássico) e Tatiana Ursu (dança contemporânea), o que demonstra bem o profissionalismo e o cuidado com que esta instituição prepara os seus bailarinos.

Estes miúdos treinam entre 10 e 15 horas semanais e desistem de outras atividades e eventos, com uma frase que se tornou conhecida: «Não posso, tenho dança».

Afonso é o mais velho dos cinco rapazes que frequentam uma escola onde predominam as raparigas. Quando a professora Marina começou a preparação para as competições de 2016, quis encontrar um par para ele. Depois de várias tentativas, a escolha recaiu sobre a Sara, apenas um mês antes da primeira competição. Mas ligaram-se bem, como demonstram os resultados, e já iniciaram uma nova coreografia para 2017.
Afonso Gouveia disse-nos que «as coisas são diferentes para os homens, porque conseguem ter mais força do que as mulheres, mas a massa muscular é diferente, com menos flexibilidade». Mas tal não o impede de dançar ballet clássico. Gostava de vir a ser bailarino profissional. Vive para a música, pratica várias modalidades, não lhe sobrando tempo livre para outras atividades.

O seu par no dueto, Sara Nascimento, começou aos 6 anos e também pratica dança contemporânea em grupo, além de dançar a solo. Sobre o futuro, diz: «Não penso ser profissional; a dança é só um hobby. Mas ainda não sei o que quero fazer, quando crescer».

Laura Barreta acha que «nunca se torna fácil, mas apenas possível de executar. Por isso, sabe melhor quando conseguimos fazer». Gostava de tornar-se profissional, se possível. Entretanto, prepara alternativas, indo iniciar-se em artes visuais, com a arquitetura no horizonte.

A terminar, a professora Marina disse-nos que o segredo do sucesso da escola e dos alunos tem o seu cerne na filosofia de entreajuda entre os professores, os alunos entre si e os pais, trabalhando todos em harmonia e para um fim comum.

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