A pesca segundo João Santinho

«Há vários tipos de pesca. O que me dá mais prazer é pescar à boia nas falésias, uma mistura de muito trabalho e poucas pausas. Não espero que o peixe venha morder o anzol; meto-lhe o anzol na boca. Mas pratico tudo, do jigging (pesca vertical) ao surf casting (pesca em praia)», começou por dizer ao «barlavento» este portimonense de 54 anos. Iniciou-se na pesca muito novo e, no primeiro dia, ao apanhar o seu primeiro peixe, partiu uma cana.

«Fui com o meu pai para a Ponta do Altar, com uma cana amarela, devia ter 5 ou 6 anos. Apanhei um peixe e perguntei o nome ao meu pai. Quando me disse que era um peixe-rei, fiquei tão feliz e excitado por ter apanhado um peixe que era rei, dei tantos saltos, que pisei a cana e parti-a».

Mas, segundo nos contou, o seu primeiro grande professor de pesca foi o seu vizinho caiador, o Tio Bernardo, que pescava para a sua subsistência. Dizia-lhe que o peixe tinha olhos e ouvidos também, que se afastava, se ele começasse a mexer-se e a saltar, que não devia usar roupas muito claras ou garridas. «Aprendi com ele que havia técnicas para enganar os peixes e que os sargos são muito desconfiados».

E também o ensinou a apanhar isco (camarão e caranguejo) e engodo, as ‘migas’, nas fábricas de conserva. «Ninguém comprava isco. Se decidíamos ir à pesca num determinado dia, tínhamos de ir apanhar o isco, na véspera».

Mais tarde, começou a ir sozinho, primeiro de bicicleta e, depois, de motorizada, o que lhe permitia ir para Sagres. «O meu pai não gostava que eu fosse sozinho, mas explicava-lhe que ninguém queria ir comigo. Mais tarde, comecei a ir de carro e já levava companhia».

Como não se vive só da pesca à cana, Santinho teve de se profissionalizar por outra via. Foi professor de geografia durante dois anos, mas não gostava do que fazia. Depois, tirou um curso de solicitador, mas também não tirava prazer da atividade. Um dia, há 24 anos, fez uma introspeção para encontrar um modo de vida que lhe desse prazer e sustento e só encontrou uma: a pesca. Agarrou nas economias que juntara durante vários verões, a trabalhar num bar, na Praia da Rocha e abriu uma loja, a Aquasport, que é a maior referência em material de pesca, em Portimão e não só, vendendo apenas produtos da gama média/alta.

«Conheço todo o material que vendo. Informo-me bem, antes de comprar; depois, testo-o. Só assim posso aconselhar os meus clientes com honestidade, porque a mentira tem a perna curta». E, porque tem um grande palmarés, os clientes chegam e pedem «os anzóis que usas para tal tipo de pesca, a linha que usas, as amostras que levaste…».

João Santinho é o pescador que o Clube Naval de Portimão convidou, o ano passado, para reativar a sua secção de pesca e que o fez, trazendo consigo a secção de pesca existente em Alvor e que lutava com falta de condições, foi campeão do Algarve, em 2009, sagrando-se campeão nacional, no mesmo ano. «Quando comecei a entrar em competição, pensava que sabia tudo sobre pesca. Para minha surpresa, ficava sempre no meio da tabela. Aí, comecei a observar os que se qualificavam melhor e, dentro de pouco tempo, já ficava entre os três primeiros».

Em Lagos, na modalidade de pesca de alto mar barco fundeado, ganhou três das nove edições e vários segundos e terceiros lugares. «O pior resultado foi um quarto lugar. Este ano, numa equipa de dois elementos, fui terceiro, mas com o mesmo número de peixes dos vencedores. O que variou e ditou as classificações foi o peso do pescado». Santinho já arrecadou vários prémios individuais. Até no surf casting, que não é a sua especialidade, foi vice-campeão do Algarve, há três anos.

Este ano, no Clube Naval de Portimão, a modalidade praticada em competição foi o surf casting. Para 2017, já está programada a pesca de alto mar barco fundeado. João Santinho está sempre disponível para partilhar a sua sabedoria sobre pesca à linha e respetivos equipamentos.

Aquasports
Rua Alexandre Herculano,
50 A – 8500 Portimão
Tel.: (+351) 282 415 225

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