«A minha razão de viver é dar alegria através da cor» diz Rosa Pereira

Rosa Pereira nasceu no Porto, começou na pintura há 43 anos, andou pelo mundo e acabou por escolher Portimão para viver e pintar, porque lhe fornece o calor, o sol e a luz de que necessita. O seu percurso artístico soma 49 exposições individuais (incluindo duas na Casa Manuel Teixeira Gomes) e pela participação em 106 coletivas, ao longo de 12 países. Tem obras nas coleções do Museu Tempra de Arte Contemporânea, em Mgär, Malta, no Museu de Ovar e no Museu de Pontevedra. Também foi escolhida para conceber um selo para uma coleção filatélica dos correios italianos. Faz parte do documentário «O Artista no seu Atelier» – registos para o Arquivo Nacional da Imagem em Movimento, Acervo da Cinemateca Portuguesa, realizado por Álvaro Queiroz, em 2008. Rosa Pereira está representada em várias coleções, não só em Portugal, mas pelo mundo, em Miami, França, Suécia, Índia, Inglaterra, Alemanha, Espanha, Bruxelas e Canadá.

«Gosto de arte desde muito jovem, embora não houvesse influências familiares. Penso que cada um de nós nasce por uma razão. A minha, se calhar, é dar alegria às pessoas através das cores dos meus trabalhos», começou por dizer ao «barlavento».

«Aos 16 anos via pinturas nas lojas de decoração, memorizava-as, e quando chegava a casa tentava reproduzir o observava. Mas nunca saía nada parecido ao que tinha visto». Então, Rosa Pereira matriculou-se nas Belas-Artes, seguindo-se um curso intensivo de pintura abstrata em Toronto, um curso de escultura com João Pedro Rodrigues e uma formação em História de Arte Moderna e Contemporânea na Fundação de Serralves, no Porto.

«Numa exposição que apresentei em Miami, conheci Don Pablo Sansegundo de Castanheda, amigo e correligionário da mesma escola de Picasso e Dali, que colocou a sua mão sobre a minha e me disse: já há muito tempo que não via uma coisa assim! Acabei por ser sua aluna».

Embora também pinte hiper-realismo, Rosa Pereira dedica-se, essencialmente, ao abstrato e justifica: «porque se joga com as emoções, pintando o que se sente. Numa pintura realista, podemos agarrar numa figura e tentar pintá-la à nossa maneira. No abstrato, não. Sai o que somos. Eu usava cores sujas, alcunha que damos às cores tristes e apagadas. Ao longo do tempo, tenho-me modificado, para poder também mudar a minha mensagem artística. Eu queria pintar cores alegres, para as pessoas se sentirem felizes. Mas tinha de me sentir feliz primeiro, para poder transmitir essa alegria aos outros, usando todas aquelas cores, primárias e algumas secundárias com equilíbrio».

Rosa Pereira consegue analisar o estado de espírito do pintor pelas cores que usa. E que, para se entender a obra de um artista abstrato, convém conhecer um pouco da sua história, a sua motivação para preferir um determinado estilo e também a paleta cromática. «Pinto o que sinto. Adoro a vida e sou uma mulher feliz e realizada. As minhas cores são estas e, no meio da confusão, acaba por haver harmonia. A minha cor característica é o vermelho. Muita gente atribui-lhe negatividade, mas para mim representa paixão, vida e calor», confidencia ao «barlavento».

Na sua opinião, a arte abstrata parte do realismo. Quando se movimenta um objeto no espaço, por exemplo, ele acaba por se se abstratizar. Até se pode tornar irreal. «Cada artista tem as suas pinceladas próprias, as suas técnicas. Há quem considere que os pintores abstratos não sabem pintar mais nada. Não é verdade. A pintura abstrata é mais difícil do que a realista porque exige muita consistência entre as diversas obras realizadas ao longo do percurso de um artista. Primeiro, pinto na cabeça; só depois passo para a tela».

Com exposições permanentes em várias galerias, incluindo uma com o seu nome, no Porto, Rosa Pereira acabou de abrir o atelier ao público, numa parceria com os pintores Alex e Rusta e com Marisa Gomes, que já tinha uma galeria em Lagos e trouxe consigo dois pintores com quem trabalhava e vários artesãos algarvios, principalmente na área da joalharia. A galeria chama-se «Geday» e está localizada no número 18 da Rua da Hortinha, no centro de Portimão.

Concorda que a população local não está muito interessada em adquirir arte e tem uma explicação: «quando cheguei a Portimão, cidade que adoro, encontrei muito pouco ligado à cultura. Talvez esse vazio seja a causa do desinteresse dos portimonenses pela arte». Contudo, já vendeu um trabalho maior a um cliente local. E não está muito preocupada com o lado financeiro, porque «nós, os artistas, somos pouco materialistas. Privilegiamos mais os materiais de pintura. Em vez de comprar roupa ou ir ao cabeleireiro, prefiro comprar telas ou outros materiais necessários ao meu trabalho».

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