Tudo o que precisa de saber sobre Astronomia

O Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) à noite, sob as Nuvens de Magalhães.

A Astronomia é a ciência que estuda a origem e evolução do Universo. A definição parece simples, mas o Universo é um lugar vasto, recheado de corpos celestes fascinantes e fenómenos fantásticos.

A Astronomia faz parte da história cultural e cientifica da humanidade, tendo por varias vezes revolucionado a nossa forma de pensar e ver o mundo. No passado, a astronomia foi usada por razões práticas, como medir o tempo ou navegar nos vastos oceanos. Hoje, os resultados do desenvolvimento científico e tecnológico da astronomia e áreas afins, têm vindo recorrentemente a transformar-se em aplicações essenciais para o nosso dia-a-dia: computadores, satélites de comunicação, GPS, painéis solares, internet sem fios e muitas outras aplicações tecnológicas.

A astronomia, como qualquer ciência, avança fruto da acumulação de conhecimento. Por vezes, este avanço lento, mas robusto, é empurrado por descobertas e ideias revolucionarias como a teoria do Big Bang. O Big Bang, o fenómeno que deu origem ao Universo, aconteceu há cerca de 13,8 mil milhões de anos e deu origem aos blocos fundamentais para a formação de galáxias, estrelas, planetas e vida. No inicio tudo estava concentrado num só ponto, infinitamente compacto e quente que se começou a expandir e arrefecer com o tempo. A expansão do Universo, que começou com o Big Bang, continua a acelerar. Os astrónomos acreditam que esta expansão se deve a uma misteriosa forma de energia distribuída por todo espaço, a energia escura.

Se olharmos para o céu numa noite escura, vemos uma faixa de luz cortando o céu de horizonte a horizonte. Esta faixa e todas as estrelas que vemos no céu fazem parte da galáxia em que vivemos, a Via Láctea. As galáxias são como ilhas no vazio do Universo. A nossa contém cerca de 300 mil milhões de estrelas, das quais o Sol é apenas uma, tão anónima como um grão de areia numa praia. Estas estrelas orbitam harmoniosamente em torno do centro onde se encontra um monstruoso buraco negro. Por vezes estes buracos negros podem fundir-se com outros buracos negros ou objetos maciços, quando isso acontece formam-se ondas gravitacionais, que se propagam pelo tecido do espaço-tempo. Este “mar” que é o Universo tem muitas outras ilhas, a nossa é apenas uma entre as mais de 500 mil milhões de galáxias que o povoam.

Embora uma estrela vulgar, o Sol teve até 1995 um estatuto especial: era a única estrela que tinha planetas a orbitá-la. Nesse ano, foram detectados sinais do primeiro planeta fora do Sistema Solar. Hoje conhecemos mais de 3500 outros planetas extrassolares. Estima-se que mais de 15% das estrelas, como o Sol, sejam orbitadas por planetas parecidos como a Terra. Pequenos e orbitando a uma confortável distância da sua estrela, que permita a existência de água liquida e quem sabe vida.

Mas de que é feito o Universo? Sabemos que existem planetas, estrelas, galáxias. Mas existe algo mais, algo vasto, estranho e misterioso e que ninguém sabe o que é. Seria de esperar que as estrelas orbitassem o centro das galáxias, do mesmo modo que os planetas orbitam o Sol no nosso Sistema Solar: os planetas mais próximos do Sol com velocidades superiores às dos planetas mais afastados. Mas tal não acontece: as estrelas nas galáxias orbitam todas à mesma velocidade, como um disco. Deve haver algo que não vemos e que “une” as estrelas e faz a galáxia comportar-se deste modo. Os astrónomos chamaram-lhe matéria escura. Estima-se que aquilo que conseguimos observar seja apenas uma pequena porção de tudo o que existe no Universo. Tudo o resto é desconhecido!

Mas a astronomia não se resume a avanços científicos ou aplicações tecnológicas: dá-nos a oportunidade de alargarmos os nossos limitados horizontes e de descobrirmos a beleza e a grandeza do Universo e o nosso lugar nele. Esta visão é uma das mais importantes contribuições da Astronomia para a Humanidade.

Artigo de Pedro Russo, professor de Astronomia e Sociedade da Universidade de Leiden, Países Baixos, publicado ao abrigo do projeto Ciência na Imprensa Regional / Ciência Viva.

Categorias
Ciência


Relacionado com: