O céu de fevereiro de 2018

O céu virado a Sul, às 6h30 da manhã, do dia 8 de fevereiro de 2018. A Lua está perto de Júpiter, enquanto Marte, na constelação do Escorpião, está pouco acima de Antares. (Imagem: Ricardo Cardoso Reis/Stellarium).

Este mês de fevereiro de 2018 é mês de lua negra, assim chamada porque neste mês não haverá lua cheia. A lua cheia anterior foi no dia 31 de janeiro, e como o ciclo lunar é de 29,5 dias (e fevereiro só tem 28 dias), a próxima lua cheia ocorre já em março. Mas esta designação pode ser enganadora, porque «lua negra» é também o nome dado à segunda lua nova no mesmo mês, e ainda aos meses sem nenhuma lua nova (o que, à semelhança dos meses sem lua cheia, só pode ocorrer em fevereiro).

No dia 7 a Lua atinge o quarto minguante. Na madrugada do dia seguinte, o nosso satélite está entre os planetas Júpiter e Marte, passando a cerca de 4 graus do planeta Júpiter e a 11 graus de Marte. Júpiter parece uma «super estrela» à direita da Lua, enquanto Marte parece uma «estrela» alaranjada ou avermelhada, um pouco abaixo e para a esquerda. Ao longo do mês Júpiter fica visível cada vez mais tempo, nascendo por volta das 2 da manhã no início do mês, e por volta da meia-noite e meia no dia 28.

No dia 9, a Lua está a menos de 3 graus acima de Marte. Mas nessa região vão poder ver duas «estrelas» avermelhadas – uma é o planeta Marte e outra, logo abaixo, é a estrela Antares, a estrela mais brilhante da constelação do Escorpião. Antares é também conhecida como o coração do Escorpião.

O nome Antares é, na realidade, devido a Marte. Ambos os objetos parecem estrelas brilhantes e avermelhadas, e com brilhos muito semelhantes (nesta altura, por exemplo, Antares tem uma magnitude aparente de 1,05 enquanto que a de Marte é 1,08). Marte é o deus da guerra na mitologia romana, cujo correspondente na mitologia grega é Ares. Ora, estes dois corpos celestes parecem competir um com o outro, sendo a estrela o rival, ou o Antagonista de Ares – Ant. Ares – Antares!

Curiosamente, a estrela Antares é uma supergigante vermelha, em média 680 vezes maior que o nosso Sol, o que significa que tem um diâmetro maior que o da órbita do planeta Marte à volta do Sol. Mas Antares é uma estrela variável, com uma variação de tamanho que pode chegar aos 20 por cento.

Com uma idade estimada de 11 mil milhões de anos (o Sol tem cerca de 4,6) Antares está no fim da sua vida, podendo explodir como uma supernova a qualquer altura nas próximas centenas de milhares de anos. Quando isso acontecer, durante algumas semanas será tão brilhante no nosso céu como a Lua Cheia, ou seja, será visível durante o dia.

No dia 11, a Lua está a cerca de 3 graus do planeta Saturno. Estes dois objetos nascem por volta da 5 da manhã, enquanto o Sol nasce por volta das 7h30. À semelhança de Júpiter, de dia para dia Saturno nasce cada vez mais cedo. No final deste mês já passa acima do horizonte por volta das 4 da manhã.

No dia 15, é dia de lua nova e o quarto crescente chega no dia 23. Já a lua cheia, essa só no dia 3 de março. Mas isso é tema para o próximo mês.

Boas observações.

Artigo de Ricardo Cardoso Reis (Planetário do Porto e Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço) ao abrigo do projeto «Ciência na Imprensa Regional – Ciência Viva».

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