«Lua Azul» no céu de janeiro de 2018

Céu a nordeste pelas quatro horas da madrugada de dia 4. Igualmente é visível o radiate da chuva de estrelas Quadrântidas.

No primeiro dia do ano Mercúrio atinge a sua maior elongação (afastamento relativamente ao Sol) para oeste, sendo uma boa ocasião para observá-lo antes do amanhecer.

No mesmo dia a Lua atinge o perigeu: o ponto da sua oŕbita mais próximo da Terra. Por tal suceder duas horas e meia antes da Lua Cheia (já na madrugada de dia 2) ela aparentará ser ligeiramente maior (14%) e mais brilhante (30%) do que é habitual: uma autêntica superlua.

A Lua não é o único astro que por estes dias apresenta um diâmetro aparente maior do que é habitual. No dia 3 a Terra atinge o seu periélio (ponto da oŕbita mais próxima do Sol). Por esse motivo o Sol surge-nos 3% maior do que quando estamos próximos do afélio (ponto de maior afastamento).

Esta efeméride coincide com o pico de atividade da chuva de meteoros das Quadrântidas, meteoros que parecerem surgir de uma parte do céu (o radiante) que pertencia à antiga constelação Quadrans Muralis (atualmente obsoleta). Normalmente no pico de atividade das Quadrântidas são de esperar algumas dezenas de meteoros por hora, mas este ano a presença da Lua irá diminuir substancialmente o número de meteoros observáveis.

Ao final da madrugada de dia 5 a Lua situar-se-á junto a Régulo, o coração da constelação do Leão. Já aquando do quarto minguante (no dia 8) a Lua será vista junto da constelação da Virgem.

Na madrugada de dia 11 a Lua visitará planetas Júpiter e Marte, e quatro madrugadas depois iremos encontrá-la ao pé dos planetas Saturno e Mercúrio. De notar que ao final da madrugada de dia 13 a separação entre estes dois planetas será apenas de 0.7° (cerca de uma vez e meia o diâmetro da Lua).

Céu a sul ao final da madrugada de dia 15. Igalmente é visível a posição da de Mercúrio no dia 11 e da Lua nas madrugadas dos dias 5, 8 e 11.

A Lua Nova dar-se-á no dia 17 junto ao Sol (tal como acontece em qualquer Lua Nova) e a Vénus, planeta que não será visível este mês por se encontrar numa direção muito próxima à do Sol.

O quarto crescente terá lugar na noite de dia 24, entre as constelações da Baleia e dos Peixes. Três dias depois a Lua já terá passado ao lado de Aldebarã, o olho da constelação do Touro.

No último dia do mês teremos uma nova Lua Cheia. Os povos anglófonos chamam à segunda Lua Cheia de cada mês Blue Moon (a origem dessa expressão é obscura, não tendo nada a ver com o cor da Lua nessa altura).

Estes eventos são tão incomuns que deram origem à expressão once in a Blue Moon (uma vez a cada Lua Azul). Mas esta “Lua Azul” será ainda mais rara pois, para além de ser uma superlua (ocorrendo um dia depois de ter atingido novamente o seu perigeu), ela estará muito perto do plano da orbita da terrestre, sendo coberta pela sombra da Terra, o que originará um Eclipse Total da Lua. Infelizmente este evento irá ocorrer pelas 13h30 (hora continental) não sendo visível em Portugal.

Boas observações!

Artigo de Fernando J.G. Pinheiro (CITEUC/OGAUC) publicado ao abrigo do projeto Ciência na Imprensa Regional – Ciência Viva

Categorias
Ciência


Relacionado com: