Volvo XC90 D4

A Volvo quer vencer os alemães no seu próprio jogo e vai começar a apresentar trunfos. Este é um dos primeiros.

A Volvo está a mudar e para melhor. Basta olhar para o XC90 e, de imediato, se percebe que a marca sueca quer abandonar aquela imagem de ter uma gama de produtos para avozinhos que querem um carro fiável e muito seguro, para passar a ter um leque de automóveis na vanguarda da tecnologia e do design que apelam a um público mais jovem, informado e trendy, mas que não deixa de querer um carro fiável e muito seguro. E bonito. E bom. E que ande depressa e gaste pouco. E muito mais.

Às vezes, é fácil criticar uma marca e aquilo que oferece aos clientes, sem saber o que se passa por detrás. Durante anos, a Volvo foi detida pela Ford e o gigante americano quis fazer dos carros suecos uma evolução orgânica dos Ford: maiores, mais prestigiantes e mais caros. Mas o prestígio dificilmente se atinge com a alteração do símbolo no capot e pouco mais. Tanto a Volvo, como a Saab, outra marca sueca que tinha sido comprada pelo construtor americano General Motors, começaram a perder a sua identidade.

De repente, já não se sabia bem porque é que se havia de comprar um Volvo, em vez de outro carro qualquer. Os alemães começaram a ganhar cada vez mais terreno. Já chegaram aos dois milhões de carros por ano em vendas globais cada um (isto é, a BMW, a Mercedes e a Audi) e a Saab afundou-se completamente, encerrando portas em 2012.

Ora, destruir é muito mais fácil do que construir. Voltar a ter um catálogo de produtos que fizesse as pessoas regressar à marca e atrair novos compradores exigia duas coisas: a primeira era um plano capaz de executar essa reviravolta; a segunda era dinheiro para o pôr em prática.

A Volvo não tinha esse dinheiro. A Ford não queria investir mais. Entraram então em cena os chineses da Geely, uma construtora automóvel chinesa que queria uma entrada direta para o mercado europeu. Obviamente, nós, os europeus, começámos por achar que isto seria o fim da Volvo. O que é que os chineses poderiam saber acerca de ser premium ou ser sueco? Bom, a verdade é inegável: pouco. Mas para ter sucesso, o mais importante é saber adaptar-se a cada situação e foi isso que a Geely fez.

Assumindo que não poderiam ser mais suecos que a Volvo, os chineses mantiveram-se à parte e foram financiando os planos que a marca tinha para voltar a ser relevante. Essa decisão de supervisão e não de imposição de vontades ou visões para o futuro está à vista: o novo XC90 é um triunfo, os recém-chegados S90 e V90 vão dar muitas dores de cabeça aos germânicos e vem aí uma série de modelos novos que prometem agitar os respetivos segmentos.

Voltemos então as atenções para o XC90 que conduzi este mês, o SUV mais bonito do mercado. É claro que essa é sempre uma escolha subjetiva, mas num mundo povoado por modelos alemães que são todos iguais, o XC90 é uma lufada de ar fresco. Apesar de ter a sua identidade premium bem vincada, o XC90 nunca poderia ser um BMW ou um Mercedes e isso talvez seja o seu maior trunfo.

Quando a cada esquina encontramos um carro de uma marca que foi em tempos exclusiva, o mais natural é começarmos à procura de algo igualmente bom, mas mais distinto.

E é aí mesmo que a Volvo entra, nomeadamente com este SUV de cinco metros de comprimento e sete lugares, que é uma maravilha de utilizar no dia a dia. Além da estética exterior, que já elogiei, o XC90 é um paradigma do luxo moderno no interior, com um layout simples e intuitivo, que transborda classe como nenhum outro rival do segmento.

Tudo em que se toca tem uma qualidade a toda a prova e os bancos são autênticas poltronas que convidam a percorrer quilómetros sem fim e sem destino programado. Não, não é tão emocionante nas curvas como um X5 da BMW, mas isso pouco importa num carro que pesa duas toneladas. O XC90 do parque de imprensa da Volvo que ensaiei era um D4, o que significa que vem equipado com um motor a diesel de 4 cilindros de 2 litros de capacidade. Os 6 cilindros morreram na Suécia e não voltarão a fazer parte de um carro com o símbolo nórdico.

Com 190 cavalos, o XC90 não é o SUV mais rápido do mercado, mas o excelente escalonamento da caixa automática de oito velocidades faz com que o motor nunca pareça preguiçoso e responda com vontade aos desejos do condutor. A vantagem de não andarmos a velocidades que colocam em risco a valiosa carta de condução, é que é fácil manter este familiar de sete lugares abaixo dos 8 litros por cada 100 km.

O facto de esta versão ter apenas tração dianteira também ajuda. Para quem quiser ir para fora de estrada o melhor é subir um degrau e optar pelo D5 de tração integral permanente.

Em termos tecnológicos, o modelo sueco está ao nível dos rivais alemães, o que quer dizer que segue na vanguarda do mercado e oferece todos os gadgets e mais alguns. Claro que tudo isto se paga e, se o XC90 D4 começa nos 59 953 euros, o «meu» acrescentava mais de 15 mil euros em extras para um valor final de 75 308 euros. É muito dinheiro, mas também é muito carro.

Não se pode dizer que seja bom, bonito e barato, como gostamos de dizer neste cantinho da Europa, mas este Volvo que veio do frio é muito bom, muito bonito e nem sequer é assim tão caro para o que oferece. Para mim, é o SUV mais interessante do mercado.

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