Renault lança novo Mégane em Portugal

O Mégane é, muito provavelmente, o carro preferido dos portugueses. Claro que nos sonhos excêntricos de quem joga no Euromilhões, o Mégane estará certamente ausente, dando lugar ao imaginário de marcas como a Ferrari, Lamborghini ou Porsche. Contudo, no mundo real, onde um automóvel tem que ter um preço justo, ser fiável e gastar pouco combustível, de preferência, a Renault é a escolha da maioria da população nacional.

O Mégane chegou à sua quarta geração. Recupera a personalidade perdida no modelo anterior que, sendo demasiado genérico, se misturava com muitos rivais do segmento C, não tendo uma característica distintiva que o fizesse brilhar no meio de tanta concorrência.

Ainda assim, e atravessando um período complicadíssimo da economia nacional, as vendas em Portugal foram boas. Não é descabido afirmar que este será o carro mais vendido em Portugal em 2017. Porque não já em 2016? Porque não só chegou aos concessionários apenas em finais de janeiro, o que quer dizer que apenas estará à venda por onze meses, como não atingiu ainda uma dinâmica normal de vendas versus a capacidade da marca em entregar o carro aos clientes, algo que é absolutamente normal em início de vida de qualquer automóvel.

De 2009 a 2012, o Mégane liderou a tabela de vendas nacional, tendo um papel determinante na manutenção da marca francesa como líder de mercado em Portugal há 17 anos consecutivos. Quando deixou de ter o seu carro do segmento C como o mais vendido, a Renault passou a ter o do segmento B, o Clio.

Isto foi tanto um reflexo da crise económica, financeira e social, que fez empresas e particulares procurarem propostas mais baratas, como o resultado de um modelo que estava em princípio de vida e era novidade mais apelativa do que um modelo já a caminhar para o seu final.

E agora, com essas posições a inverterem-se, o Mégane deverá recuperar o lugar que lhe pertenceu até há três anos. O Clio não está propriamente em fim de vida, mas o fator novidade é muito forte na indústria automóvel. O Mégane faz parte do segmento mais competitivo da Europa e nos mais de cinquenta mercados onde é comercializado tem quarenta rivais diretos. Em Portugal representa 40 por cento do mercado, o que, referente a 2015, significa qualquer coisa como 71 mil carros.

Em todo o mundo, já foram vendidas seis milhões de unidades das três primeiras gerações. Os franceses investiram 600 milhões de euros a renovar a fábrica de Palencia, em Espanha, para receber este novo modelo, instalando 250 novos robots e fazendo deste um automóvel tecnologicamente muito mais avançado do que o seu antecessor.

Como vem sendo hábito, a procura por um posicionamento que se assemelhe ao segmento premium está presente no Mégane, que replica a orientação tomada no novo Espace e Talisman. Em termos estéticos, o Mégane dá um enorme salto em frente.

A nova assinatura estilística criada por Laurens Van Den Acker funciona muito bem, com os pormenores ao nível das luzes LED traseiras e dianteiras e os cromados abundantes a elevarem o Renault para um patamar acima. A nova arquitetura modular do chassis traz mais espaço interior e um aumento generoso das dimensões da carroçaria, para 4,359m de comprimento.

A apresentação mundial à imprensa aconteceu em Lisboa, com o centro nevrálgico instalado no Hotel The Oitavos, na Quinta da Marinha, em Cascais. À disposição dos jornalistas estavam as versões GT, com um motor 1,8 litros a gasolina de 205 cavalos e um 1.6 Diesel de 130.

O novo Mégane tem um ambiente interior muito superior ao que o modelo apresentou até aqui, com um ecrã TFT a cores de sete polegadas e um tablet na consola central de 8,7 polegadas que alberga o sistema R-Link 2, um dos mais avançados do mercado em informação e entretenimento.

A qualidade dos materiais e da montagem está muito mais próxima do Talisman do que do Clio e na versão GT os bancos desportivos merecem nota de destaque. O habitáculo denota um cuidado pormenorizado em termos do rigor e da montagem e é clara a maior imaginação em termos de design e o facto de haver ainda mais espaço para os ocupantes.

O interessante botão multi-sense controla os diversos tipos de condução disponíveis, desde o mais focado no conforto até ao mais desportivo. As diferenças entre estes modos são notórias e reforçam a ideia de que o novo Mégane deu um verdadeiro passo de gigante em termos tecnológicos quando comparado com o seu antecessor.

Na estrada, o Renault transmite uma enorme segurança e, apesar de a chuva torrencial não ter ajudado a perceber tudo o que o carro pode fazer, não conseguiu esconder que o Mégane está ao nível do que de melhor se faz no segmento e que a escolha será cada vez mais baseada no gosto pessoal de cada cliente e da sua identificação com a marca e não na qualidade percebida – aí o carro francês nunca esteve, como agora, tão perto da referência do segmento, o Volkswagen Golf.

Para os que apreciam a evolução eletrónica tanto como a mecânica, o novo Renault traz consigo um leque enorme de ajudas à condução, como a travagem de emergência, o aviso de transposição de faixa, reconhecimento de sinais de trânsito ou o aviso de ângulo morto, entre muitos outros.

O Mégane já está à venda em Portugal, em três versões, ZEN, Intens, GT Line, Bose Edition e GT e com motores a gasolina de 1200cc e 100 ou 130 cavalos e o referido GT que guiei com o 1800cc de 205 cavalos, que está disponível apenas com caixa automática de 7 velocidades. A oferta Diesel separa-se entre o 1500cc de 90 ou 110 cavalos e o 1600cc de 130 cavalos. Os preços da gama começam nos 21 mil euros.

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