Renault Espace 1.6 dCI 160cv

Em 1984 a Renault inventou o segmento dos monovolumes, uma nova forma de proporcionar às famílias viagens em perfeito conforto e com uma qualidade a bordo nunca antes vista.

Durante vinte anos, este foi um segmento extremamente popular e comercialmente muito importante, com numerosos concorrentes a tentarem melhorar a fórmula original.

No entanto, há uma década, década e meia, o advento dos SUVs e, posteriormente, dos crossovers alterou por completo a dinâmica do mercado e a Renault não podia mais ignorar essa realidade, até porque o seu único crossover, o pequeno Captur, tem sido um verdadeiro sucesso de vendas. Numa decisão que é inegavelmente arriscada, a marca francesa decidiu quebrar a linha histórica da Espace e transformá-la num crossover de grandes dimensões.

O «barlavento» foi até Provença ver se o novo Espace é um legítimo herdeiro de um nome com tanta história no seio da marca.

Com uma folha de papel em branco, os engenheiros e designers responsáveis pelo projeto tinham uma missão difícil em mãos. O nome Espace tem muita força e mesmo que o conceito do novo projeto fosse diferente de tudo o que veio para trás, a responsabilidade de conseguir algo marcante era, ao mesmo tempo, um desafio e um peso difícil de gerir.

Mas vamos desde já tirar as dúvidas do caminho: este é um automóvel em tudo superior ao seu antecessor e com as capacidades e o posicionamento certo para ser um vencedor no mercado. Para esta nova fase da sua história, o Espace ganhou uma frente mais agressiva, com a nova identidade da marca bem vincada na grelha, que introduz um perfil com uma linha de cintura bem mais elevada e uma traseira que é visualmente impressionante e que confere ao conjunto uma estética avantgarde e disruptiva que faz do Espace um automóvel diferente de tudo o que existe no mercado. Os faróis full-LED à frente e atrás e a proliferação de cromados são pormenores que elevam o estatuto do modelo.

Esta reinvenção não abdicou, no entanto, de alguns valores nucleares que a Renault considera fundamentais num carro abertamente dirigido às famílias e que são uma versatilidade interior acima da média, muito espaço no habitáculo e um conforto supremo de rolamento. O novo Espace tem tudo isso e muito mais, o que demonstra, curiosamente, que este novo modelo não é assim um corte tão radical com o passado em vários aspetos determinantes.

Em Portugal estarão disponíveis dois motores turbodiesel de 1.6 litros de cilindrada, com 130 e 160 cavalos, este último utilizando tecnologia bi-turbo, para melhores performances e acoplado a uma caixa automática de seis relações, para uma melhor eficiência. Mais de 200 quilómetros ao volante de uma unidade equipada com este bloco revelaram um Espace suave e poupado, que permite andamentos vivos que casam bem com uma dinâmica apurada, tendo em conta as dimensões avantajadas e o elevado centro de gravidade do conjunto.

De notar, ainda assim, que esta nova geração perdeu 250 quilos relativamente ao antecessor. O sistema 4Control é um opcional indispensável para melhorar o comportamento em estrada, oferecendo rodas traseiras direcionais, que viram no sentido oposto ou no mesmo sentido das da frente, consoante a velocidade. O resultado é uma agilidade notável em percursos urbanos e uma segurança suprema em auto-estrada, até porque a suspensão adaptativa pilotada é parte do sistema.

O interior do novo Espace é um grande passo em frente em termos de qualidade, principalmente em no que diz respeito à construção do habitáculo. As tolerâncias entre painéis são impercetíveis e a atenção aos detalhes atinge níveis pioneiros na marca. A versão de topo denomina-se Initiale Paris e é absolutamente fantástica.

Acabamentos de luxo e bom gosto na escolha dos materiais são as notas dominantes, enquanto pormenores como o sistema de som Bose que cancela o ruído exterior e o R-Link 2 com novos parâmetros e ainda mais apps disponíveis colocam o Espace como um rival das melhores berlinas ou SUVs premium em termos de qualidade de vida a bordo.

Talvez por isso a marca refira o BMW X3, Audi Q5 e Volvo XC60 como os rivais mais diretos. A estes temos que adicionar o Ford S-Max e o Hyundai Santa Fe e ficamos com uma ideia generalizada que espera o Espace quando chegar aos concessionários nacionais no final de maio com preços que começam na casa dos 42040 euros para a versão 1.6 de 130 cavalos com o nível de acabamento de entrada Zen, sendo preciso mais 2500 euros para termos mais 30 cavalos debaixo à disposição do pé direito.

O novo Espace é um monovolume disfarçado de crossover e consegue oferecer o melhor de dois mundos: as óbvias vantagens do primeiro em termos familiares, com a imagem de prestígio do segundo.

O Espace é um digno porta-estandarte de uma Renault que quer competir com os players do mercado premium e que pode até batê-los no seu próprio jogo. Como disse Jean-Baptiste Alphonse Karr, «quanto mais as coisas mudam, mais ficam na mesma» e o Renault, pese tudo o que tem de novo, mantém-se uma referência inabalável no seu segmento.

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