Mercedes C220d Station

A nova Classe C Station da Mercedes é a prova de que a marca alemã sabe bem como fazer uso da sua história para criar um produto virado para o futuro

A Mercedes teve o seu melhor ano de sempre em Portugal em 2014, com mais de dez mil carros vendidos pela primeira vez. Apesar de ter ficado atrás da BMW em termos absolutos, com as duas marcas nuns impressionantes 4º e 5º lugar, é a marca premium que mais cresce no país, com um aumento de vendas relativo a 2013 na casa dos 45 por cento.

A marca alemã atingiu uma quota de mercado de 7,1 pontos percentuais, sendo que Portugal é o segundo mercado mundial da marca neste indicador, apenas batido pelo mercado doméstico alemão.

A Mercedes está num processo interessantíssimo de revolução de imagem, que pretende aproveitar a imensa história que tem de qualidade, fiabilidade e inovação para criar um futuro que terá, necessariamente, que apelar a um público mais jovem e mais cosmopolita.

Esse objetivo está a ser conseguido em larga escala e basta olhar para o mercado nacional para se perceber porquê: o Classe A é o modelo mais vendido, com 3093 unidades comercializadas. No entanto, se adicionarmos os primos CLA e GLA, esse número sobe até às 4641 unidades, ou mais de 45 por cento do total das vendas anuais.

Essa mudança no interior da marca está também alicerçada num regresso à Fórmula 1, que trouxe para já o título mundial de pilotos e construtores o ano passado e que, este ano, começou já com uma vitória de Lewis Hamilton no GP da Austrália, o primeiro da temporada.

Os especialistas dizem que um segundo título consecutivo é uma certeza. A marca consegue desta forma equilibrar uma tradição de qualidade com uma nova vertente desportiva, que se reflete ainda na proliferação de novos modelos especializados AMG.

O resultado desta estratégia tem sido extraordinário mas, se de facto os Mercedes de tração dianteira são a mais-valia da marca em Portugal neste momento, o «barlavento» quis saber se a marca da estrela de três pontas não se esqueceu dos seus modelos mais emblemáticos e tradicionais, que construíram a imagem da Mercedes, e ensaiou a nova Classe C Station, na versão 220 CDI.

O novo Classe C dá um gigante passo em frente em relação ao seu antecessor e a Station é ainda mais apelativa. Com um design que casa na perfeição as linhas clássicas do perfil com uma frente arrojada e uma traseira muito moderna, a C Station está cada vez mais próxima da sua irmã mais velha, a E Station, mas consegue, ao mesmo tempo, ser ainda mais atraente em termos estéticos e mais emocionante para quem está ao volante.

É que a Mercedes apostou forte na redução de peso para esta geração e isso nota-se na forma como o novo C lida com as curvas, de forma muito mais confiante que o seu antecessor. O truque é aumentar a capacidade dinâmica do carro sem perder de vista os pergaminhos de conforto e suavidade que caracterizam a marca – e nesse teste a Mercedes passa com distinção.

O motor de 2.1 litros com 170 cavalos oferece performances mais que suficientes para uma condução diária, que equilibra rapidez com consumos na casa dos 6 litros. Apenas o barulho típico do diesel poderia ser menor, mas a marca garante que esse é um problema com os dias contados.

No interior, nota-se de imediato uma colagem ao topo de gama Classe S, principalmente na disposição dos elementos, mas também num aumento significativo da qualidade dos materiais. A montagem mantém a tradição de rigor da marca e o sem número de gadgets à disposição são o toque final para fazer deste um local privilegiado de onde encarar o dia a dia na cidade ou uma longa viagem.

Estava com medo que a Mercedes tivesse descurado o novo Classe C e que o foco estivesse todo nos novos modelos, mas posso dizer que não foi assim. É importante manter os clientes antigos da marca e não só angariar outros novos.

O Classe C, e em particular esta C Station, estão à altura das expetativas e devem ter um papel importante nos resultados de 2015, que serão certamente superiores até aos de 2014.

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