Kia Sportage 1.7 CRDi

O Sportage é a pedra basilar da imagem da Kia em Portugal e o novo modelo acaba de chegar, pronto para mais uma carreira de sucesso no mercado nacional.

A Kia quer vender 7500 carros em Portugal em 2018. Todo e qualquer número é relativo, claro, por isso, este que acabei de escrever pode ser considerado alto ou baixo.

Mas vamos por partes. Em 2015, a marca descobriu 3700 clientes, o que significa que, em três anos, a marca espera aumentar as vendas em mais de cem por cento. Em março, a Kia vendeu umas impressionantes 745 unidades, o que se traduziu no melhor mês de sempre em território nacional.

De repente, vender 7500 carros daqui por dois anos, não parece, portanto, uma tarefa assim tão complicada. Se conseguir atingir este objetivo, a Kia terá em mãos um caso de estudo para a concorrência analisar. Até porque, como a marca deixou bem claro na conferência de imprensa de apresentação dos novos Optima e Soul EV, a Kia, ao contrário de alguns outros emblemas, não antecipa matrículas. Carro matriculado é carro vendido. Isso significa que os números de vendas têm correlação direta e real com o mercado.

Os novos Óptima e Soul EV que mencionei são modelos importantes, por razões diferentes, para o mercado nacional e para a marca no geral. Mas na realidade, o carro que conduzi na semana passada e que aparece nesta página é o porta-estandarte da Kia no nosso país. Os portugueses adoram o Sportage e têm todas as razões para o fazer.

A geração que agora sai de cena foi um sucesso tremendo em todos os mercados onde esteve à venda e o nacional não foi exceção. O Sportage anterior era muito provavelmente o SUV compacto mais bonito da sua classe e cativou muitos clientes de outras marcas a bater à porta da Kia.

Já se sabe que o mais difícil não é chegar ao topo. O mais difícil é manter-se lá e substituir o Sportage seria sempre um desafio para os responsáveis coreanos. E lá vai este texto buscar o nome do maior responsável pela transformação da marca em algo mais ou menos vulgar para uma gama de produtos que se destacam: Peter Schreyer.

Agora na posição de presidente, certamente que o alemão não andou nos gabinetes de design a desenhar propostas, mas a sua supervisão de todo o projeto continua a ser fundamental para que a Kia mantenha uma trajetória forte e sustentada de afirmação da sua imagem.

No década passada, a Kia desenvolveu um plano de crescimento baseado em três fases principais, que teriam que ser implementadas consecutivamente: design, qualidade e handling (qualidades dinâmicas). A primeira fase está completa, na medida em que um Kia ser um carro bonito e distinto já é um dado adquirido.

A orientação estética definida por Peter Schreyer é de tal forma brilhante que a gama coreana tem mais coerência e mais apelo estilístico que quase todos os rivais asiáticos: nem a Toyota, a Honda, a Mitsubishi ou a Nissan, nem mesmo a ‘irmã’ Hyundai, conseguem apresentar uma coleção de automóveis tão atraentes, sendo o maior rival neste campo a japonesa Mazda, que se encontra, também ela, num momento alto da sua história.

No fundo, a fase 1 está tratada e a Kia encontra-se em plena fase 2 nesta nova geração de produtos, encabeçada pelo Sportage e pelo Optima. A busca pela qualidade significa melhores e mais eficientes processos produtivos, maior rigor na escolha e montagem dos materiais e um maior conhecimento do cliente e das expectativas associadas à marca.

Se o Sportage que conduzi é o espelho dessa busca, então os rivais que se cuidem, porque o salto qualitativo em relação à geração anterior é enorme. Ensaiei um Sportage com o motor diesel 1.7 CRDi na versão TX e, ao fim de quatro dias ao volante, já me questionava porque é que alguém há de comprar outro carro qualquer.

O Sportage tem uma imagem belíssima (como não podia deixar de ser), anda bem, gasta pouco e o habitáculo com bancos forrados a pele Camel com contrastes em amarelo é delicioso. Infelizmente, não consegui incluir imagens dessa especificação, mas é, sem dúvida, a que mais se aproxima de um look premium.

O Sportage oferece muito espaço a bordo e níveis de conforto que envergonham o seu antecessor. Nota-se, especialmente em pisos mais degradados, o trabalho que foi feito ao nível do chassis e suspensão para dotar este Kia de um equilíbrio na estrada que não é tão comum como isso, muito menos neste segmento.

Imagine-se o que será o próximo Sportage, quando a Kia estiver na fase 3 do seu projeto, altura em que se notará o trabalho feito por Albert Biermann – contratado à divisão M da BMW – ao nível da dinâmica dos carros, aquilo a que na gíria se chama o handling.

Até lá, este Sportage é já uma proposta muito, muito interessante e certamente que isso se refletirá nos resultados um pouco por toda a Europa. Equipado de série com tudo o que se possa imaginar, incluindo ajuda ao arranque em subidas, monitorização da pressão dos pneus, sensores de luz e chuva, ar condicionado bi-zona, chave inteligente, cruise control, sistema de navegação, câmara de estacionamento e muito mais, o Sportage 1.7 CRDi TX custa 30651 euros. Ou 4377 euros por cada um dos sete anos de garantia de fábrica. Sim, qualquer número é relativo, mas é muito carro por (relativamente) pouco dinheiro.

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