BMW Série 1

O «barlavento» foi até Lisboa conhecer o novo BMW Série 1, numa apresentação mundial que decorreu entre a capital, a Arrábida e a Ericeira.

Portugal está rapidamente a tornar-se um destino de excelência para apresentações automóveis, devido ao clima, à qualidade das estradas e condições hoteleiras de exceção. Muitas vezes a região algarvia é a escolhida, mas desta vez a BMW optou pela cidade de Lisboa. O Hotel Myriad serviu de centro nevrálgico das operações, num programa que incluiu o novo Série 6, além do Série 1 em que nos vamos centrar. O modelo de entrada da BMW cumpre 10 anos e já vendeu qualquer coisa como 2 milhões de unidades em todo o mundo.

Sempre gostei de conduzir esta nova geração do Série 1, o único modelo do seu segmento que tem um chassis de tração traseira. Só havia duas situações em que achava que nunca compraria um: quando estava a andar para o carro e via aquela frente com uns faróis esquisitos e que pareciam ter sido desenhados por um estagiário e quando saía e via aquela traseira que parecia não pertencer ao carro.

Tudo isso foi resolvido com o restyling agora apresentado: a frente mais colada ao Série 2 já não choca e a traseira até está bonita, com uma nova volumetria e faróis totalmente redesenhados. O interior mantém-se praticamente inalterado, mas há vários elementos que eram opcionais que passaram a fazer parte do equipamento de série: o BMW Radio Professional com ecrã de 6.5 polegadas e iDrive, o ar condicionado automático, os sensores de chuva e luz e os faróis diurnos em LED.

O que não se alterou foi a forma como o Série 1 interage com o condutor. Primeiro optei por conduzir um M135i, o modelo de topo da gama, com um motor de seis cilindros em linha a gasolina de 3 litros, que debita 326 cavalos de potência. Já conhecia este carro da sua primeira incarnação e as memórias estavam bem guardadas e sem erros no disco rígido, pois diziam-me que este motor e este chassis continuam faziam maravilhas em conjunto e assim continua a ser.

Além disso, a BMW decidiu equipar todos os M135i do lançamento com uma transmissão manual de seis velocidades que é uma delícia para os sentidos. Cada relação está calibrada para extrair o máximo do motor, mas sem o tornar demasiado agressivo.

O seis cilindros é suave e muito potente ao mesmo tempo, tendo uma faixa de utilização tão ampla que podemos optar por fazer tudo em 4ª ou 5ª e deixar o binário tratar do resto ou andar para cima e para baixo no conta-rotações à boleia da caixa de velocidades e desfrutar da sonoridade única de um 3 litros BMW. Como desportivo capaz de fazer todas as tarefas do dia a dia sem nenhum problema, o M135i tem muito poucos rivais.

Estacionado o Série 1 mais espicaçado, era altura de testar o mais normal e aquele que faz o grosso das vendas na Europa, o também excelente diesel 120d. No entanto, todos os 120d deste evento vinham com o sistema xDrive de tração integral, uma opção em crescimento em Portugal que ganha cada vez mais adeptos, mas que ainda há clientes que recusam.

E fazem mal, porque a ligeira perda de envolvimento que existe devido ao eixo dianteiro também ser motriz, é largamente compensada pelas capacidades que o carro ganha em pisos degradados, molhados ou muito sujos. O 120d xDrive parece impossível de tirar do sítio – leia-se de soltar um pouco a traseira em curva – pois ele simplesmente agarra-se à estrada e pronto.

Ao contrário do M135i, o diesel vinha com a caixa opcional ZF de oito velocidades. Por mais que se possa defender o prazer de conduzir uma boa transmissão manual, a verdade é que, no mundo real, com trânsito e filas de um lado e quilómetros de autoestrada do outro, esta é a opção certa. Suave, intuitiva e muito eficiente, não conheço outra caixa de velocidades que funcione tão bem numa condução dita «do quotidiano».

O Série 1 está mais competitivo em termos de preços, devido ao equipamento de série que oferece e começa nos 24880 euros para o 116i a gasolina de 3 portas. Mas como ninguém vai comprar esse, o modelo que interessa é o 114d de 5 portas a diesel, que tem um preço base de 26860 euros. O 120d começa nos 37165 euros e o extraordinário M135i nos 56275 euros. Portugal sempre gostou muito do Série 1 e parece-me que vai gostar ainda mais dele agora: não só é um BMW, como, além de ser o melhor do segmento atrás do volante, já se pode dizer que é um carro bonito.

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